sábado, 27 de maio de 2017

HOMENAGEM AO MONSENHOR HÉLIO MARANHÃO (in memoriam)


GENTE, FATOS E HISTÓRIA

 Por Antonio Gallas

MONSENHOR HÉLIO MARANHÃO: o benfeitor de Tutóia !
 
 
           A coluna Gente, Fatos e História no Jornal Folha do Delta de Tutóia tem por objetivo evidenciar pessoas, fatos e acontecimentos do nosso município que ainda não foram citados nos livros anteriormente escritos, ou, se os foram, de forma muito sucinta.   Assim, como não poderia deixar de ser, nosso primeiro capítulo versa sobre um barra-cordense, tutoiense de coração e também por força de lei do legislativo municipal, que muito amou e trabalhou por este município, talvez muito mais do que alguns que aqui nasceram. Estou me referindo ao Monsenhor Hélio Maranhão falecido na última feira (09) deixando um legado extraordinário na história sacerdotal, na política, nas ações controvérsias, nas suas lutas, no seu trabalho e na intelectualidade maranhense.
             Costumo dizer aos meus alunos que par se saber bem a história de Tutóia é preciso conhecer também a história das pessoas que pelos seus feitos, pela sua obra em favor da cidade e da sua população tornaram-se patrimônio histórico cultural e representam valores morais de nossa terra, quer tenham aqui nascidos ou que sejam oriundos de outras plagas.
             Dentre essas pessoas está Hélio Maranhão, o vigário, o pastor, o poeta, o intelectual, o grande orador sacro, o militar, o destemido, o lutador, e ouso até em dizer, o santo benfeitor da educação em Tutóia. 

O HOMEM ALÉM DO SEU TEMPO

               Hélio Maranhão chegou a Tutóia no dia 13 de Maio de 1964, logo no início da revolução militar, o chamado golpe de 1964, a famosa ditadura que governou o país por três décadas. Sacerdote jovem tinha apenas 34 anos. Inteligente, brilhante com ideias novas na cabeça, teólogo, o primeiro padre maranhense formado e ordenado em Roma. Por causa de suas ideias de renovação foi considerado comunista. Em abril de 1964 foi denunciado como subversivo. E para evitar um processo de subversão contra ele Dom Delgado, Arcebispo do Maranhão e Dom Fragoso, Bispo de Crateús - CE o mandaram para Tutóia, considerada na época a Sibéria do Maranhão. Foi então que Tutóia recebeu este presente de Deus. Estava nascendo a Teologia da Libertação, as Comunidades Eclesiais de Base no Maranhão, A Organização Social João Tavares, o Ginásio e mais tarde Escola Normal Ginasial Almeida Galhardo, o Hospital Zuza Neves e muitos outros benefícios para o município.
               Nascido em 27 de maio de 1930 cursou Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma onde foi ordenado padre em dezembro de 1956 em solenidade ocorrida na Basílica de São João de Latrão, pelo Cardeal Tràglia – o Cardeal Vigário de S. Santidade, o Papa Pio XII. Por ter sido o primeiro padre maranhense formado e ordenado em Roma chegou a Tutóia com novas ideias na cabeça. Ideias de modernização.  Por isso, queria em Tutóia uma igreja evangelizadora, acolhedora do povo de Deus, indiferente de status social, raça ou cor. Foi então que criou as Comunidades Eclesiais de Base – CEBs e junto com os pregadores populares levou a palavra de Deus por todo o município. Fez uma igreja mais alegre colocando uma banda de música para tocar e cantar os hinos durante a missa.

AS MADALENAS

                O padre Hélio Maranhão criou um impacto na sociedade local e dividiu opiniões quando convidou para ter acesso livre na casa de Deus as prostitutas que ele as denominou de “madalenas”.   Para uma sociedade até então preconceituosa e conservadora, assistir a missa ao lado de uma “rapariga” ou “quenga de cabaré” como elas eram chamadas naquela época, seria uma humilhação muito grande. Para muitos  era uma falta de respeito.

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RECORDANDO A HISTÓARIA

Antes do Padre Hélio Chegar  a Tutóia

               Em Tutóia não existiam escolas com curso ginasial. As escolas existentes eram o Grupo Escolar Casimiro de Abreu e a Escola Marcílio Dias que pertencia ao Sindicato dos Estivadores e Arrumadores. O Instituto Paulino Neves, da professora Zelinda Neves Miranda, já havia encerrado suas atividades, fechado suas portas, logo depois do falecimento de sua diretora, a professora Ana Maria Neves, filha de dona Zelinda e neta do coronel Paulino Neves, fundador da cidade.  . Eu estudava no Grupo Escolar Casimiro de Abreu.  Naquela época, só podíamos cursar até o quinto ano do primário. E ali muitos encerraram seus estudos porque não se tinha um ginásio ou outro curso equivalente para que se pudesse prosseguir nos estudos.  Quantas pessoas inteligentes, colegas nossos, pararam de estudar ali mesmo.  Os mais abastados colocavam seus filhos para estudar na capital, em Parnaíba, Teresina no Piauí ou em outras cidades. Não havia estradas. A comunicação com outras cidades, Parnaíba no Piauí, por exemplo, era feito via marítimo-fluvial através de lanchas, rebocadores, barcas, barcos e canoas. Para a capital, São Luís, por via aérea, pelos aviões mono e bimotores das empresas Certa Táxi Aéreo, Cobra Táxi Aéreo, Aliança Táxi Aéreo, e outras empresas que não me vêm à memória no momento. E ainda tinha o missionário Robert Marvin (um americano da igreja Evangélica Presbiteriana) que de quando em vez auxiliava aqui em Tutóia. O bom era que tínhamos avião todos os dias. Mais de um por dia. Às vezes pela manhã e a tarde. E o campo de pouso de Tutóia era movimentado. Hoje, nem campo de pouso temos mais...

A CRIAÇÃO DO GINÁSIO ALMEIDA GALHARDO

               Monsenhor Hélio Maranhão sempre foi um lutador, um futurista. Além de evangelizador tinha também uma grande preocupação com a juventude de Tutóia, ociosa e carente do saber, da educação. E foi aí quando aconteceu um milagre: um milagre da multiplicação dos pães.  Não o da multiplicação dos pães retratado no evangelho de São Marcos no Capítulo 6 versículos 34 a 44. Mas o da multiplicação dos pães do saber, dos pães da educação, que não alimentam o corpo, mas alimenta a alma, o intelecto e torna o cidadão mais digno, mais respeitado...

                A criação do Ginásio e Escola Normal Almeida Galhardo foi esse milagre. A partir daí muitas pessoas, muitos jovens que não tiveram a oportunidade de estudar fora de Tutóia, terminaram aqui mesmo o seu curso ginasial ou curso normal e continuam até hoje como professores alimentando nossos filhos, nossos netos com os pães do saber, com os pães da educação. São muitos os professores e professoras que se formaram no Almeida Galhardo, escola que homenageia um poeta tutoiense até então desconhecido por muitos. Fruto da dedicação, do amor e do trabalho de Hélio Maranhão por Tutóia.

                Não é possível se enumerar em uma pequena coluna de jornal todos os feitos do monsenhor Hélio Maranhão durante o período em que foi responsável pela paróquia de Tutóia, pois o mesmo continuou trabalhando por nosso município mesmo depois de ter deixado o cargo, tanto é que em 25 de novembro de 2012 fundou a ACALT – a academia de Ciências Artes e Letras de Tutóia com o objetivo de cultivar e promover as ciências, as artes e as letras e resgatar a história, a cultura e as tradições de Tutóia. Fundou também uma escola de datilografia e a Salina Povo de Deus em Porto de Areia.

               Como responsável pela paróquia de Tutóia permaneceu até setembro de 1989, mesmo assim nunca se afastou do nosso município.  Por tudo que monsenhor Hélio fez por Tutóia só nos resta dizer Deo Gratias e pelo seu falecimento Requiescat in Pace.
  
 
NOTA DO AUTOR:  este texto foi publicado no jornal impresso "Folha do Delta" na edição de nº 01 referente a Outubro/Novembro de 2015.  Se ainda estivesse vivo, o Monsenhor Hélio estaria completando hoje 87 anos de existência.  Todavia, por tudo que ele fez pela  educação, pela cultura e pelo engrandecimento da nossa terra,  ele continua vivo em nossas lembranças, em nossos corações.  Faleceu em São Luis em 09 de novembro de 2015 e foi alvo de muitas homenagens post-mortem Religiosos, militares, intelectuais, amigos, muitos foram os que deixaram escritos nos blogs nos jornais falando a respeito de Hélio Maranhão. Era membro da Academia Maranhense de Letras.  

 


 

ARTIGO DA SEMANA


Temer e o pão seco de Nenete.

 
PÁDUA MARQUES (Jornalista, Escritor e membro da APAL)
 
            A gente se apega aos bichos da mesma forma que certos homens se apegam ao poder. Digo isso pra deixar aqui um de exemplo. Em nossa casa temos uma cadela, de nome Nenete. Chegou trazida por uma de minhas irmãs depois que o vizinho queria jogar a bichinha fora dizendo que ela, crescendo haveria de comer muito e acabar incomodando as suas crianças.

            Simpatizei com ela logo de cara. Tanto que se alguém caçar por aí na internet vai achar uma foto em que ela ainda filhote está na minha mão. Minhas irmãs, com essa mania besta de gente da Parnaíba de tudo quererem botar nome americano em cão e gato passaram a chamar a cadela de Kate. Uma homenagem à princesa da Inglaterra casada com um neto de dona Elizabeth II.

            No Brasil é assim. Quando não é americano é inglês. Todo mundo fica de boca aberta toda vez que aparece na televisão a rainha dos ingleses com aqueles vestidos de cores berrantes e os chapéus que mais lembram os do menino do reclame da cera Parquetina. A Globo dedica mais de cinco minutos de seu principal telejornal toda vez que tem alguma coisa vinda da casa de Windsor. Até parece que ela anda ligando pra nossa pobreza e se preocupando com as safadezas que tem ocorrido a partir de Brasília.

            A rainha da Inglaterra não sabe nem pra que lado fica o Brasil, mas a gente tem essa coisa de querer ser súdito dela. Veio ao Brasil no governo do Costa e Silva. Talvez a gente ache bonito porque ela mora naquele palácio ajardinado enorme, passe em revista uma guarda às quintas-feiras e depois tem aquela festa toda quando ela sai à rua se pareça muito com o nosso carnaval em fevereiro. Bem diferente do Brasil que a gente só vê o presidente bem de pertinho no Dia da Independência.

             Mas volto pra Nenete, a cadela fiel comigo igual foi a maioria dos apóstolos com Jesus Cristo. Outro dia jogaram um pão seco no quintal, onde ela passa a maior parte do tempo. Foi o suficiente pra que ficasse de guarda uns quatro dias seguidos. Ninguém chegava perto. Se a gente tentasse se aproximar, ela que não é agressiva, rosnava, mostrava os dentes como se estivesse avisando que “o pão é meu e ninguém bula nele senão eu mordo. Vocês não me conhecem!”.

            Temer está neste momento feito a Nenete. Guardando o poder que tem e que conseguiu com muita manobra. Faz uma semana que está sob o bombardeio da opinião pública e da televisão depois de ter sido divulgada uma conversa nada civilizada e republicana com um tal de Joesley Batista, empresário do ramo de carnes, sobre valores a serem pagos de propina e outras manobras. Desde então o jurista saído dos bancos da Universidade de São Paulo, depois advogado brilhante, tem visto é urso engravatado.

            O poder é assim mesmo pra certos homens. Igual ao que sentem os cachorros quando se apoderam de um osso carnudo ou de um bico de pão saído da nossa mesa do café. Esse comportamento tão mesquinho também está nas assembleias legislativas e nas câmaras municipais pelo Brasil. Gente que entra pra política pra fazer fortuna, ficar rica. A falta de vergonha e compostura de nossos políticos está fazendo dessa classe uma categoria de bandidos privilegiados. Pagos com o dinheiro do povo, os políticos têm casa, comida, roupa lavada, passagem de avião, segurança e tudo o mais. Entre eles e minha cadela Nenete, a diferença é que ela defende apenas seu bico de pão.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

DR. RAUL BACELLAR


ANIVERSÁRIO NATALÍCIO (in memoriam)
Neste 26 de maio de 2017, se vivo estivesse, o Dr. RAUL FURTADO BACELLAR estaria completando 126 anos de idade.

Faleceu com 106 anos, em Parnaíba/PI onde se encontra sepultado. O Dr. RAUL FURTADO BACELLAR foi  considerado o farmacêutico mais idoso do Brasil, em plena atividade. Tendo a sua "Pharmácia do Povo" se transformado em "Museu Vivo", localizado no "Espaço Cultural Porto das Barcas", em Parnaíba (PI).
Fonte: Fundação Dr. Raul Furtado Bacellar

quinta-feira, 25 de maio de 2017

OS SENTIDOS DO TOMBAMENTO EM PARNAÍBA

 

Por *Mário Pires Santana

                    À primeira vista, parece que o tombamento da cidade de Parnaíba, é um tributo ao ilustre passado da urbe ou uma referência aos edifícios antigos que referenciam a história e a memória do desenvolvimento urbano do município.
                    Essas afirmações são verdadeiras, no entanto, o mais importante é que, o tombamento vai muito além do tributo ao passado: ele reconhece e protege um dos maiores trunfos que a cidade de Parnaíba tem para o seu desenvolvimento e para o seu futuro. Para muitos, pode ser paradoxal, mas a preservação do patrimônio é um dos pressupostos do urbanismo contemporâneo.
                    O tombamento reconhece os valores da lenta evolução urbana, protege as marcas da memória, que identificam a cidade e sua gente, impede excessos da atualidade globalizada. Valorizar riquezas. Valer-se de um tesouro. Este é o sentido do tombamento de Parnaíba, que além do valor intrínseco do patrimônio, representa uma importante ferramenta de progresso para o Piauí.
                    A paisagem do centro histórico de Parnaíba é marcada por uma diversidade arquitetônica que dá conta de três séculos de evolução do modo de viver urbano, pelo verde de suas áreas livres e ribeirinhas, pelo vermelho dos telhados, pela linha do horizonte interrompida pelas carnaúbas e chaminés da área portuária, e pelo vislumbre da beleza cênica do delta do Parnaíba. 
                    Somadas às motivações de valores históricos e culturais, está o fato de que este rico acervo vinha sendo fisicamente ameaçado, com o crescimento da exploração turística desordenada e a especulação imobiliária crescente, que tem causado a demolição e, ou desfiguração de inúmeras edificações, e sua substituição por construções sem qualidade estética ou funcional e sem preocupação com a preservação das relações urbanas que caracterizam este espaço tão singular. 
                    Todo este preâmbulo, baseado no informativo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional --- Iphan: Cadernos do Patrimônio Cultural do Piauí --- Conjunto Histórico e Paisagístico de Parnaíba, tem como objetivo, além de reforçar os esclarecimentos sobre o tombamento, demonstrar a minha preocupação, com o excesso de críticas que esse Instituto vem recebendo, desde setembro de 2008, quando auspiciosamente, por força de Lei Federal, o Centro Histórico de Parnaíba foi inserido no seleto grupo de cidades com seus sítios históricos tombados, como “patrimônio cultural do Brasil”. 
                     As críticas se acirraram, a partir do momento em que, um grupo empresarial adquiriu o imóvel onde funcionou o BNB Clube, na esplanada da Estação Ferroviária, com o intuito de construir um grande complexo hoteleiro. Conversa vai, conversa vem, sobrou para o Iphan, e por tabela para Parnaíba. O conflito de interesses foi formado, e há até, quem advogue a esdrúxula e infeliz ideia, de desfazer a lei do tombamento. 
                    Mas Segundo o Iphan, há de se entender que a preservação institucional dos sítios e monumentos históricos não é incompatível ou conflitante com o progresso de um lugar. Pelo contrário, é condição. Não há preservação sem progresso urbano, nem progresso sem preservação. E vai mais além: não é a paisagem protegida que deve ser agenciada aos novos prédios, mas o contrário; os novos prédios devem se justar à protegida.
                    A cosmopolita e predestinada Parnaíba, volta a viver um bom momento de crescimento, ao atrair grandes investimentos. Ademais, a área protegida pelo tombamento é mínima, sobrando grandes espaços para possíveis especuladores, advindos desse promissor crescimento.    
Concluo afirmando que as críticas --- a maioria infundadas --- são perfeitamente normais e democráticas, desde que, não atinjam a esfera do radicalismo político inconsequente, e nem prejudiquem Parnaíba. O tombamento é um fato irreversível, e certamente o futuro vai afirmar que agregará valores insofismáveis à cidade. 
Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Parnaíba - IHGGP - PI
*Crônica Escrita em 22/07/2011. Publicada nos jornais: “O Bembém” e “Correio do Norte”.  - Mário Pires de Santana é jornalista, escritor e blogueiro.
 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

FUNDAÇÃO RAUL BACELLAR


PROJETO CORAÇÃO SOLIDÁRIO

O Instituto de Educação Superior do Vale do Parnaíba – IESVAP, mantenedor do Curso de Medicina (conta, atualmente, com cerca de 250 acadêmicos), em parceria com a Fundação Dr. Raul Furtado Bacellar fez realizar, durante os dias 13 e 20 do corrente, o II Projeto “CORAÇÃO SOLIDÁRIO”, com atendimento de mais de 237 pessoas, notadamente em relação aos idosos, com exames “eletrocardiograma”, “medição de glicemia”, “medição de pressão arterial” e identificação de “tipologia sanguínea”, neste caso, com prioridade para os membros do Grupo de Escoteiros Dr. Raul Bacellar que conta mais de 167, dentre crianças (lobinhos), adolescentes (escoteiros) e adultos (chefes do grupo).

O evento reuniu mais de 40 acadêmicos de medicina orientados pelos médicos-professores Márcio Braz Monteiro e Marcos Mitsuyoshi, constituindo-se em acontecimento ímpar na área de pesquisa científica quanto ao estado da saúde da população de Parnaíba no tocante aos seus diversificados aspectos cardiológicos, glicêmicos e de pressão arterial.

O IESVAP, por seu curso de Medicina, forneceu os resultados buscados e orientou os pacientes sobre as providências que devam adotar, doravante, notadamente quanto às necessidades de fazer exercícios físicos, evitar alimentação gordurosa, bebidas alcoólicas, estresse (aborrecimentos), etc.

As fotos abaixo demonstram o atendimento realizado na sede da Fundação Dr. Raul Furtado Bacellar:






 

terça-feira, 23 de maio de 2017

AULA DE PORTUGUÊS


             A ARTE CRIATIVA DO BRASILEIRO
 
               Não existe povo mais criativo do que o brasileiro. Diz-se, e eu chego a acreditar, que o brasileiro sorri da sua própria desgraça. Em meio à crise política que o país passou a viver depois que foram revelados os escândalos de corrupção e roubo praticados pelos políticos, não faltaram nas redes sociais charges de humor e piadas tendo como personagens principais estes, ou melhor, aqueles que nós considerávamos serem os melhores para dirigir os destinos do nosso país.
             A prova disso é que a professora de português  Nicolle Caronne, que também é compositora e reside em Vila Velha no Espirito Santo, aproveitando o momento vergonhoso pelo qual passa a nação brasileira usou a palavra cretino  para explicar  Concordância Nominal aos seus alunos . Vejam o conteúdo da aula que me fora enviado por um amigo através do aplicativo whatsapp:
 

 
“Cretino” é adjunto adnominal, quando a frase for: “Conheci um político cretino”.
- Se a frase for: “O político é um cretino”, daí é predicativo.
- Agora, se a frase for: “Esse cretino é um político”, é sujeito.
- Porém, se um cara aponta uma arma para a testa do político e diz: “Agora nega o roubo, cretino!” – daí é vocativo.
- Finalmente, se a frase for: “O presidente da câmara, Eduardo C., aquele cretino, desviou dinheiro para a Suíça” é aposto.
Que língua fascinante a nossa, não?!
Agora vem o mais importante para o nosso aprendizado!
Se estiver escrito: “Não ganhou a eleição e se acha presidente”
O cretino é sujeito oculto... "

sábado, 20 de maio de 2017

HISTÓRIAS DE ÉVORA

HISTÓRIAS DE ÉVORA LANÇADO EM TERESINA                   

                    Na manhã deste sábado, 20 de maio, no auditório Wilson de Andrade Brandão, na sede da Academia Piauiense de Letras, em Teresina, houve lançamento de várias obras de autores piauienses, dentre as quais o romance HISTÓRIAS DE ÉVORA de autoria do juiz aposentado, poeta, escritor e acadêmico Elmar Carvalho.
                    As outras publicações lançadas nesta data foram: Contos de Viagem , de Nelson Nery Costa, que é atual presidente da APL; Mediquês – “O falar Nordestino, na consulta médica”, de Gisleno Feitosa; Cordéis Gonzaguianos e A festa da Asa Branca – Uma História com pássaros cantados por Luís Gonzaga, de Wilson Seraine.
O romance Histórias de Évora, que já foi publicado capítulo por capítulo no “Blog do Poeta Elmar Carvalho” e reproduzido neste Blog, será lançado também em Parnaíba em data a ser confirmada pelo autor.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS


Convite da APL para lançamento de livros

A Academia Piauiense de Letras tem o prazer de convidar V. Exa. e distinta família para o lançamento dos seguintes livros:, Contos de Viagem, de Nelson Nery Costa, nº 1; Mediquês  - “O falar Nordestino, na consulta mèdica”, de Gisleno Feitosa, nº 7; Histórias de Évora, de Elmar Carvalho, nº 15, todos da Coleção Século XXI, bem como: Cordéis Gonzaguianos  e A festa da Asa Branca – Uma História com pássaros cantados por Luís Gonzaga, de Wilson Seraine.


                                        Nelson Nery Costa
                                              Presidente


Data: 20 de maio de 2017 (Sábado)
Horário: 10 horas
Local: Sede da Academia Piauiense de Letras (Auditório Acad. Wilson de Andrade Brandão) Av. Miguel Rosa, 3300/S – Fone: (86)  3221 1566 – CEP.: 64001-490 – Teresina-PI

quarta-feira, 17 de maio de 2017

ARTIGO DA SEMANA

Sobre a falta do que fazer em Parnaíba.


PÁDUA MARQUES (Jornalista, Escritor e membro da APAL)
 

Em discurso de minha posse na Academia Parnaibana de Letras no dia 12 deste mês tratei de um assunto espinhoso pra muitos e pra muita gente, a falta de mercado de trabalho pra os profissionais da imprensa. Antes da cerimônia, quando dois repórteres de televisão me entrevistaram perguntando sobre a sensação, a alegria de estar prestes a me tornar imortal, disse que era antes tudo um momento especial e ao mesmo tempo porque era a chegada a uma entidade de cultura de um jornalista de carreira.
Realmente as coisas estão preocupantes, quer dizer o mercado de trabalho pra os profissionais de imprensa, não está sendo fácil em Parnaíba. Faz tempo que dezenas deles estão sem dar um prego numa barra de sabão. Faz tempo que muitos deles não tem como levar cinco reais de pão pra casa no final da tarde. Faz tempo que esta categoria amarga as piores privações. Faz tempo que muitos e muitos de nós deixaram de correr atrás desse negócio porque não tem pra onde correr.
Nesse início de semana encontrei saindo da matriz de Nossa Senhora da Graça o meu amigo de muitos anos Mário Meireles. Me dou com ele desde que cheguei em Parnaíba no início da década de 1990. Como faz todo santo dia ele vai à igreja rezar, pedir a Deus pela sua saúde e a de todos de sua família. Eu também faço a mesma coisa. Depois das orações a quem tivemos direito entabulamos uma conversa rápida, pois cada um tinha muito o que fazer. Falamos do calor que está acabando com a gente e fazendo nascer muita muriçoca, da falta de dinheiro na mão de todo mundo e da situação da Parnaíba.
Mário Meireles está neste ramo cruel e difícil de fazer jornal e dito sem futuro há sessenta anos. Já passou por poucas e boas. Não interessa  questionar seu lado e preferência política. Viu entrar e viu sair de seu escritório na Gervásio Sampaio muita gente cheia de sonhos que chegou em Parnaíba pensando que era uma coisa e a coisa era outra. Outros foram tantos que desistiram. Seguiram outro rumo e hoje estão bem de vida. Fizeram concurso público pra Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobrás, Universidade Federal e empregos mais seguros e que dão sustento.
É triste ver profissionais tarimbados da imprensa andando de cara pra cima pela praça da Graça e redondezas tentando encontrar numa conversa um amigo que lhe pague a passagem de volta pra casa. É triste encontrar profissionais de imprensa, tanto de jornais quanto de rádio, tentando um bico no gabinete de algum vereador. Correndo atrás de algum aceno quando alguém mostra interesse de abrir uma emissora de rádio ou até mesmo nos dias atuais, um portal ou blog. Nossa economia de tão fraca não permite que empresas, tanto as poucas indústrias quanto comércio e serviços paguem anúncios na televisão que por isso não tem condições de contratar profissionais experientes.
E fica essa falta do que fazer, esse vazio no meio da gente. Cria uma desconfiança entre a categoria até quando um companheiro de mais sorte arranja um serviço aqui ou acolá. Vem logo a desconfiança de que se vendeu pra esse ou aquele grupo político. Tudo isso é resultado de um período ruim de nossa cidade com sua economia funcionando mal e rendendo na mão de pouquíssimos. Muitos sem nenhuma visão empresarial. Se a Parnaíba tivesse uma economia forte, igual teve no passado, como alardeiam alguns, a coisa seria outra. Porque uma economia forte, com a iniciativa privada dando todo o gás, não há como se depender do favor político. 
Uma economia forte, com mercado pra produção industrial, a presença e a sombra de prefeitura ou de governo estadual ou federal é até mesmo ignorada. Lamentável que minha geração, essa que está na casa dos sessenta anos de idade está passando. E passando baixo, como diria meu pai. Mas vamos ter esperanças, pelo menos pra quem está chegando. Paciência de gente velha é bicho que custa acabar, feito perfume da Avon. Eu pelo menos ainda tenho um pouquinho guardado pra usar em dia de festa. 
 
Jornalista Pádua Marques fazendo seu discurso de posse na Academia Parnaibana de Letras - APAL
 

terça-feira, 16 de maio de 2017

DISCURSO DE RECEPÇÃO A QUATRO ACADÊMICOS NA APAL

 


FOTOS EXTRAÍDAS DO BLOG DO B SILVA
FOTOS EXTRAÍDAS DO BLOG DO B SILVA

DISCURSO DE RECEPÇÃO A QUATRO ACADÊMICOS NA APAL

Elmar Carvalho

PREÂMBULO

            Nesta noite festiva e engalanada de nossa augusta Academia Parnaibana de Letras – APAL, coube-me a honrosa e prazerosa missão de proferir o discurso de saudação a quatro novos acadêmicos, que hão de fortalecer os seus pilares.
            Conquanto honrosa e agradável seja essa tarefa, contudo ela se reveste de certas dificuldades e armadilhas, pois sendo os neófitos confrades do mesmo tope, ou seja, ombreados pela sapiência e méritos intelectuais, não posso ser pródigo no elogio a uns e avaro em relação a outros. Portanto, devo ser cauteloso, comedido, e manter a simetria entre todos, na medida do possível.
            Também gostaria de ser conciso ao falar dos quatro novos mosqueteiros ou cavaleiros andantes de nossa Academia, para não os cansar, e para não enfastiar com palavras este seleto auditório. A concisão sempre foi considerada uma grande virtude do beletrismo ou arte de bem escrever.
             Esto brevis et placebis – sê breve e agradarás, já recomendavam os antigos latinos, de modo que este antiquíssimo brocardo sempre foi seguido pelos grandes mestres da retórica e da eloquência. E principalmente deve ser observado nos apressados e internéticos dias de hoje, embora também seja do senso comum que a pressa é inimiga da perfeição.
Na época da Relatividade, a pressa deve também ser relativizada, pois a arte busca a perfeição, e a perfeição só pode ser alcançada sem açodamento. Se não for para fazer bem feito, para que fazer, já dizia o perfeccionista artesão ao ansioso cliente, a desbastar com pachorra a madeira que esculpia. Por conseguinte, serei breve, porém não tanto, de modo a não calar as virtudes que deverão ser exaltadas.
Não desejo fazer um discurso acadêmico em molde clássico, seguindo as linhas mestras da retórica tradicional. Pretendo fazer com que esta saudação seja uma espécie de crônica sobre meus novos confrades, recheada, tanto quanto possível, de lirismo, emoção e saudade – saudade dos imortais velhos tempos que vivi em Parnaíba, e que gostaria de reviver nesta noite memoranda.
1
Breno Ponte de Brito terá a imensa responsabilidade de ocupar a cadeira de nº 5, patroneada pelo grande Alarico José da Cunha, e que teve como precedente Aldenora Mendes Moreira. Breno, além de advogado, é um mestre da publicidade, tendo escrito nessa seara os livros “Broadside – A propaganda vista por dois lados” e “Da Brancura à sujeira”, nos quais revela seu conhecimento teórico e prático. É filho de José Ademir de Brito e Dilma Ponte de Brito, que conheci ainda nos idos de 1970, ele como laborioso funcionário do INSS, e ela como competente servidora do Banco do Brasil. Em dias mais recentes, sua mãe ingressou no magistério da Universidade Federal do Piauí, não preciso assinalar que por concurso público, e se tornou nossa confreira nesta Academia, mercê de seu valor literário, sobretudo como cronista.
Sua antecedente, a professora, escritora e historiadora Aldenora Mendes Moreira, escreveu o importante livro “Personalidades Atuantes da História de Parnaíba ontem e hoje”, em que traça a síntese biográfica de ilustres parnaibanos, que se destacaram em diferentes campos da atividade humana, seja na literatura, na cultura, nas artes, no comércio, na indústria, na política, etc. Seu marido, o senhor Moreira, mestre da boa e agradável conversação, que parecia ainda mais sábio, com os seus pesados óculos de lentes “fundo de garrafa”, foi meu amigo e amigo de meu pai.  
Como costumo dizer, sou um parnaibano de Campo Maior, e aqui nasci, pela segunda vez, em meado da década de 1970. Nesses idos, ouvia falar em Alarico da Cunha, misto de homem prático, poeta e espírita. Dizia-se que ele era vidente e cumprimentava os espíritos que encontrava pelas ruas da cidade. Li poemas avulsos dele.
Depois, tomei conhecimento de sua bela poesia através do livro Eixo do Tempo, editado por seus filhos, em Goiânia – GO, em edição sem data, cujo exemplar me foi ofertado por Reginaldo Costa, fundador do jornal Inovação, em autógrafo datado de 5 de março de 1985. Nessa obra encontra-se o soneto “A Missa da Natureza”, verdadeiro cântico de exaltação a Deus e ao alvorecer em bela paisagem marinha. Vi, algumas vezes, o jornalista e poeta Fonseca Mendes a ele se referir com admiração, e o recitar, de cor, com muita ênfase e entusiasmo.
Nos meus PoeMitos da Parnaíba, que publiquei de forma seriada no jornal Inovação e depois os enfeixei em livro, e também os recolhi nas três edições de Rosa dos Ventos Gerais, prestei homenagem a Alarico da Cunha, com os seguintes versos:
Poeta. Espírita. Espírito
da carne e do osso, a roer
o osso duro do ofício de poetar.
Quixótico, exótico: misto de poeta
e de espírita. Via espíritos no
ar. Nunca estava sozinho:
quando a poesia lhe faltava
os espíritos surgiam e
se insurgiam contra a solidão.
Cavalheiro de fino trato:
tirava o chapéu para os
espíritos que só ele via.
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O detentor da cadeira de nº 15 passa a ser o advogado, professor universitário e escritor Roberto Cajubá de Britto, quase sempre um vitorioso nos pugilatos forenses, tal a garra e empenho com que defende seus constituintes. Para isso concorre o seu elevado poder de argumentação, seu raciocínio estribado na lógica e na razão, seus altos conhecimentos doutrinários e o seu cuidado em pesquisar atualizadas e consolidadas jurisprudências, mas também trazendo à baila novas teses, quando é o caso.
É um verdadeiro jurista, e não somente um bom advogado, o que já seria o bastante para suas lides forenses. Pertence ainda a uma seleta dinastia de grandes causídicos, entre os quais avultam Francisco de Assis Cajubá de Britto, seu pai, e seu irmão Antônio Cajubá de Britto Netto.
O primeiro foi meu mestre no curso de Administração de Empresas, no Campus Ministro Reis Velloso da Universidade Federal do Piauí. Cultura polimorfa, é farmacêutico, economista e advogado da melhor casta, além de vibrante, competente e erudito na retórica jurídica. Com ele aprendi as virtudes e os vícios da Economia, em quaisquer que sejam os regimes políticos.
O segundo se tornou meu amigo, desde os velhos tempos do jornal Inovação, do qual era ele admirador. Certa feita, fomos eu e ele convidados pelo poeta e escritor Alcenor Candeira Filho a proferirmos breve palestra no Rotary Club, em sessão ocorrida no imponente hotel parnaibano, em cujo prédio, localizado na Praça da Graça, ao lado da vetusta e bela catedral, funcionava o Cine Gazeta, que me traz pungentes e alegres recordações.
Sendo eu na época presidente do Diretório Acadêmico 3 de Março, aproveitei a deixa para criticar a falta de liberdade na ditadura militar, ainda em pleno vigor, e as minguadas verbas orçamentárias destinadas à Educação. Cajubá Neto, que iria fazer um discurso mais lírico, apolítico, segundo ele próprio me confessou, seguindo as minhas pegadas, também resolveu sentar a pua na dita “redentora”. Estavam presentes, além do Alcenor, várias pessoas da elite política, econômica e cultural de então, como José Alexandre, Sebastião Rodrigues, Maurício Machado, José Oscar,Cândido de Almeida Athayde e Roberto Broder, os dois últimos meus professores na faculdade.
O currículo vitae do Dr. Roberto Cajubá de Britto é muito opulento, e se eu o fosse debulhar aqui não teria tempo de ser breve, como já disse ser o meu objetivo. Portanto, contento-me em dizer que ele é Bacharel em Direito pela UFC (1989), Bacharel em Ciências Econômicas pela UFPI (1996), Mestre em Ordem Jurídica Constitucional pela UFC (2005) e Especialista em Direito Processual pela UFPI. Professor Assistente do curso de Direito da UESPI. Foi Conciliador e Juiz Leigo do Juizado Especial Cível e Criminal da Comarca de Parnaíba, bem como assessor jurídico da Associação Comercial de Parnaíba.
Coautor dos Livros "Petições" (Editora Premius, Fortaleza, 2003) e "Tópicos Polêmicos e atuais do Direito" (Editora SEGRAJUS, Teresina, 2003). Autor dos Livros "A Processualização do ato administrativo como contribuição para a Democracia" (Premius Editora, Fortaleza, 2010) e "Amplo Direito" (Premius Editora, Fortaleza, 2014). Mantém, desde 2009, a Coluna Amplo Direito, no jornal Norte do Piauí e no Portal Costa Norte. Com isso, creio haver demonstrado quão ricas são as suas realizações e conquistas na seara do Direito.
Francisco Iweltman Vasconcelos Mendes, seu antecessor, nasceu em Sobral – CE, em 16 de janeiro de 1965, mas se tornou tão parnaibano como os que mais o sejam, pelo seu esforço, dedicação e amor a esta terra. Muito jovem ainda se dedicou às letras e à cultura, tanto em Ubajara como em sua terra natal, nas quais publicou livros e foi fundador ou colaborador de jornais e revistas. Bacharel em História e licenciado em Estudos Sociais. Pós-graduado em Metodologia do Ensino Superior.
Em 1992, através de concurso público, ingressou na Universidade Federal, quando passou a residir em Parnaíba. No importante opúsculo Livros sobre Parnaíba, de Alcenor Candeira Filho, são relacionados os seguintes livros de nosso saudoso confrade: Associação Comercial de Parnaíba: Lutas e Conquistas (1994), A Parnaíba Colonial e Imperial (1996) e Parnaíba: Educação e Sociedade (2001), em cuja orelha o saudoso acadêmico Valdir Edson Soares, médico e escritor, relaciona ainda outros livros e fatos de sua fecunda vida. Todas são importantes obras sobre a história, a economia, a educação e a cultura de nossa Parnaíba.
Além de professor, com atuação no Campus Ministro Reis Velloso (UFPI), foi secretário da Educação do município de Parnaíba e maçom dedicado. Amante da música, especialmente do samba, e da saudável libação era hábil percussionista de seu próprio grupo musical. Diz-se que a velha ceifadora gosta dos bons; por isso foi colhido por ela precocemente, quando ainda tinha muito a oferecer, pois era incansável e diligente em seu profícuo labor historiográfico e cultural. Era um ser humano benfazejo e benquisto, e a prova disso é que, por ocasião de sua morte, seus inúmeros amigos e alunos lhe prestaram comoventes homenagens, através de manifestações escritas e de comparecimento às suas exéquias.
Seu patrono é Simplício Dias da Silva, figura emblemática, lendária e legendária da História do Piauí. O povo mitificou e mistificou sua biografia. Nessa mitificação poderíamos dizer, com o poeta Fernando Pessoa, que o mito é o nada que é tudo, porque, mesmo que certos fatos não tenham existido, a lenda lhes deu perene existência. Filho do português Domingos Dias da Silva e de Claudina Josefa, piauiense, nasceu em Parnaíba, em 1773. Em certos fatos que lhe são atribuídos, não se sabe ao certo onde termina a lenda, nem onde a realidade começa.
Opulento, dizem que a Casa Grande onde residiu era ladrilhada com ouro; este próprio solar é objeto de controvérsia, pois alguns defendem a tese de que ele não ficava na esquina, mas sim no local do prédio em que funcionou o hotel da Cosma; que teria dado um cacho de bananas de ouro, em tamanho natural, ao imperador D. Pedro I. Consta que teria 1.800 escravos, com o que teria organizado um regimento, que provocaria inquietações ao governo.
No livro Simplício Dias da Silva – seu nascimento até sua morte (2008), de José Nelson de Carvalho Pires, é relatado que ele, em navio de sua família, teria raptado a açafata Maria Isabel Tomasia de Seixas, prometida pelos pais para desposar um tenente da marinha inglesa, com quem veio Simplício a contrair núpcias. Esse episódio, de caráter romanesco e de contorno quase épico, me faz lembrar o mito da bela Helena de Troia e de Páris, o galante e ousado sedutor. Romanesco também e trágico foi o episódio da morte de sua filha Carolina Tomásia Dias de Seixas e Miranda, que teria sido assassinada por um escravo, ensandecido por fulminante paixão ou movido por vingança contra maus-tratos.
Mas o certo mesmo é que foi um homem refinado, amante da liberdade e da música, que teria mantido uma orquestra de escravos, com a qual gastou muitos cabedais, e liderou o movimento de 19 de outubro de 1822, que proclamou a Independência do Brasil em plagas piauienses, em cujo movimento quase arruinou a sua fortuna. O certo mesmo é que não teve apego à glória fugaz de cargo público, pois declinou do convite imperial para governar a Província do Piauí. Nele, muitas vezes, a história se confunde com o mito, o que mais concorre para a sua glória e relevo na História do Piauí.
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A cadeira de nº 24 passa a ser ocupada por Antônio de Pádua Marques da Silva. Nasceu em Parnaíba, e se formou em jornalismo.  Membro da Academia de Letras da Região de Sete Cidades – ALRESC. Ao longo de sua trajetória profissional colaborou com os principais jornais e sites do litoral piauiense. Publicou os romances Gato Ladrão de Sebo, ambientado na região pernambucana de Garanhuns, e Rua das Flores. Sobre este disse Alcenor Candeira Filho em sua aludida obra: “prosa de ficção inspirada na rua, próxima da Lagoa do Bebedouro, com sua gente pobre e esquecida. O jornalista e escritor Pádua Marques já escreveu oito livros, entre fábulas e romances, a maioria ainda não publicados.”
É ele um jornalista polivalente, e aborda com desenvoltura e conhecimento de causa os mais variados assuntos. Não se escusa de discorrer sobre temas polêmicos e controvertidos, e tem a coragem necessária para isso. Muitos de seus artigos, pelo tratamento literário que recebem, podem ser tidos como verdadeiras crônicas.
Ernest Hemingway em seus romances adotou técnicas do jornalismo, sobretudo ao usar frases curtas, telegráficas, objetivas e de clareza solar. Sem dúvida o novel acadêmico, por ter a teoria acadêmica e a prática cotidiana, não deixa de observar essas lições. E observa também o inverso, seguindo as pegadas do jornalismo contemporâneo, ao injetar em seus textos jornalísticos lições extraídas da boa literatura.
Sua antecessora é Edmée Rego Pires de Castro, nascida em Parnaíba, em 13 de fevereiro de 1915. Professora, jornalista e poetisa, é autora, entre outras, das seguintes obras: Poetizando, A trova e o espaço piauiense e Primavera. Sobre ela disse o fundador e primeiro presidente de nosso silogeu, Fontes Ibiapina: “Ora romântica, ora lírica, sempre transborda uma inspiração com muita propriedade arquitetônica em seu pensamento numa formação ético-espiritual. Poesias sadias e puras, sem sensacionalismo, tampouco artificialismo ou palavras rebuscadas.”
Sua cadeira está sob o patronato de Luíza Amélia de Queiroz, nascida em Piracuruca, no ano de 1838, filha de Manuel Eduardo de Queiroz e Vitalina Luíza de Queiroz. Teve dois casamentos, o primeiro com o empresário Pedro José Nunes, tio do grande historiador Odilon Nunes, e o segundo com o também comerciante Benedito Rodrigues Madeira Brandão. Radicou-se em Parnaíba, tendo residido por muitos anos no solar ou sobrado dos azulejos, na Rua Grande, nas proximidades do Porto das Barcas.
A sua morada em vida e a póstuma, tornaram-se dois emblemáticos monumentos arquitetônicos e pontos turísticos. Reza a tradição que ela expressou o desejo de ser sepultada à sombra de uma gameleira. A natureza ou força sobrenatural realizaram sua vontade. Misteriosamente, de dentro de seu belo túmulo rebentou frondosa e sempre verdejante gameleira, que lhe dá perene sombra e encantamento.
Mereceu o honroso título de Princesa da Poesia Romântica do Piauí. Autora de belos e comoventes versos, sobre ela, em meu opúsculo Aspectos da Literatura Parnaibana, tive a oportunidade de proclamar: “poeta de versos sensíveis e delicados como sua alma de mulher voltada para a beleza, todavia já se denotando em alguns deles o questionamento libertário de uma mulher que pensa e deseja. ” Uma mulher que não se dedicou apenas ao lar, como as suas conterrâneas e contemporâneas.
Seus belos poemas foram enfeixados no volume Flores Incultas, recentemente reeditado pela Academia Piauiense de Letras, de cuja cadeira nº 28 ela é patrona; faz parte da excelente Coleção Centenário, a que o presidente Nelson Nery vem emprestando o melhor de seu esforço. Na orelha desse livro disse o historiador e escritor Reginaldo Miranda: “Foi Luíza Amélia de Queiroz, a primeira mulher a publicar livros na província, depois Estado do Piauí. ”
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Não desejo falar sobre a biografia do professor, jornalista versado e versátil, radialista, poeta e cronista Antônio Gallas Pimentel, neófito ocupante da cadeira 35. Tampouco irei repisar que ele é servidor aposentado do Banco do Brasil, que nasceu na vetusta e mítica Tutoia em 21 de julho de 1951, que ele aborda com a mesma competência os mais diversos temas, tais como arte, cinema, música, que é autor de "Meu Sobrinho Prodamor e Outros Causos", "Fragmentos" e outras publicações. Irei apenas respigar trechos esparsos do que sobre ele disse em minha crônica memorialística A Gallática Tutoia, que, apesar de datada de 1º de abril de 2010, não contém uma só mentira:
“Por ocasião da solenidade de lançamento de meu livro PoeMitos da Parnaíba, entre vários amigos, como o prefeito Zé Hamilton, os poetas Alcenor Candeira Filho e Wilton Porto, o jornalista Bernardo Silva, vários confrades da Academia, encontrei Antônio Gallas Pimentel, que conheço desde o início de minha chegada a Parnaíba, em meado da década de setenta. Ele era professor de inglês, jornalista e diariamente uma crônica sua era transmitida pela Rádio Educadora, a mais antiga do Piauí e, então, a única emissora da cidade, através da bela voz do locutor Gilvan Barbosa.
O professor Joaquim Furtado de Carvalho, primo de meu pai, que falava o inglês fluentemente e era um grande causeur, recomendou-me fizesse amizade com o Gallas. Um dia, vencendo a minha timidez de ainda adolescente, fui à sede do jornal Folha do Litoral perguntar se o hebdomadário aceitava colaborações literárias.
Estavam na redação o Gallas, B. Silva e o Xixinó, um grande compositor; bem entendido, compositor tipográfico. Tinha extraordinária habilidade de recolher cada tipo de sua respectiva caixa e colocá-lo no componer, na composição dos vocábulos e períodos. Gallas era professor de minhas irmãs Maria José, Josélia e Joserita.
Às vezes, na boca da noite, eu e o B. Silva íamos até a casa dele, para ouvirmos uns tangos, pelo rádio, enquanto degustávamos umas três doses de boa pinga. Eram uns belos e vibrantes tangaços, como dizíamos. Um dia o Gallas me convidou a ir até sua residência ouvir uns tangos e tomar umas duas ou três talagadas de calibrina. Para me convencer, como se estivesse falando de uma raridade quase impossível disse: - Elmar, eu tenho até dinheiro!... Verdade que naqueles tempos inflacionários e de vacas magérrimas, dinheiro era um tanto difícil e arredio.
Já estive com o Gallas na sua bela e histórica Tutoia, outrora importante cidade portuária da região do Delta do Parnaíba. Contemplei as suas lindas praias, como a de Andreza, e a sua exuberante lagoa, ornamentada de coqueiros e outras árvores.”
Sobre seu antecessor, o jornalista e radialista Rubem da Páscoa Freitas, seu amigo e conterrâneo, transcreverei o que a respeito dele disse na minha elegíaca crônica Inventário da saudade, em que pranteei a morte de minha mãe e de vários amigos, no infausto ano de 2013:
“Em seu périplo macabro, a ‘indesejada das gentes’ ceifou a vida de Rubem da Páscoa Freitas, mais precisamente no dia 14 de novembro. Aos 81 anos de idade, era ele o ‘papa’ do jornalismo social em Parnaíba. Era o decano dos jornalistas e radialistas do litoral piauiense, em atividade ininterrupta há várias décadas. Conheci-o em 1975, na redação do jornal Folha do Litoral, do qual fui colaborador.
Uma vez por outra, eu ia até a redação desse periódico, para entreter rápida conversa com os amigos Bernardo Silva e professor Antônio Gallas Pimentel (seu conterrâneo tutoiense), e também com o “compositor” tipográfico Xixinó, sempre alegre e irreverente, a destilar sutis ironias, e lá encontrava Rubem Freitas a redigir ou a revisar a sua coluna Carnet Social, que manteve por vários anos. Mesmo nas notas mais despojadas e sintéticas, a sua linguagem era límpida e castiça, e disso ele parecia ter saudável orgulho. Organizou o livro Pedro Alelaf – Lição de Vida (2001), no qual foi inserto o meu trabalho Craques do Futebol Parnaibano, que depois, devidamente revisado, inseri em meu livro O Pé e a Bola. Era meu confrade na Academia Parnaibana de Letras – APAL.”
Dom Paulo Hipólito de Souza Libório é o patrono da cadeira de nº 35. Nasceu em Picos, em 10 de outubro de 1913, e faleceu em Parnaíba, em 31 de março de 1981. Foi o primeiro bispo nascido no Piauí e o primeiro da Diocese de Caruaru. Foi o substituto do primeiro bispo da Diocese de Parnaíba, Dom Felipe Conduru Pacheco. Diretor do Colégio Diocesano, reitor do Seminário e Vigário Geral da Diocese de Teresina.
Quando viemos morar em Parnaíba, em junho de 1975, Dom Paulo era o bispo desta Diocese. De forma cortês, nos visitou no apartamento da ECT (Correios), na Praça da Graça, onde morávamos, em virtude de meu pai haver sido aluno do Diocesano em sua gestão. Na época em que fui presidente do Diretório Acadêmico “3 de Março”, do Campus Ministro Reis Velloso – UFPI, realizei um torneio esportivo, que levava o nome do padre Raimundo Vieira. Por essa razão, pedi a Dom Paulo que nos desse a taça, para entrega ao time campeão, e ele a concedeu sem nenhuma dificuldade.
Morou, durante algum tempo, em antigo casarão localizado na rua Olavo Bilac, 1481 – Centro - Teresina. Esse solar se manteve impecavelmente conservado graças aos cuidados e recursos financeiros de seu sobrinho, o professor universitário e teatrólogo Paulo de Tarso Batista Libório, que o transformou em importante museu de arte sacra. Esse patrimônio artístico e histórico passou, poucos anos atrás, a ser administrado pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves. O museu leva-lhe o episcopal nome.

CONCLUSÃO

Todos nós temos os nossos objetivos e o nosso ideal de vida. E procuramos alcançá-los. Quando o conseguimos, às vezes nos decepcionamos, porque nem sempre o que angariamos corresponde àquilo que de fato almejávamos.
Na literatura não é diferente. As nossas conquistas e louros triunfais muitas vezes são meras ilusões, que não nos satisfazem. Até porque o ideal é uma ilha da Utopia, que, por mais que a persigamos, jamais a alcançaremos em sua plenitude.
Não raras vezes nos lançamos ao mar encapelado à procura de nossas metas e de nossos ideais, e, quando chegamos ao nosso destino, verificamos que o nosso sonho era apenas um sonho, um simples ouro de tolo e nada mais. A viagem pode ser longa, demorada, cansativa, cheia de perigos e ciladas, mas nela poderemos moldar o nosso caráter, descortinar deslumbrantes paisagens, e nela, decerto, colheremos experiência e sabedoria.
Como no poema Ítaca, de Konstantinos Kaváfis, vocês buscaram a nossa Academia, e ela lhes pareceu uma Ítaca atraente e encantada:  
Se partires um dia rumo a Ítaca
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem os Lestrigões, nem os Ciclopes,
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
(...)
Faz votos de que o caminho seja longo.
(...)
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te ponhas a caminho.
Mais do que isso, não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu, se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência,
e agora sabes o que significam Ítacas.
Rogo para que vocês não se decepcionem, acaso achem a nossa Academia pobre. Os amigos se tornaram mais sábios e mais experientes. Viram muitas coisas, tiveram muitas aventuras. E fizeram uma bela e enriquecedora viagem.
Portanto, lancem as âncoras e adentrem o acolhedor regaço de seu porto seguro.
  
(*) Discurso de recepção a quatro novos membros da Academia Parnaibana de Letras,  proferido por Elmar Carvalho, em solenidade ocorrida no dia 12 de maio de 2017.
Matéria publicada no Blog do Poeta Elmar Carvalho na sexta-feira 16.05.2017