quarta-feira, 26 de julho de 2017

COLO DE AVÓS



                    Há alguns dias sem nada postar no blog, por motivos alheios à minha vontade, retornamos hoje num dia muito especial, principalmente para as pessoas sexagenárias assim como eu, que tivemos o privilégio de sermos avós. Reproduzo a seguir um texto que me foi enviado pelo meu colega Marçal  Alves Paixão, também aposentado do Banco do Brasil. Pesquisei na internet à procura do autor do texto mas não obtive sucesso, entretanto nessa mesma pesquisa, encontrei no Portal Vozes um comentário feito pelo Papa Francisco sobre a importância dos avós, quando de  sua  visita ao Brasil em Julho de 2013 durante a realização da Jornada Mundial da Juventude realizada no Rio de Janeiro.

"COLO DE AVÓS

                    Perguntaram a uma menina de nove anos o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu:
- Eu gostaria de ser avó!
Ao ser interrogada sobre o porquê dessa ideia, ela completou:
- Porque os avós escutam, compreendem. E, além do mais, a família se reúne inteirinha na casa deles.
 E a menina continuou:
- Uma avó é uma mulher velhinha que não tem filhos. Ela gosta dos filhos dos outros. Um avô leva os meninos para passear e conversa com eles sobre pescaria e outros assuntos parecidos. Os avós não fazem nada e por isso podem ficar mais tempo com a gente.
Como eles são velhinhos, não conseguem rolar pelo chão ou correr. Mas não faz mal. Levam a gente ao shopping e nos deixam olhar as vitrines até cansar.
Na casa deles tem sempre um vidro com balas e uma lata cheia de suspiros. Eles contam histórias de nosso pai ou nossa mãe, de quando eram pequenos, histórias da Bíblia, histórias de uns livros bem velhos com umas figuras lindas. Passeiam conosco, mostrando as flores, ensinando seus nomes, fazendo-nos sentir seu perfume.
Avós nunca dizem “depressa, já pra cama!” ou “se não fizer logo, vai ficar de castigo!” Quase todos usam óculos e eu já vi uns tirando os dentes e as gengivas.
Quando a gente faz uma pergunta, os avós não dizem: “menino, não vê que estou ocupado?” Eles param, pensam e respondem de um jeito que a gente entende. Os avós sabem um bocado de coisas.
Eles não falam com a gente como se nós fôssemos bobos. Nem se referem a nós com expressões tipo “que gracinha!”, como fazem algumas visitas.
O colo dos avós é quente e fofinho, bom de a agente sentar quando está triste. Todo mundo deveria ter um avô ou uma avó, porque são os únicos adultos que tem tempo para nós".

A IMPORTÂNCIA DOS AVÓS 

                    Em Julho de 2013, no dia de São Joaquim e Sant’Ana (pais de Nossa Senhora), quando o Papa Francisco visitava Brasil por ocasião da Jornada mundial da Juventude, ele dizia…
“Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família. O Documento de Aparecida nos recorda: “Crianças e anciãos constroem o futuro dos povos; as crianças porque levarão por adiante a história, os anciãos porque transmitem a experiência e a sabedoria de suas vidas” (Documento de Aparecida, 447).
Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado!
Em outra ocasião, Francisco disse que “Um povo que não respeita os avós está sem memória e também sem futuro. Nós vivemos em um tempo no qual os idosos não contam. É ruim dizer isto, mas eles são descartados, porque dão trabalho. Os idosos são aqueles que nos trazem a história, que nos trazem a doutrina, a fé e nos dão um legado. São aqueles que, como um bom vinho envelhecido, têm força dentro de si para nos dar uma herança nobre”, disse.
Francisco afirmou ainda que os avós são um tesouro, de forma que a memória desses antepassados leva o homem a imitar sua fé. Ele defendeu que a sabedoria deles é uma herança que se deve receber.
“Um povo que não cuida dos avós, um povo que não respeita os avós não tem futuro, porque não tem memória”.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Histórias de Évora e as formas dos prazeres do tempo (*)

 

Dra. Liege Cavalcante, vice-prefeita de Campo Maior, Dr. Raimundo Lima, autor de A Menina do Bico de Ouro, Elmar Carvalho, autor de Histórias de Évora, e Daniele, representante do SENAC
Domingos José de Carvalho, Dílson Lages Monteiro, Lara Larissa e João Alves Filho, presidente da ACALE
Dílson Lages Monteiro


Histórias de Évora e as formas dos prazeres do tempo (*)

Dílson Lages Monteiro

O que esperamos de uma obra literária? Há leitores de todos os tipos, e leituras que se prestam a muitos fins; mas quem parte para os oceanos da literatura não consegue precisar aonde as palavras conduzirão. A identificação com o tema, o maior ou o menor grau de abstração simbólica do texto, a linearidade ou alinearidade dos núcleos narrativos, os efeitos de sentido do vocabulário e da imprevisibilidade do intertextos, as vozes que se enunciam – e, claro, as experiências do próprio comandante da embarcação – conduzem a caminhos que nem sempre se consegue controlar, principalmente quando a carga associativa de percepções e representações mentais possibilitadas pelo texto é multiforme, e se insere como elemento intrínseco à própria escritura.

O que encontra ou reencontra, pois, o leitor em Histórias de Évora?

Para situar o leitor, reproduzem-se aqui duas breves passagens:

“Afagou-lhe os cabelos e as têmporas. Em seguida, seus dedos percorreram-lhe as sinuosas e bem delineadas sobrancelhas. Seguiram o contorno da boca. Pousou o côncavo das mãos sobre as maçãs do rosto em inefável massagem. Após fixá-la em profundidade, olhos nos olhos, como se quisesse lhe devassar os mais recônditos pensamentos, colheu-lhe os lábios entreabertos, ansiosos” (p.59).

“Muito vivo ainda sinto o cheiro da cera de carnaúba, amontoada num grande depósito da Casa Machado e outros armazéns. Havia as pardas, escuras, de menor valor comercial, e a cera flor, mais clara, amarelada, de bem mais alta cotação. Recordo o cheiro acre das amêndoas de babaçu e tucum, que eram revendidas para Fortaleza, Recife e outros centros exportadores” (p.75).

A adolescência viva e revivida, sobretudo. As pequenas cidades piauienses que foram expressão do extrativismo nas décadas de 1970 e 1980, personificadas em sua decadência econômica. São essas as motivações para que o juiz e integrante da Academia Piauiense de Letras, José Elmar de Melo Carvalho, o poeta de Rosa dos Ventos Gerais, no auge de sua maturidade literária, descortine as veredas da prosa romanesca, em narrativa que, fixando-se como documento vivencial de um tempo que sucumbiu, leve os leitores para além do retrato social de costumes e valores de um tempo, à curiosidade saltitante que os sentidos da imaginação instauram.

Duas palavras em síntese definiriam o projeto literário de Elmar Carvalho, em Histórias de Évora: documento e imaginação. Caberia a esta, porém, pincelar, por meio do gosto pelos detalhes, em ações reiteradas insistentemente, por meio de episódios pitorescos, dramáticos ou cômicos que, desse modo, reproduziriam subjetivamente o próprio êxtase do prazer, o tema central do romance, a aprendizagem do amor, o que com maior grau de exatidão definiria seu estilo do ponto de vista temático-discursivo.

A isso se acrescentaria o viés memorialístico que salta aos olhos, a tal ponto que acertadamente escreveu em prefácio o crítico literário Cunha e Silva Filho. Resumindo Histórias de Évora, afirmou tratar-se de seu “reencontro proustiano pela memória voluntária com seus correspondentes lugares nos quais fez o seu aprendizado sexual – e por que não? – amoroso, espaço irremovível das suas mil lembranças de situações vividas, sonhadas, de fatos pitorescos, decepcionantes, constrangedores, humorísticos, melodramáticos e tragicômicos” (P.19).

Cabe, assim, lembrar o que disse Donaldo Schiler sobre o trabalho imaginativo dos romancistas:

“Primeiro há fragmentos, lembranças, experiências, textos. Quando estes se organizam, desencadeia-se o trabalho da imaginação, e desponta o autor como fundador do universo imaginário. Não favoreceríamos a compreensão do romance, se equiparássemos o imaginário a um supermercado de pensamentos, frases buriladas, paixões. A imaginação ordena as partes num todo móvel, aberto, repleto de indeterminações: o imaginário.” (p.73)

É essa dimensão perceptual e cognitiva, alicerçada na liberdade, que as associações mentais constroem. Por isso,  apresentam-se expressivas as palavras de Schiller ao esclarecer:

 “Todos os sistemas de palavras e símbolos constroem o universo imaginário. Fora do imaginário fica o real, ao qual não temos acesso direto. O imaginário nos permite que dele nos apropriemos e com ele convivamos. A diferença do imaginário artístico reside na liberdade resoluta, visto que não está sujeito ao rigor da verificabilidade”. (p.73)

Em Histórias de Évora, a imaginação é ditada pela enunciação do universo do desejo masculino em criar a ambiência para que a libido seja tematizada. Seguindo esse raciocínio, são abundantes as alusões a coxas, a seios, a lábios em cenas de aberto erotismo, quando não a narração do ato sexual em si em sentenças de léxico despojado. Também frequentes as referências ao funcionamento dos cabarés e aos costumes que lhe eram comuns.

Do ponto de vista formal, Histórias de Évora é um texto comportado. O próprio autor faz questão de enfatizar: “Deixo logo bem claro que não desejei fazer obra de vanguarda. Quis apenas contar umas histórias, pois sempre entendi que um romance ou conto deve narrar algo. Contudo, não quis apenas ser um simplório contador de histórias ou “causos”. De fato, embora não se predisponha a romper com a tradição literária, não lhe faltou inventividade, considerando-se a estratégia empregada para um maior ou menor distanciamento do objeto discursivo.

Assim é que Marcos Azevedo, o protagonista, estudante secundarista, amante dos livros e da arte, que ao longo do livro se transforma em um septuagenário, declaradamente um “alter ego” do autor, propõe-se a narrar suas descobertas amorosas e a ação do tempo sobre hábitos e espaços, a partir de duas instâncias enunciativas, com foco narrativo em primeira e terceira pessoa. Demarcam-se, pelo rompimento com a linearidade do ponto de vista, não apenas duas idades cronológicas, mas também um distanciamento em relação aos acontecimentos que os tornam presentes, cristalizados pela marca da lembrança.

Para enfatizar que o tempo emergente na literatura é um tempo social, um sentido coletivo, Luis Alberto Brandão e Silvana Pessoa, em clássico estudo sobre o sujeito, o tempo e o espaço ficcionais lembram que se costuma pensar no tempo em duas perspectivas. “Uma perspectiva objetiva que associa, ao tempo, aspectos cosmológicos, físicos (o tempo como parâmetro dos movimentos descritos pelos astros celestes ou como medida do envelhecimento dos seres). E uma outra perspectiva que sugere que há, sempre, uma percepção, uma consciência do tempo – perspectiva que torna possível se falar de tempo psicológico, subjetivo, ou de tempo imaginário”(p.52). Estariam as duas perspectivas inter-relacionadas, porque são modelos de percepções, exteriores a elas, criando, dessa maneira, a referência e a interpretação.

Cria Elmar Carvalho a dimensão de um tempo imaginário, assinalado pela imprecisão (não seria inexata a linguagem do corpo?) de uma forma particular de entretenimento, ao se remeter à idade cronológica do personagem-protagonista Marcos e às ações que se relacionam de modo individual à cada fase das vivências desse  personagem. Cria um movimento que traduz as transformações do corpo físico e da geografia social e humana. Nessa tarefa, cada capítulo funciona como uma digressão a aspectos particulares da memória, que, não obstante pareçam desconectados em algumas passagens, vão gradativamente estabelecendo o vínculo causal, responsável não somente pela unidade temático-discursiva, mas também, e sobretudo, pela dimensão estética do texto. Ela é alcançada pelas descrições, em detalhes, de aspectos culturais sobre um “modos vivendi” específico como elemento de sociabilidade, o mundo dos antigos cabarés. Para atingi-lo, emprega a repetição intensa de episódios relacionados à descoberta do sexo, realçando-lhe os significados.

Nesse processo, o narrador leva o leitor, independente do foco que escolhe para contar, a questionar o que é o belo, a sentir as pulsações da adolescência sobre o corpo, a vasculhar a ousadia e os temores da frequência às casas de sexo, a conhecer e relembrar os rituais de comportamento que antecediam ao ato sexual, a mergulhar nas curiosidades, satisfações e decepções despertadas pelo amor. Conduz, ainda, o que é enfatizado pela voz que conta como fundamental para a narrativa, ao universo de Évora, uma fusão de Parnaíba e Campo Maior, conforme diz o autor, em nota de advertência.

Aqui está retratado o perímetro central de ambas as urbes, em sua atmosfera de encanto arquitetônico:

“Na Rua Grande, (...) havia os sobrados mais antigos e os luxuosos chalés e palacetes de seu apogeu comercial, da época áurea do extrativismo, da industrialização do pó da carnaúba, da maniçoba, do jaborandi, da oiticica, do algodão e do óleo de babaçu” (P.75)

“Velhas casas solarengas, vetustos sobrados, antigos casarões em estilo colonial (...) a 150 metros da matriz (...) a Zona Planetária” (p.76)

E assim se constroem as Histórias de Évora. Histórias de prazer, ruínas e sonhos, que a marca indelével do tempo e da oralidade vai tratando de passar adiante, pelo ouvido das portas e janelas e de textos que procuram traduzir a alma e a essência do que permanece para sempre. A alma e a essência de uma gente. Ouçamos o que portas, janelas e desejos têm a dizer...

(*) Palestra pronunciada pelo professor, escritor e poeta Dílson Lages Monteiro, membro da Academia Piauiense de Letras, no auditório do SENAC, em Campo Maior, no dia 07/07/2017, por ocasião do lançamento de Histórias de Évora, em cuja solenidade também foi lançada a obra A Menina do Bico de Ouro, da autoria de Raimundo Lima.  
 
Postado no Blog do poeta Elmar Carvalho em 12 de julho de 2017.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

COMENTÁRIO SOBRE HISTÓRIAS DE ÉVORA



Caro irmão amigo Elmar.

Com alegria e prazer recebi o livro HISTÓRIAS DE ÉVORA. Li vários de seus capítulos no seu Blog e, creia, muitas vezes me vi inserido no contexto de algumas passagens, relembrando a minha adolescência em Teresina. Em outras passagens parecia estar vendo paisagens de sua querida Campo Maior, algumas da Parnaíba e, além mais, Piracuruca que visitei algumas vezes nas férias escolares quando meu saudoso pai, Hermes Dias Pinheiro, era Chefe do Posto Fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda, no povoado Alto Alegre, Naquela época, dizia-se que a finalidade da fiscalização era para inibir o contrabando de cera de carnaúba para o vizinho estado do Ceará, de cujo porto marítimo era exportado para a Europa e Estados Unidos como produto da terra alencarina. Bons tempos, belos dias banhando nas águas dos rios Parnaíba, Piracuruca e Jenipapo, aprendendo a nadar precocemente. Aprendi, também, a dançar, diga-se de passagem, não muito bem, como soe acontecer até hoje, apesar das boas mestras que tive, incluindo as primeiras namoradas.
Tenho certeza que, agora, irei devorar o seu livro comprazer e nostalgia da aurora da minha vida que os anos não trazem mais, com a permissa vênia do grande vate do romantismo brasileiro Casimiro de Abreu.
 
Os afazeres da inatividade levam a culpa do atraso da minha manifestação.
Com o abraço do seu leitor e admirador.

Orlando Martins Pinheiro

Teresina, 04.07.2017.
Postado por  Blog do Poeta Elmar Carvalho 

PRÉDIOS HISTÓRICOS DE PARNAIBA

 


Castelo do Tó ou Castelo Maracujá chama atenção pela sua arquitetura medieval

O castelo do Tó teve sua construção iniciada em 1935 por Antonio Clark, o Sr. Tó (Foto: Walter Fontenele)
O engenheiro Antonio Castello Branco Clark, o Sr. “Tó”, como era chamado um dos quatro filhos do magnata James Clark, então dono da famosa Casa Inglesa, da antiga rua Grande, hoje Avenida. Getúlio Vargas, foi um dos parnaibanos mais ilustres.
Falava fluentemente alemão, inglês, francês e espanhol. Formou-se na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, morou em Manchester na Inglaterra, esteve em Nova Iorque, pelo Stevens Instituve de tecnology de Engenharia e Mecânica e conheceu vários países da Europa.
Em 1931, Antonio Clark, o Sr. Tó, abandona a profissão de engenheiro e resolve se dedicar ao comércio, como sócio e dirigente da Casa Inglesa, fixando residência definitiva em Parnaíba.

Consta que sua mãe teria insistido várias vezes, que ele fosse morar com ela no seu sobrado inglês. Mas invés disso, ele preferiu construir sua própria residência.

Foi então, que em 1935 ele, o Sr. Tó, por ser um homem bastante viajado, idealizou a construção de sua casa, inspirado na cultura medieval europeia. A obra durou quatro anos sob responsabilidade do mestre Benedito Melquiades de Farias. Ao ser concluída a casa, o Sr. Tó a Batizou de Castelo do Maracujá. Mas ao longo do tempo ela tornou-se conhecida como Castelo de Tó.
Historicamente falando, foi a primeira residência do Piauí a ter uma piscina com capacidade de 50m³.

Fonte: O Piagüi (extraído da página pessoal de Walter Fontenele) | Edição: Jornal da Parnaíba

sexta-feira, 7 de julho de 2017

POESIA


A MENINA DA PRAÇA


Foto meramente ilustrativa
Antonio Gallas

 

Menina que passa

Com graça,

Na praça,

(Na Praça da Graça),

Fazendo arruaça

Em meu coração.

 

Menina charmosa,

Dengosa,

Travessa,

De olhar inocente,

Menina carente

De amor e afeição.

 

Menina tão pura,

É toda ternura!

A mão estendida

Pedindo a todos

Um pedaço de pão.

 

Menina da praça

Tão cheia de graça!

Não tem rumo certo,

Mas tem a certeza

Que um dia a tristeza

Vai lhe abandonar.

 

Menina da praça

De olhar tão tristonho

Sequer sei seu nome

Mas sei que tem fome...

Te  vejo menina

Sorrindo em meu sonho.

 

Um dia da praça

A menina sumiu...

E a Praça da Graça

Sem graça dormiu...

 

 

 

sexta-feira, 30 de junho de 2017

ARRAIAL DA FUNDAÇÃO RAUL BACELLAR

DIA NACIONAL DO BUMBA MEU BOI

Vice-governador do Maranhão homenageia o Dia Nacional do Bumba meu Boi

Carlos Brandão é o responsável pela criação da lei n 12.103/2009, que é originária de um Projeto de Lei criado por ele quando atuou como deputado federal.

 
Foto: Reprodução
O vice-governador do Estado, Carlos Brandão, publicou um vídeo em suas redes sociais homenageando o Dia Nacional do Bumba meu Boi, que é comemorado nesta sexta-feira (30). Carlos Brandão é o responsável pela criação da lei n 12.103/2009, que é originária de um Projeto de Lei criado por ele quando atuou como deputado federal. A lei instituiu o dia 30 de junho como a data em que é comemorado o Dia Nacional do Bumba meu Boi.
Bumba Meu Boi é uma das festas folclóricas mais tradicionais do Brasil. A festa mistura danças, músicas, teatro e circo. Em cada parte do país, o boi tem um nome diferente: Boi-Bumbá, no Amazonas e no Pará; Bumba-meu-boi, no Maranhão E Piauí; Boi Calemba, no Rio Grande do Norte; Cavalo-Marinho, na Paraíba; Bumba de reis ou Reis de boi, no Espírito Santo; Boi Pintadinho, no Rio de Janeiro; Boi de Mamão, em Santa Catarina e boizinho no Rio Grande do Sul.
Confira o vídeo publicado pelo vice-governador:

quinta-feira, 29 de junho de 2017

ALUÁ...




PÁDUA MARQUES (*)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
                     

alua1

Neste finalzinho de junho, mês de Santo Antonio, São João e São Pedro, minha irmã cozinheira resolveu depois de três anos de recesso fazer aluá, conforme tradição de nossa casa de Parnaíba. Aluá aqui em casa tem de se fazer em pote bem grande, coisa acima de vinte litros. Que é pra se beber até ficar de bucho quebrado. Isso sem contar nas cortesias pra alguns amigos de tempos passados e outros curiosos porque ouviram falar da tal bebida e querem experimentar.
E no dia de São Pedro, o santo que fecha o mês junino com suas boas festas, lá estamos nós de casa nos empanturrando de aluá, bolo de milho e de goma como se fazia nos bons tempos quando mamãe era viva. Tem gente, esse pessoal de hoje metido a ser americano, que arrenega só de ouvir falar de aluá, assim como quem foge com medo do cão! Dizem que fede a coisa podre, a esgoto e a vômito de menino. Realmente não é bebida pra qualquer bico.alua2
Aluá é bebida da mais alta tradição. É uma verdadeira ciência, o seu preparo. Bem que deveria ser tese de doutorado nesses cursos superiores pelo Nordeste, assim como a tapioca, a farinha de puba, o bolo frito, o guisado de tatu, o beiju, a farinhada. É no meu entendimento uma forma de levar pra universidade a riqueza de nossas raízes. Hoje poucas cabeças ainda conseguem lembrar a fórmula, a receita de preparo. Coisa de guardar debaixo de sete chaves. Fórmula secreta, uma alquimia. Mês de junho e casa que não tenha aluá nem me convidem!
Iniciei tomando aluá mandado de cortesia da casa de dona Tomásia, uma negra doceira afamada na rua James Clark, mulher de João Surubaca, ele descendente e representante mais ocidental da dinastia dos Macaés, do Catanduvas. Depois minha mãe deu pra fazer mesmo em casa. Aluá é bicho cheio de nove horas pra se fazer. Vou aqui contar por alto como é o preparo. Pra um pote de vinte litros a gente tem de torrar uns três quilos de milho seco. Não pode deixar o milho virar pipoca!
alua3Depois quebra no pilão. Despeja no pote com a água acrescentando uns dentes de gengibre amassados, cravinho e uma porção de farinha amarrada numa espécie de trouxinha. Esta farinha é pra azedar a bebida. Tem região no Nordeste onde se usa o pão dormido. Depois de uns três dias quando se começa a sentir um cheiro de azedo a gente acrescenta a rapadura, umas vinte e das pequenas. Mas antes, enquanto o pote está coberto não é nem pra se passar perto. Se mexer antes do tempo desanda tudo.
Nesse tempo o aluá é retirado do pote, separado daquela espécie de cascalho de milho e se coloca em garrafas, enfim nas vasilhas menores. A gente pode beber natural ou gelado. Eu não posso passar um São João que seja sem beber aluá. É igual russo por vodca, o italiano por macarronada e o português pelo bacalhau. E a gente, não eu, tem essa vergonha de exibir nossa culinária, nossa bebida, nossa cachaça, porque acha que é coisa de gente do mato. Como se todo mundo aqui tivesse nascido na Suíça!

PÁDUA MARQUES (*)Jornalista, escritor, membro da Academia Parnaibana de Letras/ cadeira 24.
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 

A PROVINCIA DOS TREMEMBÉS


 

                Mais uma obra do escritor Diderot Mavignier foi lançada em Parnaíba.  A Província dos Tremembés, um livro que trata da participação dessa nação indígena na história dos colonos lusos no Norte, mais precisamente nas capitanias do Ceará, Piauí e Maranhão. O lançamento foi na terça feira 27 no Castelo de Eventos da Praça Mandu Ladinho e contou com a presença de pessoas da sociedade, autoridades e da imprensa local.

                O evento que estava marcado para ter início às 19:30 horas,  aconteceu  com quase uma hora de atraso,  em virtude de que o prefeito Mão Santa havia confirmado sua participação.

                 A solenidade iniciou-se, como de praxe,  com a composição da mesa de honra que foi constituída apenas  pelo autor da obra Diderot Mavignier, pelo prefeito de Parnaíba dr. Francisco de Moraes Sousa, pelo presidente da FECOMÉRCIO Valdeci Cavalcante  e pelo Procurador da Justiça  aposentado ,  dr.   Nicodemos  Alves Ramos.  Mais tarde o cerimonial  chamou para a mesa dr.  Israel Nunes Correia, chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal  e mais adiante o superintendente de cultura Teófilo Lima.

                LÁPSO OU DESRESPEITO ?        

                Causou estranheza e foi motivo de comentários entre os presentes, o fato do Cerimonial não ter convidado para a mesa de honra o presidente da Academia Parnaibana de Letras,  Dr. Antonio de Pádua Ribeiro dos Santos, que estava na solenidade.  Para alguns foi apenas uma falha do cerimonial, mas para a maioria foi uma falta de respeito para com a maior instituição cultural da Parnaíba, a APAL e uma das mais importantes do Estado.

                Após os longos  discursos,  foi servido um coquetel aos convidados e o escritor procedeu então ao  autografo  dos livros adquiridos.
 
                 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

LUTO EM TUTÓIA - FALECEU MESTRE ANANIAS

Nossos sinceros sentimentos ao caro ANANIAS SANTOS, nos deixa exatamente no momento das festividades juninas, algo que muito apreciava. A Cultura e o município de Tutóia perde um mestre do nosso arraial. Ele se iguala a Elza do Caroço, a Antonio José Neves e tantos outros grandes nomes de nossa cultura. Que Deus conforte seus familiares.


José de Ananias Pereira dos Santos, nasceu em 11 de Junho de 1954, em Paulino Neves, na época povoado do Município de Tutoia–MA. Filho de José Neves dos Santos e Maria Izabel Pereira dos Santos. Ananias veio morar na cidade de Tutoia aos 4 anos de idade. Seu pai, que era pescador e sua mãe doméstica, começaram a buscar por estudo para seus filhos. Nesse período o acesso à escola era difícil, pois existiam poucas na cidade. Foi matriculado na escola “Carmela Dutra”, teve como primeira professora sua tia Paula Neves, onde ficou desde a antiga cartilha até o 3º ano.

Após 1 ano parado por falta de vagas, foi aprovado em um seletivo na escola Unidade Integrada “Casemiro de Abreu”, onde fez até o 5º ano. Foi um dos primeiros alunos a estudar no Centro Educacional “Presidente Castelo Branco”, 1º e 2º Graus. Lá terminou o ginásio e fez o Magistério. Passou a exercer o cargo de Professor de história, em 2006 após conclui o curso superior em Licença Plena em História (UESPI).

Ananias tem um legado na cidade de Tutoia. Foi professor e diretor do Centro Educacional “Presidente Castelo Branco” Foi um dos criadores, juntamente com seu amigo Francisco Sousa, o Popular “Chico da CAEMA” e a Professora Creuza Maria, da Bandeira de Tutoia, onde foi o idealizador do Brasão de Tutoia. Foi um dos autores do livro “Tutoia e seus Folclores”. Foi secretario de Cultura Esporte e lazer. 
Ananias é casado há 38 anos com Maria Myrtes e tem 4 filhos. Hoje é aposentado e se dedica ao artesanato como passatempo.  
Eis aí apenas um resumo de tudo que este cidadão produziu para a história de Tutóia, e em vida, de forma digna será o Tema e a Homenagem do ano do Bozinho Precioso 2015!!!



Veja Abaixo a Toada em sua Homenagem:


Boi precioso

Para sempre vou te amar.


Homenagem “ANANIAS SANTOS”
A arte é sua vida, tio Zé Neves, sua inspiração...
Cultura lhe contagia boi pelado, é sua criação...
Ananias, Santo é teu nome, tua história está nos traços do Brasão,
Sua alegria se transforma em poesia, bumba – meu – boi, caroço é tua emoção.

Praia da Barra é seu painel na beira do mar,
No Bairro da Barra sonho de criança foi realizar,
Boi precioso o seu nome vai aclamar,
Vamos juntos cantar...

Ananias, Santo é teu nome, tua história está nos traços do Brasão
Sua alegria se transforma em poesia, bumba – meu – boi, caroço é tua emoção.

Homenagem do Boi Precioso em 2015
Autor: (Branco Bond)


A bandeira de Tutóia foi idealizada por uma comissão nomeada pelo prefeito Dr. Merval de Oliveira Melo e integrada pelos professores: Francisco das Chagas Sousa e José de Ananias Pereira dos Santos. Foi oficializada pelo Decreto de 28/01/1.981, sob o nº 56-ª

Os idealizadores optaram pelo chão da bandeira de cor amarela, numa representação das praias e dunas do litoral tutoiense, cujos coqueiros lhes servem de ornamentação à paisagem, quebrando a aridez litorânea, com suas palmas verdes e onduladas, movidas pela brisa marinha.