segunda-feira, 17 de junho de 2019

NA ROTA DO ISOLAMENTO


Manuel Domingos Neto ( * )


Dizendo que quer o povo armado para resistir a eventual tentativa de golpe de Estado, o Presidente vai se isolando das corporações militares.

O isolamento começou quando Bolsonaro não defendeu a farda achincalhada por seu Guru. 

Militares não esquecem essas coisas e costumam saber aguardar a hora do troco.

Bolsonaro mexeu com ícones, entre eles o único general experimentado em guerra. Santos Cruz usou capacete azul, da paz. Mas, de fato o teatro no Congo era de guerra. Onde já se viu menosprezar guerreiro que retorna vitorioso?

O preço pago para demitir o militar renomado foi alto.  Bolsonaro tirou um fiel escudeiro, o general Ramos, do comando da tropa sediada em São Paulo! 

Inacreditável! Imagino o risinho discreto do comandante do Exército, general Pujol. Poderá indicar alguém de sua confiança para um cargo da maior relevância para o destino do Brasil no curto prazo.

Pujol anda calado. Não usa mídia social. É homem com trajeto na Inteligência. Nada indica ser um primário. Sabe muita coisa. Sabe sobretudo que ocupa o posto militar mais importante da República.

Os militares são reacionários e ressentidos com a esquerda.

Liberada do cárcere e retornada do exílio, a turma impertinente quis tirar de baixo do tapete o terrorismo de Estado praticado para manter o regime implantado em 1964. Ingratos!

A esquerda errou feio ampliando a autonomia de corporações que se veem como o primeiro e o último bastião da pátria. Esta autonomia corporativa absoluta  nutre o golpismo castrense desde a Guerra do Paraguai. 

Os comandantes da atualidade tinham que optar diante do confronto sino-americano. Não poderiam desagradar seu principal fornecedor de armas e apetrechos, o Império do Norte.

Abraçaram o neoconservadorismo sem rebuços. Quem vende armas também catequisa. Foram décadas de catequese nas escolas estadunidenses. E de triagem ideológica nas escolas militares brasileiras, em prejuízo da visão estratégica. Pensamento único é burrice.

Assim, olhando bem, não é tão admirável a forma como os militares suportam o "entrega tudo" de Guedes e sua impiedade contra  os mais pobres.

Obviamente, desde que resguardados e melhorados os seus soldos!

Viram em Bolsonaro a única alternativa para impedir o retorno de Lula ao Planalto e, consequentemente, interromper a veleidade da política externa ativa e altiva encarnada pelo ex-operário e por Celso Amorim. 

Essa política, insuportável aos seus fornecedores, poderia até levar ao colapso operacional. Em negócios militares, a troca de equipamentos sofisticados não se dá do dia para a noite.

Bolsonaro representava também uma oportunidade de complementar a renda e garantir ocupação para o contingente de jovens reservistas à toa na vida. Homens preparados e vigorosos, precisando ajudar os filhos, renovar o carro, quem sabe trocar de apartamento...

Avalizaram em uníssono Bolsonaro.

Hoje,  estão divididos, como era de se esperar: a ribalta política é para contendores. Aí, a disciplina e a hierarquia castrenses não funcionam. Vaidades e vanglórias, compadrios e desafeições explodem sem a contenção dos códigos disciplinares.

Contudo, militares não perdem o senso corporativo acerca do monopólio do poder.

Esse negócio de armar o povo para a luta política não combina com o que aprenderam em suas escolas.

Sabem também que a força bruta precisa de revestimentos que a legitimem. A aparência é fundamental para o militar. Nunca descuidam  do traje.

Quando o Presidente tenta arregimentar as massas contra o Parlamento e o Judiciário, delira. Quer proteger-se no momento em que o jogo aperta. Quer sair das cordas, buscar a ofensiva.

Nem desconfia que os fardados podem não endossar a astúcia chinfrim. Afinal, sobrará para o quartel o preço da catástrofe anunciada.

Ou endossariam?

Há sempre coisas estranhas no ar neste tempo de guerra híbrida.

Bolsonaro nunca escondeu seu desejo de ver o país mergulhado numa guerra civil que exterminasse os "comunistas". Um percentual da sociedade o apoia.

Haverá entre os comandantes quem tope a parada?

Prefiro pensar que não
(*) Professor Manoel Domingos Neto é membro da Academia Parnaibana de Letras, professor universitário, doutor em História, cientista político, tem várias obras publicadas entre as quais O Militar e a Civilização (2006)

domingo, 16 de junho de 2019

A NEGRA QUE ABANOU OS QUEIXOS DO SIMPILIÇÃO

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 Por Pádua Marques(*) 

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Negra Gonçala procurou relho pros couros e palmatória pras solas das mãos. Naquele domingo da entrada de junho achou de trazer pra o largo da matriz uma penca de filhos e netos, pronta que estava pra batizar um deles. Achou que, sendo antiga criada da casa de Domingos Dias da Silva, alforriada e tendo passado parte de sua vida com a barriga encostada no fogão daquela casa, tinha direito a ser tratada, ela e os seus, como gente do palácio.
Eram mais de quinze negros entre homens mulheres e crianças, todos vestidos com suas melhores roupas de domingo e que desceram do Testa Branca pra assistirem missa e batizarem o menino. Negros que davam uma guerra. A missa daquele domingo foi a de costume. O velho Domingos, a mulher e os filhos e alguns poucos convidados. Nada de cativos e agregados dentro da igreja. Se quisessem, que assistissem do lado de fora!
Mas a negra Gonçala estava na moita e esperando uma brecha pra convencer o padre a batizar o neto. Seria motivo de orgulho mostrar a afeição que os donos lhe deviam pelos serviços prestados na cozinha. Conhecia a família Dias da Silva como a palma da mão grossa de retirar panela de ferro de cima das trempes. Conhecia o velho Domingos, a mulher e os dois filhos, Simplício e Raimundo. Trocou cueiros, deu banho e passou talco neles. Achava que tinha direito a ser igual a eles.
O padre estava já guardando os paramentos, cálices e se preparando pra deixar o altar quando negra Gonçala chegou perto e disse que havia saído do Testa Branca  de madrugada com a família pra, se merecesse e fosse do agrado dele, batizar o neto, que dentro de mais alguns anos iria servir de escravo aos seus donos. Domingos Dias da Silva ainda cochilava quando ouviu aquela proposta mais fora de hora. Acordou feito um cão saindo da fornalha.
Não se enxergava não? Onde já se viu negro dentro da igreja?! Que diabo é que quer negro dentro de igreja? E mais ainda batizar filho ou neto! Quem desobedeceu sua ordem pra permitir uma ousadia daquelas? Os convidados vendo aquele destempero do dono da freguesia da Parnaíba foram tratando de escapulir pelas portas dos lados, ali pros lados da Câmara Municipal. Negra Gonçala estava com as petecas dos olhos quase saltando em cima do velho português e de seus filhos.
Disse que nunca passou pela sua cabeça desrespeitar ordens, mas achava merecimento seu batizar o neto naquela igreja. Domingos estava furioso. Disse pra quem quisesse ouvir que naquela igreja negro não haveria nem de passar na porta, que não se enxergavam e que olhando bem, não eram e nunca foram gente. A coisa foi esquentando e negra Gonçala aguentando toda aquela descompostura. Começou a jogar praga e a espumar pelos cantos da boca.
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Simplício, o filho querido de Domingos Dias da Silva, achou de botar mais lenha na fogueira. Disse que aquele lugar não era pra espetáculos daquela natureza e que Gonçala e os seus se retirassem senão o bolo de palmatória e o relho iriam cantar. Nem haveria de respeitar o domingo e quanto mais o padre. A velha escrava saiu xingando os donos enquanto os filhos, noras e netos se distanciavam. Simplício não se conformando com o que disse veio pra o largo da matriz e desacatou um dos negros. Chamou de filho dessa e daquela. Um deles correu a mão na faca que trazia na cintura e mandou que corresse dentro. Foi um rebuliço dos diabos na frente da igreja. Teve gente correndo e espalhada até pelo Armazém Paraíba e o Bar do Farias.
Raimundo, metido a valente, correu na cerca do cemitério do burro e arrancou uma estaca. Alguém disse que iria chamar o juiz porque a coisa estava ficando sem controle e poderia ocorrer até morte. Negra Gonçala estava agora sentada e se abanando embaixo de um pé de manga ao lado da matriz. O SAMU já estava de prontidão e tudo. A família, que se preparou toda pra o batizado descendo do Testa Branca naquela manhã de domingo, agora estava mais distante e mais acalmada porque chegou a Guarda Patrimonial.
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De repente Simplício saiu de dentro de casa e veio negociar. Negociar porque Gonçala prometeu que só arredava o pé da frente da igreja se o padre batizasse o menino. O futuro dono da casa grande vendo que não tinha saída pedia penico. Foi chegando e chegando até que ficou frente a frente com negra Gonçala. Chegou e mandou que se levantasse. Que conversa era aquela de querer batizar negro dentro da igreja? Quem foi que inventou aquela história?
Gonçala deixou Simplício Dias da Silva falar suas verdades. Ele disse que negros não eram gente, que se colocassem nos seus lugares. Voltassem pro Testa Banca porque era capaz de mandar queimar as suas casas e aí nem o mel, nem a cabaça e nem o batizado. Gonçala perdeu a paciência que havia guardado. Chegou bem perto de Simplício Dias da Silva, abanou os queixos dele e disse que ele não era nem besta. Ela sabia de tudo e mais um pouco de tudo da família.
Quem prestava e quem não prestava. Era sair e espalhar no Bar Carnaúba, no largo dos pipoqueiros, fila da Caixa, Banco do Brasil, Secretaria de Fazenda e na frente da Banca do Louro. Queria ver ele e a família dele proibirem batizar seu neto na matriz de Nossa Senhora da Graça! Mas se não era possível, tudo bem. Iria levantar dinheiro pra construir a igreja do Rosário. Foi o que fez.
(*) Pádua Marques, ocupa a cadeira 24 da Academia Parnaibana de Letras. É jornalista, contista e romancista.

sábado, 15 de junho de 2019



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Neste sábado  ( 15)  a Fundação Raul Bacellar realiza mais uma etapa do  Projeto Coração Solidário que acontecerá  na sede da Fundação à Rua Vera Cruz nº 744, no Bairro São José,  a partir das 08 horas da manhã de hoje e se estenderá até às 16 horas.  
Já na sua sétima edição o Coração Solidário oferece  vários atendimentos na área da saúde e de beleza tais como:  exames médicos, vacinações, orientações básicas de higiene sanitária,  maquiagem – manicure – corte de cabelo (masculino e feminino). 
A expectativa do   presidente da Fundação, dr. Renato Bacellar, é que um grande público compareça ao evento a fim de poder usufruir desses benefícios.
O evento  recebe o apoio e parceria  de outras entidades como pode ser observado no banner abaixo:


quinta-feira, 13 de junho de 2019

O CABOTINO


O  CABOTINO

Alcenor Candeira Filho ( * ) 

     No Dicionário Aurélio Século XXI, este verbete:

                        “Cabotino  [Do fr. cabotin ]. S. m. 1. Cômico ambu-
                        lante. 2. Mau comediante. 3. Fig.  Indivíduo presu-
                        mido,  de maneiras afetadas, que procura chamar a
                        atenção, ostentando qualidades reais ou fictícias.”

      Como ensina o dicionário, o termo cabotino se aplica tanto ao medíocre quanto ao talentoso, caindo bem na carapuça do “general da banda iê iê” e na do “pavão misterioso, pássaro formoso”. Ambos podem até ter  tutano mas não coturno para entender que “maior é a girafa porque tem o pescoço grande”.

     O cabotino padece do pesadelo da falta do reconhecimento geral com que sonha na insânia da insônia. Seu ego é maior que o ego do cego que enxerga além da luz do fim do túnel. É o mitificador ou mistificador capaz de exaltar algumas pessoas com altissonantes brados hiperbólicos e de ignorar outras com a imperial mudez da indiferença. É  um solitário solidário só na reciprocidade: eu te elogio, tu me elogias e nós nos elogiamos.

     Essa categoria está sempre (re)unida e se compraz em apelidar ou xingar  de “gênio” quem é do mesmo time. Entre críticos maldosos fala-se até em rusgas entre “baixo clero” e “alto clero”. O certo é que de clero em clero, de lero em lero e de bolero em bolero o cabotino vai atapetando os marmóreos degraus que poderão conduzi-lo ao topo da montanha.

     Na sua firme e permanente vontade de aparecer, esse príncipe do exibicionismo balofo está presente em todos os palcos, ora como rei, ora como servo. Em qualquer situação, não passa daquele “bicão” a que me referi em entrevista concedida aos escritores Elmar Carvalho e Domingos Bezerra, publicada na revista “Cadernos de Teresina”:

                           “ -  O que você tem a dizer sobre os bicões literá-
                           rios?
                             -  Acho que são muitos e às suas altissonantes
                           trombetadas só os incautos batem continência.
                           Felizmente.”

     A preocupação com os bicões esteve presente nas seis edições do Salão do Livro de Parnaíba – SALIPA, com primeira edição em 2009 e última em 2015. Homenageados em cada ano:

     - Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva
     - Humberto de Campos Veras
     - Renato Pires Castelo Branco
     - Evandro Lins e Silva
     - Francisco de Assis Almeida Brasil
     - Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castelo Branco
   
     Os organizadores do evento primavam pelo rigor na escolha dos palestrantes. Se a peneira não era infalível pelo menos tinha poucos buracos. O rigor seletivo era ainda maior na escolha do homenageado em cada ano.

     Para evitar a pressão de indivíduos interessados apenas na promoção pessoal ou familiar, adotou-se inicialmente um critério suscetível de neutralizar nefastas contaminações: o homenageado seria sempre pessoa falecida, preferencialmente parnaibana, com livro de reconhecido valor artístico, científico ou filosófico. Essa regra só foi quebrada em 2014, quando com inteira justiça se homenageou um dos maiores escritores vivos do país: Assis Brasil.

     O reconhecimento do próprio valor e do de terceiros é inerente ao ser humano e faz muito bem à alma de todos.

     O problema surge  a partir da obsessão da própria estátua, quando a pessoa perde o senso do ridículo, a ponto de não enxergar que “a estátua é sempre maior que o original”, como ensina Virgínia Woolf.

     Essa obsessão é analisada e ridicularizada na literatura universal. Um só exemplo, extraído do primeiro capítulo do romance “O Ateneu”, de Raul Pompéia, ao retratar o dr. Aristarco, diretor de famosa escola, que “enchia o Império com o seu renome de pedagogo”:

                   “Nas ocasiões de aparato é que se podia
                   tomar o pulso ao homem. Não só as condeco-
                   rações gritavam-lhe do peito como uma couraça
                   de grilos: Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um
                   anúncio. Os gestos, calmos, soberanos, eram de
                   um rei  -  o autocrata excelso dos silabários. (...)
                   Em suma, um personagem que ao primeiro exa-
                   me, produzia-nos a impressão  de um enfermo,
                   desta enfermidade atroz e estranha: a obsessão
                   da própria estátua.”

     Finalmente, é bom desconfiar também do cabotino às avessas, do espertalhão travestido de modesto, que à elegância do paletó e gravata prefere a simplicidade de sandálias e vestes surradas. Parafraseando Eça de Queirós, qualquer que seja “o manto diáfano da fantasia”  usado para esconder “a nudez  forte da verdade”  -  o que todos querem mesmo na fogueira das vaidades  é ouvir o eco oco do elogio retumbante ecoando além do pipocar de foguetes e palmas.
Alcenor Candeira Filho ( * ) Professor,  escritor, poeta e cronista. Membro da Academia Parnaibana de Letras e da Academia Piauiense de Letras. 
O texto acima foi publicado no Blog do Poeta Elmar Carvalho em 10/06/2019.


quarta-feira, 12 de junho de 2019

SHORT STORIES

- afogado, enforcado e de cabeça para baixo! - 

Os festejos juninos, Santo Antonio, São João e São Pedro é uma das festas mais alegres e comemorada em todo o Nordeste. No Maranhão, por exemplo, as cidades de todas as regiões do Estado transformam-se em junho numa alegria única. Na capital, São Luis, nem se fala noutra coisa, e pra completar, ainda criaram o Dia de São Marçal,  dia 30, último dia do mês, que é quando se  encerram as festas, na avenida que recebeu o nome do Santo, no Bairro do João Paulo. São Marçal  apesar   não ser um Santo reconhecido pela Igreja,  é venerado pelos brincantes de bumba-meu-boi. E neste dia, sob o som das matracas, orquestras  e pandeirões,   os grupos de bumba meu boi do Maranhão promovem o encerramento oficial dos festejos, marcado pelo grande Encontro dos Batalhões de Bumba Meu Boi que  começa às seis da manhã estendendo-se até a madrugada de 1º de julho. A festa reúne milhares de pessoas todos os anos. 
Boizinho "Precioso" - Tutóia- Maranhão

Mas, o Bumba Meu Boi no Maranhão não termina em 30 de junho. Prossegue o ano todo em todo o Estado. Mas não é sobre São João dos Carneirinhos, São Pedro, o protetor dos pescadores ou sobre São Marçal, o padroeiro dos brincantes do bumba meu boi que pretendo agora escrever. Quero falar sobre Santo Antonio, o chamado "santo casamenteiro" e narrar   um causo que aconteceu comigo e mais outro amigo de Tutóia, no tempo de nossa adolescência. Sobre Santo Antonio, muitas são as simpatias que, não apenas as que já estão no "caritó" ou seja, as solteironas fazem, mas também as novinhas desejosas de casar. Poi bem, vamos ao caso: 
Nessa época, década de 1960, muitas famílias em Tutóia ainda não se davam ao luxo de ter uma geladeira em em suas residência.  A água para o consumo era armazenada em filtros de barro da marca Fiel ou São João ou então armazenada em potes também de barro. E diga-se de passagem, era friinha e deliciosa  chegava até fazer inveja a certos refrigeradores de hoje. 


Eu e meu primo, paquerávamos duas irmãs que moravam na barra, já na beirinha da praia, na rua dr. Paulo Ramos, à época sem qualquer pavimentação. Em suma, as dunas tomavam conta da rua. Essas moças, hoje são casadas e não residem mais em Tutóia.
Sempre aos eu e meu primo as visitávamos na parte da tarde. Depois de uma caminhada de mais ou menos dois quilômetros, chegávamos, ao nosso destino esbaforidos, suados e com muita sede. A primeira coisa que fazíamos era saciar a sede. Como eu já tinha bastante intimidade na casa, eu mesmo enchia os copos d'água,  bebia e trazia para o meu primo. Aconteceu que nesse domingo o filtro estava vazio, não saiu água da torneira. Então, peguei o púcaro, um pequeno recipiente de alumínio com um cabo comprido para se retirar água dos potes  e que muitos chamam "cuco" ou "côko",  e quando o introduzi ao pote notei que batera em algo rijo que provocou um certo barulhinho. Aquilo aguçou minha curiosidade. Então metia mão dentro e pote e sabem o que encontrei? Imaginem: uma   pequena imagem de Santo Antônio de cabeça para baixo, dentro de um copo e  com um cordão dado um nó no pescoço, como se tivesse sido enforcado.

Chamei meu primo, fomos embora, e as meninas ficaram sem falar conosco por um bom tempo.
Pobre Santo Antonio! Afogado, enforcado e de cabeça para baixo!

segunda-feira, 10 de junho de 2019

APAL LANÇA EDITAL PARA PREENCHIMENTO DE CADEIRA VAGA

Foi assinado hoje pelo Presidente e  pelo Secretário Geral da Academia Parnaibana de Letras  o Edital para preenchimento da Cadeira 27 que se encontra vaga desde o falecimento da acadêmica Maria Luisa  Mota de Menezes.
O período para o requerimento de inscrição dos interessados é de 60 (sessenta) dias a partir desta data.  O Edital será divulgado na mídia parnaibana e publicado nos jornais impressos da cidade.
É pretensão da atual diretoria da APAL colocar no segundo semestre, logo após o preenchimento desta cadeira, novo edital para preenchimento da cadeira de nº 23 que foi ocupada pelo médico cardiologista Dr. Carlos Araken Correia Rodrigues.

FERNANDO FERRAZ LANÇA LIVRO NO SALIPI

O parnaibano e acadêmico Fernando Basto Ferraz lançou em Teresina no último sábado 08/06 a sua mais recente obra poética denominada de  (A) Talhos da Vida.
O lançamento aconteceu durante a realização do Salão do Livro do Piauí - SALIP,  na sala do "Bate Papo Literário" e contou com a presença de um grande público, inclusive de membros da Academia Parnaibana de Letras - APAL, instituição literária da qual Fernando Ferraz é membro. Dentre os membros da APAL que prestigiaram o evento citamos os poetas e escritores Elmar Carvalho e Altevir Esteves que residem em Teresina.

 O livro (A)Talhos também será lançado em Parnaíba com o apoio da Academia Parnaibana de Letras - APAL. A previsão do lançamento será para Em o dia 13/7 (sábado) no Centro Cultural Ministro Reis Velloso - SESC Caixeiral.

domingo, 9 de junho de 2019

SEMANA DA IMPRENSA 2019

Com o objetivo de elaborar a 57ª  ( Quinquagésima Sétima) Semana da Imprensa em Parnaíba,  que acontece anualmente  no mês de Setembro, membros da diretoria da ASCOMPAR - Associação dos Comunicadores de Parnaíba estiveram reunidos na tarde deste sábado 08/06, no pátio da Fundação Raul Furtado Bacellar,  tendo como anfitrião o Jornalista Renato Bacellar presidente da Fundação  e membro da Assessoria Jurídica da ASCOMPAR.
Este ano a Semana da Imprensa de Parnaíba terá início no dia 09/09 (segunda-feira)  com a Santa Missa,  e se estenderá  até o dia 14 ou 15 (domingo).
Dentre os assuntos tratados, a escolha para a Rainha da Imprensa 2019 que será discutido na próxima reunião, o  retorno do passeio à cidade maranhense de Tutóia, ocasião em que  será prestada uma homenagem in memoriam,  ao jornalista Rubem Freitas, natural daquela cidade. 
Como se sabe,  Rubem Freitas foi o idealizador e  criador da Semana da Imprensa de Parnaíba, como também, por sugestão do ex-prefeito Lauro Correia fundou a Associação dos Comunicadores de Parnaíba - ASCOMPAR que tem como objetivo principal congregar festivamente todos aqueles que atuam na mídia parnaibana tais como, rádio, jornal, televisão,  fotografia, blogs e também jornaleiros. 
Presentes à reunião os seguintes diretores conforme a ordem da foto abaixo:

TIAGO MENDES (2º Secretário)
JOSÉ  BERNARDO PEREIRA DA SILVA (Presidente ASCOMPAR)
 CAMILA NETO (1ª  secretária e Rainha da Imprensa 2018)
LUCILENE AMARO ( 2ª Tesoureira)
 RENATO BACELLAR (Assessor Jurídico)
GLÁUCIO RESENDE (Orador)
ANTÔNIO GALLAS PIMENTEL(2º vice-presidente )
JOSÉ LUÍS DE CARVALHO (Vice-presidente) e 
GABRIELA ALVES (Cerimonialista e candidata a Rainha da Imprensa 2019)
Como convidado especial o professor Rarisson Albuquerque acompanhando a radialista Gabriela Alves.
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Texto de Antonio Gallas

sábado, 8 de junho de 2019

A CAVEIRA DO BURRO


Por Pádua Marques(*)

O velho Domingos Dias da Silva vivia batendo cabeça, tentando de tudo em quanto pra se aposentar pelo INSS. Tinha umas cabecinhas de gado, pé duro, não restava dúvida, mas que lhe davam uns poucos litros de leite todo santo dia. Pra ele e os dois filhos, Simplício e Raimundo. Este último sempre foi o mais rebelde, metido a valentão, rabo de burro. Do cais do porto até a Nova Parnaíba tudo era território dele. Como se dizia na época, ali Raimundo casava e batizava.
Raimundo passava o dia inteiro em cima de um burro velho cotó. Era o mesmo que o pai usava pra mandar os criados, os cativos, trazerem água do Igaraçu pra encher os potes da cozinha e as tinas de banho. Menino ainda, ia até a cozinha atrás de comer farinha com açúcar. Era sair da cozinha com a boca cheia e ir intimar com as duas filhas da criada, duas negrinhas já no tope, furando os bicos dos peitos.
A vida que queria quando foi ficando rapazinho era descer o barranco na direção do porto, lá embaixo, na boquinha da noite, tudo turvo, escuro de meter o dedo no olho, escondido da mãe Claudina Josefa, que nesta esta hora estava descaroçando um terço e pedindo a Deus que desse juízo pros filhos. Ia atrás de raparigas. Índias, vindas do outro lado do rio e pelo que se sabia, ainda parentes de longe de um tal Mandu Ladino, que dominou desde a Tutoia e Araioses.
O velho Domingos vivia coçando a cabeça de tanta preocupação porque numa daquelas o filho, vai que se engraça de alguma, acaba trazendo pra dentro de casa? Depois era preparar os couros e contratar advogado pra não pagar pensão alimentícia. Raimundo vivia metido em confusão e de vez em quando chegava em casa apanhado. Lá se danava seu Domingos a correr pra delegacia atrás de algum jeito pra tirar o menino da cadeia e evitar até que fosse pra o Complexo do Menor, onde havia muito rapazinho do Broderville, São Vicente de Paula, João XXIII e do Mendonça Clark.
Com essas e outras o velho português acabou perdendo muita cabeça de gado e até teve de vender terras pra pagar indenizações. Mas a vida de Domingos e de dona Claudina tinha uma satisfação neste rosário de lagrimas, o filho Simplício. Era na família o filho mais bom da cabeça. Tá certo que lá mais na frente gastou fortuna, o que tinha e o que não tinha com luxo desnecessário. Somente pra fazer inveja nos vizinhos. Tinha até uma banda de música, de rock, sabe-se lá o que, formada por uns negros e índios. Coisa sem futuro.
A ideia de Simplício era competir com as bandas inglesas e norte americanas garantindo espaço no mercado de show business. Meteu o pau em tudo. As vaquinhas que davam leite e carne de charque, algumas léguas de terras pras bandas do Cocal e da Testa Branca, o PIS, o FGTS. Tudo pra se meter em política. Perdeu tudo. Morreu pobre e ainda com fama de medroso que fugiu pras bandas de Granja no Ceará, quando o velho  Fidié, já se arrastando com a língua de fora, deu de cara ali na Guarita, invadiu a Parnaíba e levou o que pode e o que deu pra levar.
Raimundo, quando o burro velho cotó morreu, tratou de pedir ao velho Domingos Dias da Silva que fizesse o enterro com homenagens e uma sepultura com tampa de mármore e tudo o mais . Insistiu, mas insistiu tanto que o pai, já ficando caduco, mouco e perdendo a autoridade dentro e fora de casa, mandou cavar um buraco ao lado da igreja e na frente de casa, pra enterrar o diabo do burro. Não era na frente da igreja, era à esquerda, onde hoje está enterrado também o finado Cine Delta.
Foram chamados, o juiz, os vereadores, chefes de repartições públicas, as escolas, a banda de música e a criadagem ignorante. Todo mundo foi convidado pra ver o enterro do burro. Houve discursos, badalar de sinos, coroa de flores, colocação de fitas, choros e ranger de dentes. A Parnaíba parou pra ver ou acompanhar o enterro desse burro, que saiu lá do Campo das Mercedes e atravessou a cidade inteira. Igual, somente entronização de Papa no Vaticano.
Anos depois começou a decadência e a dor de cabeça sem fim dos Dias da Silva. Chamaram umas ciganas, que ficam ali perto da Banca do Louro, pra dizerem o que estava acontecendo e o que ainda iria acontecer. Como é que de uma hora pra outra o leite azedou e foi tudo por água abaixo? A fortuna, o brilho, a influência da família estava acabando e por quê?
Foi motivo de muita discussão e pedidos de instalação de audiência pública no senado da Câmara e tudo mais. E nessas idas e vindas, discursos e discussões sem utilidade e finalidade, procissões, rezas de terços, quermesses e leilões, as ciganas disseram a uma só voz que o segredo daquela decadência da Parnaíba estava enterrado em frente da casa de Simplício Dias da Silva e era uma caveira do burro! Daí que tudo que se tentou construir ou instalar naquele quarteirão, até hoje nunca foi pra frente.

Pádua Marques (*) Membro  da Academia Parnaibana de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba, colaborador do Opiagui

terça-feira, 4 de junho de 2019

POETA PARNAIBANO TOMA POSSE NA ACADEMIA BRASILEIRA DE DIREITO




O poeta parnaibano Diego Mendes Sousa tomou posse solene como membro da Academia Brasileira de Direito na Cadeira nº 07 que tem como patrono o ministro Geraldo Fonteles,falecido em 1973. 
A solenidade aconteceu no Hotel Sonata em Fortaleza - CE  no dia 31 de maio de 2019 com a presença de autoridades, representantes  de Institutos de advogados de vários estados, inclusive do Piauí na pessoa de Alvaro Fernando da Mota Rocha.
Diego Mendes começou fazer poesias quando ainda era adolescente e tornou-se um poeta conhecido não apenas no Brasil, mas também na Europa, em Portugal onde já esteve participando de eventos culturais. Procurou fazer amizade com grandes nomes da literatura brasileira e portuguesa. 
Nesta solenidade, que também marcou a instalação da Academia Brasileira de Direito,além de Diego,   tomaram posse o piauiense Celso Barros Coelho Neto,  e  o advogado carioca e  membro da Academia Brasileia de Letras Joaquim Falcão e outros vultos da advocacia brasileira.



Ao fazer este registro, o editor do Blog agradece ao convite recebido e   deseja parabenizar ao poeta Diego com extensão à sua esposa, a professora Altair Marinho que no curto período em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Educação deixou sua marca de competência e dedicação ao trabalho. 
Parabéns Diego!