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domingo, 22 de janeiro de 2017


JOGO DE DAMAS
XIKIN KARWALHO (Escritor Parnaibano)
 
             Em noite ventilada na city of Teresina (acredita?), metrópole piauizeira, acontece a Festa de Natal dos servidores do SEBRAE/PI. Dez em ponto e o maestro inicia o batuque. Os presentes solvem goles etílicos, na tentativa de afrouxarem o “parafuso central”, peça (ir)responsável pela “coragem” de requebrados e trejeitos dos dançarinos. Lá pras tantas e quantas, os casais unidos, ambos os dois, um sentindo o fungado no pé da orelha do outro, vão dominando o salão, demonstrando suas capacidades bailarinêscas. Mas enquanto uns bailam, outros só tomam coragem, e, neste momento, Samuka do Litó levanta-se, respira fundo e vai “in front of di.  Sarta fora o palavreado e convida a 1ª dama pra dançar:
- bailas comigo?
- não posso estou com um pé machucado.
O heroico vilão não desiste e parte pra 2ª dama.
- permita-me esta parte do baile?
- não sei dançar.
Mesmo já zangado, enfrentando a 3ª dama,  e com o sorriso já amarelo tifoide, diz:
- vamos dançar?
- não posso, estou cansada.
            Neste momento nosso retratado procurou uma moeda nos bolsos pra ofertar a recusante, como forma de ajuda para pagar sua passagem de ônibus. Ainda bem que não achou.
            Samuka do Litó volta ao bar, bebe mais umas. Conversa um pouco, novamente respira fundo, toma mais coragem e olhando as personagens festivas avista uma linda loura.  Pensou: será ela a minha dançarina?
            Aproximou-se da 4ª dama e foi logo dizendo:
- permita-me bailar aos seus braços?
- não estou dançando nem com meu noivo.
- mas ele não está nem aqui.
- está sim. Está no meu coração e nos meus pensamentos, palavras e obras.
            Samuka insistia pois sabia que era seu último jogo, entretanto o bela jovem continuava a dar as mais belas desculpas esfarrapadas.
Já zangado nosso Belo Di Jú disse;
- tudo bem, mas se você dançar com outro eu faço o maior escândalo. Viro bicho.
Desolado o Jogador de Damas voltou e “se-assentou-se” à mesa, tratando de encher a cara de cima. 
            É amigo Samuka o jeito é você aprender a jogar xadrez, pois de damas pouco entendes.
            Enquanto isto as meninas do SEBRAE reclamam que ninguém as tira pra dançar.
Moral da estória: 
“Não deixe de montar no cavalo selado, ele pode não passar uma segunda vez”.
Parnaíba, 05 de janeiro de 1999
Xikin Karwalho
 

domingo, 13 de novembro de 2016

ESTÓRIAS DO XIKOUSE


17 de Novembro – Um Dia Prostático!

XIKIN KARWALHO (Escritor Parnaibano)
            Os macharais morrem de medo, os incubados vacilam e os viadarais fazem festa. Cada qual no seu cada cuqual. Os machões da independência “impinam” a revolta de  serem tocados, os incubados “bambeiam” na dependência da volta do dedão que vai lhes retocar, e os viadões ficam na “pendência” do  pendão que lhes vai tocar. Cada qual com seu instrumento musicúal. Enquanto os machões se desfazem cantando “boemia aqui me tens de regresso”, os incubados se refazem cantando “vira, vira, vira homem, vira, vira; vira, vira lobisomem, vira, vira"; e os viadarais cantam  pro Dr Toquista “amor I love you , amor I love you”,  e de tanta alegria chegam até a declamar:

"Ai, ai vida, vida;
No meu jardim planto rosas;
Mas só nascem margaridas".

            Não adianta lastimar, o jeito que tem é prevenir para não ter que broxar, digo: remediar.
            As estórias dos toques e retoques são malignas, algumas engraçadas, outras desgraçadas, mas o que achamos mesmo é que somos esgarçados e abruptamente desvirginados, a ponto de não termos mais o direito de fazer o “exame da goma”.      Durante a consulta os machões se fecham e nada dizem; os incubados se abrem após goles etílicos e vão soltando devagar as verdades verdadeiras; enquanto os viadônicu’s se deleitam e soltam até a franga.
            Por que exame da próstata? Pelo fato de nos prostrarmos a sorte, de estarmos ou não contaminados com o mal de pauquissom... 
            Como não podemos deixar de contar, aqui vamos animar nossa estória através de 03 ocorrências inventivas and existenciais.
            A primeira ocorreu com Xag’s Wall, cabra macho buritiense. O fatídico  resolveu esconder o fato indo pra Fortaleza/CE, terra de sua estimada sogra. Lá chegando procurou o Doctor.  Deitado no leito nupcial, ou melhor, na maca do hospital, o pervertido Dr. inicia o exame. O já penetrado tenta apertar o anel de couro. O  telefone toca - trim. trim. O Dr. atende o  bicho falante com a mão esquerda. O penetrado estrebucha com a demora e ao olhar pra trás vê o Dr escrevendo com a mão direita, o recado que lhe era passado ao telefone. O tocado se desespera e salta a pergunta: Dr.  se seguras o fone com a mão esquerda e escreves com a direita, com o que me examinas?
            A segunda ocorreu com o tocador de  viola e cantador de prosas e versos, o mui amigo Rik Lions. O homi adentrou ao recinto exeminísticú e ao oiá pro Dr ficou pasmo, empachado e com o juízo em polvorosa, afinal o Dr aparentava ter só 1,92 mts de altura. Nosso personagem imaginou logo o tamanho do instrumento examinador da lapa de homi, e logo foi ficando  branquin, branquin, e com os olhos murchos, devido às pálpebras caídas. O Dr percebeu e foi logo perguntando. 
        - Ta com medo?
Como homi qui é homi não chora nem quando a mulher vai simbora, Rik Lions respondeu. 

* Não, não senhor.
* Então o que tens que estás tão pálido. Será vergonha?
Nosso machão caiu do cavalo, retrocedeu aos seus momentos de glória e disse;
* Dr., se eu gostar  posso te chamar de meu bem?
            A terceira não foi bem uma ocorrência de exame, mas foi um fato verídico. John Xôfer e Xikin Karwalho foram tirar o Atestado Médico Ocupacional, para apresentar a primeira mulher do mundo, nossa querida Eva do DSH. O Dr. mui sabido e querendo ganhar a grana da UNIMED, ainda mais fácil, mandou que os dois entrassem. Aferiu  pressão, examinou batimentos cardíacos e só depois iniciou uma ladainha de perguntas. Enquanto perguntava a ambos, ao mesmo tempo falava de assuntos amigáveis com Xikin. Nesta confusão John Xôfer “se” distraiu-“se” e aí aconteceu à pergunta fatídica, de parte do Doutor.
* O senhor tem feito regularmente o exame de próstata?
* Sim senhor, DIARIAMENTE. Respondeu prontamente John.
Xikin, gozador emérito, imediatamente emendou.
* O Sr num ta é dando seu ás de copas, mister John?
É claro que a gozação foi geral e a marca foi registrada no IML.
            Moral de estória. Todos nós sabemos que “mais vale prevenir, do que ter que remediar”. Por isto mesmo recomendamos que todos (macharais, incubados e viadarais) façam regularmente seu toque e logo depois tomem muitas Skol, pra descer bem redondim.

Parnaíba, 21 de Novembro de 2004.
Xikin Karwalho

 

EXAME DE PRÓSTATA (é obrigado fazer - não esqueça machão!!!)

domingo, 30 de outubro de 2016

ESTÓRIAS DO XIKOUSE


 


METAS IMPERDÍVEIS

XIKIN KARWALHO (escritor parnaibano)
            Devido às cuidadosas recomendações do coordenador do escritório regional de Picos, o Sr. Dr.  e Cônego Zaca’s Ria, objetivando não perder qualquer meta de atendimento, pois a disputa com Floriano estava acirrada, é que aconteceu o seguinte “causo”, que estamos relatando:

            Certo dia de labuta, sol a pino na ventilada e cheirosa cidade de Picos, para na frente do estabelecimento consultivo empresarial, um potentoso jumento juramentado, desejoso de urinar. Ao avistar o desbravado em sua prontidão abaionetada, o Técnico Holandêz, graduado lá pras bandas do Ceará, já aperreado que estava, pois já era hora do almoço, grita:

- Mercedes-benz anota aí mais uma consulta.

            Admirada com a ocorrência, pois nenhum empresário adentrara ao Balcão de Atendimento, perguntou:

- cadêkinuntôvendo?

- ta li na calçada, em frente à porta.

            Mercedes-benz correu para urubuservar. Lá chegando viu o tal jumento já urinando, e, virando-se para o colega perguntou:

- qual a atividade empresarial que coloco?

- serraria, claro.

- serraria?

- sim. Tu num ta vendo o tamanho do desdobramento de madeira?
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       Parnaíba, janeiro de 85.
Xikin Karwalho

domingo, 23 de outubro de 2016

ESTÓRIAS DO XIKOUSE

HOLANDÊZ NI ESPÃNA
XIKIN CARVALHO (escritor parnaibano)


Ele não pode ficar parado, sempre mexendo e remexendo a procura de soluções e melhorias para o nosso Píííoí, para o nosso Céubraz e para todos aqueles que o cercam. De tanto remexer, conseguiu ser notado e indicado para feirar ni Espãna.
Na feirança a sua “absmação” foi marcante, mas em nenhum momento baixou a cabeça. Ávido por conhecimentos, tratou de reforçar sua Rede de Contatos e rebuscar tudo o que via de útil, moderno e avançado. E iniciou sua falação solitária:
* Vou levar para os meus Direx, para eles verem o quanto necessitamos remexer a mesmice, atentando para a necessidade de trabalharmos com  tecnologia de ponta. Não, de ponta não, de última geração, fica melhor.
* Lá chegando vou me reunuir com a Dra. Nariuda Melancia e com a bela Cruz de Fátima, prá tratarmos de rodadas, de negócios, é claro.
* Preciso agitar, fazer acontecer. Para tanto vou convidar a PANEX Brasil para ser nossa parceira nos eventos.
Nosso personagem mirabolou planos, programas, projeto, remexeu e xarfurdou o juízo, até que lembrou da Dra. Moita de Tucum, e disse;
* Ela vai ver com quantas metas se faz um CIAUDI.
Mas como nem só de trabalho vive o homem, Holandêz tratou de curtir la Espãna a la Espãnola. À noitôna (nada de noitinha) foi passear (por favor não mostrem esta estória prá muié dele). Para melhor aproveitar tratou de contratar umA guiA. Na sua apresentação A elA,  foi logo dizendo:
* Sou do Céubraz, lá do Píííooí, você conhece?
* Non. Non Sr.
* Pois o Píííooí é a terra do Cão Santo; onde aFlora  juta, jaborandi, jataí e juá mas nada ela tem prá ganhar; onde Quém Quém quer mas não consegue; onde o colega Elcano Nãoleva Ferro  será o próximo vice-prefeito da capitá.       
Como ele notou que suas explicações de nada adiantavam,  pediu: 
* Quero conhecer a dança das castanholas.
Levado foi prá Adega CARVALHO (madeira de lei, paú que não inverga e nem dá cupim). Lá chegando adentraram ao recinto benicioso e labutante. Holandêz foi ficando cada vez +++++++++ feliz e a medida que lá tomava, vinho, é claro, mais desenvolto ficava. Até que chegou a hora da dança das castanholas. U ômi lambeu os beiços; respirou fundo e profundo; arregalou os óios, lascou três gotas de lavôlho em cada uruburservante e apulumou os inxergantes nas castanhas das dançarinas, que estavam em suas macias mãos. Como não podemos contar o resto da festa, preferimos, neste solene momento, citar a 1ª Moral da Estória – “Segredo de dois vai para o baú, de três sai no jornal”.
No outro dia, ainda cedo o nosso filantrôpu’s braziliani’s tratou de ir passear pela cidade antiga. Tudo o que via era motivo de admiração e sempre se voltando para a guia, dizia:
* Vou levar a idéia para o Píííooí.
O dia passava e já a tardinha ele resolveu parar, sentar no banco da praça para observar a beleza de las pombas que por lá pousavam. De tão cansado e entretido com o vôo de las pombitas, nosso héroi se distraiu e desligado do 1º mundo ficou. Lá prás tantas ouviu-se gritos:
* Olé. Olé. Óle.
Holandêz qui num é nem besta e não pode ficar parado, acordou prá vida, mas ainda atordoado foi logo dizendo:
* Passa a bola Mauvício de Nassau Belavista de Lastro. Passa a bola.
* Non és bola Sr. Holandêz, és touro.; retrocou sua bela guia.
* Afroxá , afroxá. Bicho de chifre num é comigo. Já faz mais de 03 anos qui aberei de Perypery. Tô fora, tô fora. Abera, abera, abera. Vamúsimborajájá.
Holandêz fez por onde lá chegar, construindo  fez por merecer, e Você quer aprender como fazer? Então siga o ensinamento da 2ª Moral da Estória: “cobra que não anda, não engole sapo”.
         Parnaíba, 19.09.04
         Xikin Karwalho

sábado, 24 de setembro de 2016

ESTÓRIAS DO XIKOUSE

 
XIKIN KARWALHO
MALA SEM ALÇA Resultado de imagem para MALA SEM ALÇA
Numa reunião de direx, Tuninho Montblack, dirigindo-se a Kalçalta e a Fom-fom Elzenrio, perguntou:
- dondi vem as prosopopíticas expressões “mala sem alça” e “urêia seca”?
Kalçalta – sabichão qui só o cão – respondeu na batata.
- só entendo de matemática, mas precisamente de tabuada, donde 04 + 04 didi, são na realidade 12 didi de dudu. 
- sabidim  tais ficando – disse Fom-fom. Entendo muito da língua pátria. Sei que ambas  são provenientes da criação dos artistas do Litó. Urêias Seca são os subalternos e Mala Sem Alça os desavergonhados.
- sabidim ta tu. Vamos logo acabar com esta reunião. Já to cum “ dô nos quartos”, de tanto ficar sentado. Vou dá uma voltinha pelos departamentos pra vê  quem ta jogando baraí e oiando muié pelada na internet.
- vai-te marmota – disse Montblack. Leva contigo esta tosse de cachorro doido e vê se larga este cigarro.
Fom-fom dirigindo-se para o direx super, disse:
- vou pedir pro dançarino do Litó te contar a estória do Mala Sem Alça.
ESTÓRIA Resultado de imagem para amigos na mesa de bar
Numa destas sextas-feiras santas da vida, o grupamento sebraico ajuntou-se para aprontar mais uma noitada de vida bem vivida. Nem todos os invertebrados da instituição seguiram, porém a delegação estava bem representada. Naquele tempo, agosto de 1995, não tinha o “se beber não dirija”, então Xaga’s Wall  atracou-se com o volante do seu Del-Rey vinho e arregimentou a tropa. Foi adentrando Phirão Imunes da Prosta, Rik Lions, Aussionni Sampa e Angim. 
- apulumem seus cintos – ordenou o Fit Pau Di.
Seguiram pro bar do Zé Grosso e lá chegando trataram de pedir geladinhas. E haja conversa mole. Phirão só falava da vida alheia, Rik ajeitava o psicossomático do grupo com piadas imorais. Angim só podia está com água na pleura, pois há todo momento levantava para ir ao Ele. Aussionni só ria. Nisso Rik levantou e dirigindo-se ao seu Zé, perguntou:
- tem dominó?
- só tem baraí. 
- manda.
Formaram a roda de baraí e trataram de jogar bisca. Lá pras tanta, Aussionni, lembrando de suas entrâncias, levantou e fez o convite:
- vamos pro ca-ba-ré ?´
- pro Va-ga-lu-me do Domingo Fogoió – respondeu Wall.
- to dentro – disse Angim.
Lá chegando cada um foi tratando de pegar sua menininha de vida difícil. E haja dança, mé, muié e tira gosto de panelada, de cheiro pejorativo.
- lasca pimenta e farinha – disse Phirão Imunes de Prosta.
Lá pras quatro da matina o piloto, já de bucho quebrado de tanto comer, resolve debandar.
- quem vai-vai, quem num vai fica.
Quase todos adentraram ao automóvel e quando o chofer ia acelerando notou que faltava o Angim. 
- cadê?
Ele apareceu de par e até queria levar a quenga, mesmo sabendo que ela tinha lêndia e  piôi. Como não foi possível, se despediu com um beijo na boca banguela e cheia de dente pôdi. Será que era pra tirar quebranto?
Xaga’s deixou todos em casa e por último deixava Angim, pois morava próximo, no bairro São José, também conhecido como cheira mijo.
Angim, esposa e filho moravam na casa dos pais de Fom-fom, ou seja, Fom-fom  é tio afim de Angim. 
Xaga’s Wall buzinou pra acordar o carona. Logo que Angim desceu, a luz do terraço acendeu e um braço moreno e rígido apareceu empurrando uma mala. Angim apulumou  os ofuscantes, remelou os ocólitos homônimos, parou, fitou a marmota e logo viu que um novo braço feminino, de cor mais clara e fragilizado pelo tempo, puxava a mala pra dentro. Mala ia e mala vinha. Neste vai e vem a trepeça da  pegar se soltou e a mala ficou sem alça e do lado de fora. Nisto ouvia-se conversa de Vó (experiência) e Neta (impaciência).
Wall já se agoniando disse:
-  se resolvam se ele fica ou se vai. Preciso partir.
As senhoras resolveram acatar as “duas malas sem alça”
Xaga’s partiu preocupado com a sua mala e perguntou-se:
- será que Ela também vai arrancar a alça da minha mala?!?!? Vou me mandar é pro Buriti of dos Lopes e depois invento que fui visitar o Papai.
Moral da estória:
“ Casamento é a única instituição  onde se conquista a liberdade por mau comportamento.”
Parnaíba, madrugada de 10/11 de março de 2010.
Xikin Karwalho

sábado, 13 de agosto de 2016


ESTÓRIAS DO XIKOUSE
XIKIN CARWALHO (escritor parnaibano)

 

ESTRELA ASCENDENTE

 
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 Subiu ao Céu e já estando sentada “à esquerda de DEUS Pai”  foi logo puxando conversa.
- Pai Nosso aqui estou no Céu. Só não estou gostando mais porque a coisa aqui está muito parada .
 Madre de Calcutá, que estava por perto tentou desviar o assunto, mas Nossa Estrela não se acomodou e continuou.
- Rezar é bom, faz bem ao Espírito Santo, mas nem só de reza poderemos edificar o Céu. Temos que “quebrar paradigmas”, querida Madre. Rezar o dia todo dá sono, por isto é que precisamos “fazer acontecer”.
Frei Serafim, vendo que a novata não se deixava vencer, tratou de ajudar Madre de Calcutá e perguntou.

- Quem é Você?
- Eu sou a mais nova Estrela do Céu, o mais novo brilho do firmamento, ascendente da terra e bonita por natureza. Represento a mais bela criação de DEUS, a MULHER.
A Madre bem que tentou e nem Frei Serafim conseguiu. A paraibana feminina, mulher hábil sim senhor, voltou a carga e olhando as pessoas que estavam no vasto Salão Celestial avistou duas conhecidas. Dirigindo-se para o Senhor, disse:
- Veja Senhor aquelas duas senhoras lá adiante, elas lá na terra eram artesãs, trabalhavam com rendas de bilros, lá nos Morros da Mariana, hoje cidade de Ilha Grande – Portal do DELTA do Rio Parnaíba. Que tal iniciarmos um trabalho de aprendizado com elas? Não se preoculpe qu’eu arranjo a “parceria” com o CÉUBRAE. Lá JESUS é que não falta.
DEUS onipotente começou a se interessar pelo assunto e foi se tornando onipresente.
Observadora que só Ela, nossa estrela aproveitando o repentino interesse do Todo Poderoso, arrematou:
- Depois que todas nós soubermos o ofício, iniciaremos um “trabalho de sensibilização”, visando a criação da “Associação das Bordadeiras do Céu”. 
São Pedro tentando evitar a mudança, perguntou:
- Já que aqui tudo temos e que nada precisamos, o que vamos produzir? Oremos irmãos, oremos irmãs, oremos.
- Vamos tecer um novo “Manto do Amor”, para com ele cobrir a Terra, a fim de podermos preservar a natureza, os animais e a Família CÉUSEBRAEANA, alicerce maior do desenvolvimento da INSTITUIÇÃO que apoia às MPEs.
São Pedro ainda quis perguntar o que era MPEs, mas não deu tempo, nossa Estrela com sua vontade de mudar dirigindo-se ao Senhor, disse:
- Sabe qual então serão os nossos próximos passos Senhor? Trabalharemos os “Arranjos Produtivos”, visando num futuro próximo desenvolvermos o “Projeto Cara Celestial”.
A conversa flui com desenvoltura e nossa Estrela  contagia a todos com sua energia e vibração. São Pedro, Madre de Calcutá e Frei Serafim já se engajaram, então,  nossa Estrela traça seu PDCA e seu D-OLHO. Nem Ela para, nem deixa os outros pararem.
O Senhor a chama e pergunta:
- Estais zangada comigo?
- Não Senhor - responde Ela. Reconheço que a Cruz que me deste lá na terra foi muito pesada, mas ela serviu para qu’eu pudesse demonstrar a mim mesma e a todos que me cercavam que sou uma IDEALISTA,
uma Filha de Deus
 que veio ao mundo para brilhar,
 pois mesmo na adversidade
nunca me deixei derrotar.
 Uma queda ali,
 uma queda acolá,
 mas sempre acreditando no Senhor,
fui capaz de  levantar.
                                                                                                                        E  tudo porque sou uma Empreendedora e sempre acreditei no que estava fazendo. Sabe Pai, se me deste tão pesada Cruz era porque sabias qu’eu era capaz  de carregar, ou seja, o Senhor me elogiou “assim na terra” e em breve “como no Céu”.
- Vamos Frei Serafim trabalhe. Procure ocupar melhor o seu tempo. Faça como a Madre de Calcutá e São Pedro que já estão a todo vapor. Lá na terra aprendi que “cabeça vazia é a morada do cão”. Acredite que é capaz e nos ajude a reconstruir o AMOR, tão bem ensinado por DEUS Pai Todo Poderoso, Criador do Céu e da Terra, mas esquecido por muitos dos seus filhos que  se deixaram levar pela inveja e  pela ganância diarística.
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Moral de nossa estória:
 “ Somos o roteirista do filme de nossa vida e só a  nós é permitido escolher o papel que queremos representar”. RAIMUNDA DA SILVA escolheu o papel de atriz principal.

 

Xikin Karwalho

Phb, 18.04.2004

 

sábado, 6 de agosto de 2016

HISTÓRIAS DO XIKOUSE


Ôôorrri   Piulá
XIKIN KARWALHO ( escritor parnaibano)
 
            Idos de 1999, novembro, por ocasião da Feira e do Seminário de Artesanato do Piauí, em Teresina.
            Levanta-se o espírito diarístico e a ganância fala mais forte. Tudo é formado de acordo com os conformes. Transporte alugado, artesãos convidados, selecionados e dindins já na conta. Coordenação a cargo de Mana e supervisão deste, que agora faz o papel de escrivão da frota.
Um grande grupo segue de Parnaíba “in front of di”. As conversas correm soltas dento do ônibus.  As gargalhadas, também.
             A primeira parada foi em Piracuruca, terra do Guru das Sete Cidades, pras minas fazerem pipi. Aproveitaram pra comer milho verde. Seguiram viagem chupando os dentes na tentativa de uma limpeza dentifrícia vacuometra.
A segunda parada foi logo ali perto, em Piripiri, onde chuva de argola não cai no chão. É que algumas das chupistas, dental, já se apresentavam com a bexiga baixa e cheia – períneo em alto astral.
            Quando passamos em Campo Maior surgiu o cheiroso sabor da carne de sol e lá paramos. Meninas no WC. Observações fundamentadas, onde urubuservamos que o problema também estava ligado ao lado psicológico, resultado da alegria compulsiva e paradisíaca, voltado às artes de nato e palha de mato, of trançados e rendas. Doença mais que crônica e que só quem sabe do tratamento ideal é a Rosablanca Di Titela, catedrática na arte e Lú Ovelha, phd de prática.
            Por volta da 22:00h chegamos à Cidade Verde, de calor abrasivo. Fomos direto para o Hotel Poty, do seu Zezin, lá na João XXIII. Lá chegando a noticia não foi boa. Outro grupo já havia tomado nossas reservas. Mais uma vez a Marríii Kardume de Florípi nos passava a perna. A confusão foi formada, mas seu Zezin, muito polido e jeitoso, deu seus pulos e conseguiu que o grupo fosse se alojar na Pousada Gurupi. Neste instante este escrivão se desligou do grupão e foi se instalar no apto de seu primogênito.
            Pontualmente às 09:23h iniciou o seminário, marcado para as 08:00h. As artesãs do litó foram se apeidando em suas poltronas pra ouvirem as palestras transadas. Pois num é que antes das 10:00h as meninas já estavam cochilando! Na hora do lanche tornaram-se umas gigantes, mas na volta pro auditório o cochilo voltou a imperar. À tarde foi à mesma coisa. Então o Poderoso Chefão Mundico de Violoncelos, cabra macho cearense, justamente, fez a reclamação. Engoli em seco e tratei de me vingar, dando um puxavão de orelhas na subalterna Mana. À noite fomos pra feira. Mal chegamos e as artesãs já queriam ir pra Pousada Gurupi. Como havia me deparado com um quadro dormioco durante o seminário, resolvi liberar a tropa. Mas de nada adiantou, pois no outro dia, durante o seminário, o sono voltou a imperar e o Poderoso Chefão voltou a me chamar a atenção. Tentando me defender, tentei passar a culpa para os palestrantes, que não conseguiam chamar a atenção das presentes. Ele voltou à carga dizendo: por que só as litorâneas estão dormindo? Fiquei branquim, branquim e num soube responder.
Chegando à Parná tropical, tratei de exercitar meu lado detetivesco. Tanto remexi que achei o nó da questão. Descobri que a Pousada Gurupi é um misto de hotel e motel e que nossas meninas ficaram do lado subalterno and afrodisíaco. A segunda descoberta foi que as assanhadas, acharam o canal pornô, no que foi muito fácil, e passavam a noite saboreando as delícias do Kama Sutra.
No dia seguinte recebi a visita de Dona Maria, rendeira da Ilha Grande. Fui logo tratando do assunto, com muita moral e rispidez. Ela tratou de sorrir e foi logo dizendo:
- seu Xikin, to viúva há 15 anos, nunca mais tinha visto o brutamontes, não podia perder a oportunidade de saborear, mesmo que na lembrança, dos meus velhos tempos. Seu Xikin tinha um negão qui Ôôorrri Piulá.  Se “inchergue” e largue de brigar comigo. 
            O jeito que teve foi cair na gargalhada, ao lado da viúva declarada.
Moral da estória:

“Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação”
 Mário Quintana.
 
Xikin Karwalho
Parnaíba, 11.12.2007

sábado, 16 de julho de 2016

O GLUTÃO E A LOIRA
XIKIN CARWALHO (escritor parnaibano)
 
                Um belo olhar aprofunda outro belo olhar e ao seu encontro persegue a razão da existência da paixão. Ele um belo varão, ela uma loira deslumbrante, de cabelos esvoaçantes. Ele cheio de tesão, Ela cheia da razão para aceitar a complementação fatídica, porém laboriosa. Ele doido pra esfregar seu inicial prostático, Ela sedenta por um exame, embora superficial, de suas partes impinantes. E que partes. Tudo inrriba, tudo virgem, leve e solto. Ele tímido, mas empurrado pelo desejo carnal, Ela expansiva, mas segura pela regra de que não podia facilitar tanto e nem tão pouco, pois desde cedo aprendeu com sua Santa Mãe que o malvado endurecido não tem ombro. Ele 15 anos, idade onde desponta os craques no descascamento da banana coruda, ela 13 aninhos, idade onde já deixa a boneca de lado e passa a atentar os Filhos da Mãe.
                O primeiro encontro foi marcante e arrepiante. Aconteceu na casa de uma vizinha, onde ocorria um aniversário. Os papos iniciais e de aproximação foram infantis and pró-juvenis. Até pareciam que estavam embriagados. E estavam mesmo, afinal bebiam doses de Eros Afrodite, sem gelo.  Conversaram muitas futilidades. Mas as nuvens não passaram em branco. Aconteceu um toque de dedos, quando quase ocorre um choque neuvragico. Ele ficou extasiado, ela revirou os Óios e apaixonada ficou.
"Ambos os dois" não conseguiram dormir naquela noite. Deitados, cada qual em sua cama e em suas casas olhavam, para a lâmpada propositadamente deixada acesa, e viam a lua, e a esta lua imaginada realizavam juras de amor eterno. Ele se pegava com Santa Joana, Ela se pegava com São Fernando. Rezas e promessas foram feitas.
                Os dias foram passando e o namoro esquentando. De mão na mão já no segundo dia, foram passando pra mão naquilo e adentraram nas descobertas naturais que fluem do encontro de dois belos corpos calientes. Ele um jovem falante e desembaraçado, que declamava versos com desenvoltura, em alto e bom tom, Ela adorava sua falação, tanto que estava sempre de olho na lapa de língua do seu amado. No qui era qui Ela matutava quando pra língua dele olhava? Num se sabe nem se tem conhecimento, pois este segredo Ela guardou pra si. Ela era calada mas atuante, procurava participar de todos os atos laborais and from nuviais, com desenvoltura e sofreguidão. Quando estava labutando seus neurônios transpiravam progesterona, suas idéias ficavam atordoadas ao mesmo tempo em que proporcionava aberturas fron of frontais and ocipitais. Ele com seu olfato apurado e ao sentir o aroma da transpiração de sua primeira love,  endoidava, chegando a ponto de não mais poder usar camisa pra dentro das calças.
O “in Love” estava pego. Tudo era lindo e maravilhoso. Até que certo dia foram uruburservar a lua lá na Pedra do Sal, praia afrodisíaca e pecaminosa. Pegaram uma carona no caminhão do Deputado. Sabidos que só, resolveram ficar dentro da boleia.  Lua lá, apalpações cá. Claridade lá, escuridão cá. Ventava lá, cá pingava suor de dois corpos em brasa. Até parecia que queriam descobrir o fogo através do esfregão dos seus corpos. Tudo estava a mil maravilhas, até que Ele resolveu declamar um verso de amor, analtecendo a lua e as estrelas. Ela, atordoada das idéias, aproveitou aquele lingão dando sopa e sartô um beijão em  sua boca. Grudou com toda força e deu um puxão endoidecido and endiabrado. Ele revirou os olhos que lacrimejavam de dor. A dor foi tamanha que o antes tesudo, foi baixando e baixou. Ela se apercebendo do ato tresloucado, perguntou:
-          Que tens Amoooorrr?
Ele, sofrido e desterrado, respondeu:
-          Quiquiqui tu tens? Estas popopoposuída do dededemônio?
-          Eu só queria provar de seu avantajado instrumento chupador.
-          Tá papaparecendo quiquiqui tu tátátá é doida, tarrrr-rada.
Ela perplexa com o atual estado do antes extasiado amado, perguntou:
-          Você tá gaguejando?
-          Numnumnum sei, sósósó sei qui to momentaneamente broxa.
A lua ficou encoberta por nuvens turvas e o casal foi obrigado a voltar para casa, tristes e encabulados. No outro dia Ele foi para o médico. Lá chegando contou sua aventura lunática. O entendido foi logo dizendo:
-          A tua glote foi estrupada.
-          Eeee agora dotô? Numnumnum tem remédio?
-          Não tem mais jeito.  Você vai ficar gago pra sempre.
O pior de tudo é que o “in love” teve seu fim e Ele ainda hoje está marcado pelo canibalismo de sua sonhada loira esfuziante e Ela ainda hoje está à procura de um dançarino de Lambadão, e que seja  Eterno.
Moral da estória: “nunca se deve ir com muita sede ao pote, pois o mesmo pode ser de barro”.
 Parnaíba, 01 de Outubro de 2001.
Xikin Karwalho
 

sábado, 9 de julho de 2016

ESTÓRIAS DO XIKOUSE


GALO VÉIO AMERICANO

XIKIN  KARWALHO ( escritor parnaibano)

 

            Muito feliz Bentomatos parte para a terra de Tio Sam, mais parecendo um cabôquim de primeira viagem. Seu companheiro de aventura era o dicionário de português-inglês.

            Após 10 dias na terra dos outros, só comendo batatas-fritas e hambúrguer de soja, nosso colega resolveu mudar o cardápio e, com coragem e determinação, foi a um restaurante. Lá chegando o cow-boy piauizeiro fez de tudo para explicar ao garçom que queria morder um filé, ou uma picanha, ou até um bife. Esforçou-se ao máximo. Falou, fez gestos, mungangos e nada do garçom entender o seu pedido. Cansado e já quase desistindo, teve uma grande idéia: vou pedir um frango assado. Começou falando um portinglês nom entendível. Já puto da vida, se acocorou, encolheu os braços e os sacolejando para cima e para baixo, cantou: - corococococococó, corocococococococó!!!!

            O garçom entendeu e o desbravador holiudiano foi prontamente atendido, com um ovo frito.


            Moral da estória: quem tem asas vai a Roma.

 

 

 

 

                                                           Parnaíba,  novembro de 1987.

 

 

Xikin Karwalho

sábado, 2 de julho de 2016


ESTÓRIAS DE XIKOUSE

XIKIN CARWALHO (escritor parnaibano)
 LIVRAI-ME    DO   MALAMÉM

 
 

                Outro dia de anos atrás (favor não confundir), época de Natal, resolvi que deveria purificar minha sofrida, chafurdada e penosa alma desvirginada. Livrar-me do mal, amém. Fui então à procura da salvação.

                Peguei meu carango e saindo do trabalho segui para a Igreja dos Redentoristas, onde às 18h00minh aconteceria uma “confissão comunitária”. Evento oportuno para quem, como eu, não tem coragem de contar travessuras sociais psicodramáticas para um Padre.

                Chegando ao local do lav’alma, respirei fundo, tomei goles etílicos de coragem, agarrei minh’alma penada, pra ela não querer escapar, e adentrei ao recinto religioso. Cantos e mais cantos eram entoados, numa preparação espiritual de salvação. Então, envergonhado qu’eu estava, dirigi-me para o canto direito do fundo da Igreja, e, recolhi-me à minha devota insignificância pecatorial, longe de todos.    De tanto ouvir cantos e como no canto estava, fui cantando as toadas religiosas da salvação, ensaboando assim a minha alma.

                O Ministro da Celebração toma posto no altar e inicia a confissão. E tome reza. De repente, não mais que de repente, surge uma catinga azeda de “pecado mortal”. O terrível odor advinha da minha esquerda, trazida pela refrescante brisa litorânea. Virei meu pescoço, apulumei meus oruburservantes, direcionei meu instrumento cheirador e pude observar que minha colega Rios Magalhães acabara de adentrar ao recinto. Quase que não a reconhecia, pois a pecadora portava chapéu, a fim de se esconder das más línguas. Nossa Loura Azeda chamava a atenção de todos, pois catingava o ambiente da salvação. Olhei bem e vi que Ela estava GORDA de PECADO. Era uma mistura pecatorial afrodisíaca de mortal com venial.

                Minh’alma desvirginada pelos preconceitos sociais sorria e alegre ficava, pois sabia que a alma de nossa colega era peso pesado. Pra lavar só com muita água sanitária, esponja de aço e sete pingos de soda causticam.

                Saindo da Igreja percebi que estava bem mais leve.  Resultado de haver liberado pecados pesados. Livrei-me do “malamém”. Do “MALAMÉM”?

                Naquele tempo, na escolinha, a professora perguntou para as crianças:

- do que Vocês têm mais medo?

Mariazinha respondeu:

- do Bicho Papão

Zezinho respondeu:

- do Lobo Mau.

                A mestra então disse: -  não tenham medo, pois ambos são personagens de ficção.

Joãozinho que havia ficado calado disse:

- tenho medo do “malamém”.

A professora pensou, rebuscou seus conhecimentos e como nada detectou, perguntou:

- que bicho é este?

Joãozinho respondeu:

- saber  não sei, mas Mamãe toda vez que reza o Pai Nosso, no final diz: “mas livrai-nos do malamém”.

                Pois é, e nossa Loura Azeda não conseguiu se livrar do malamém, pois saiu da Igreja corcunda de tanto peso pecatorial. E sabem por quê? É que não teve coragem de contar tudo pro confessor.

                É Louraça, o jeito que tem é Você visitar um Pai de Santo, da macumba de Ôxumpar.

 

Moral da estória: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”.

 

 

Parnaíba, 15.07.2007

 

Xikin Karwalho