JOGO DE DAMAS
Em noite ventilada na
city of Teresina (acredita?), metrópole piauizeira, acontece a Festa de Natal
dos servidores do SEBRAE/PI. Dez em ponto e o maestro inicia o batuque. Os
presentes solvem goles etílicos, na tentativa de afrouxarem o “parafuso central”,
peça (ir)responsável pela “coragem” de requebrados e trejeitos dos dançarinos.
Lá pras tantas e quantas, os casais unidos, ambos os dois, um sentindo o
fungado no pé da orelha do outro, vão dominando o salão, demonstrando suas
capacidades bailarinêscas. Mas enquanto uns bailam, outros só tomam coragem, e,
neste momento, Samuka do Litó levanta-se, respira fundo e vai “in front of di. Sarta fora o palavreado e convida a 1ª dama
pra dançar:
- bailas comigo?
- não posso estou com um pé machucado.
O heroico vilão não desiste e parte pra 2ª dama.
- permita-me esta parte do baile?
- não sei dançar.
Mesmo já zangado, enfrentando a 3ª dama, e com o sorriso já amarelo tifoide,
diz:
- vamos dançar?
- não posso, estou cansada.
Neste momento nosso
retratado procurou uma moeda nos bolsos pra ofertar a recusante, como forma de
ajuda para pagar sua passagem de ônibus. Ainda bem que não achou.
Samuka do Litó volta ao
bar, bebe mais umas. Conversa um pouco, novamente respira fundo, toma mais
coragem e olhando as personagens festivas avista uma linda loura. Pensou:
será ela a minha dançarina?
Aproximou-se da 4ª dama e
foi logo dizendo:
- permita-me bailar aos seus braços?
- não estou dançando nem com meu noivo.
- mas ele não está nem aqui.
- está sim. Está no meu coração e nos meus pensamentos, palavras e obras.
Samuka insistia pois sabia
que era seu último jogo, entretanto o bela jovem continuava a dar as mais belas
desculpas esfarrapadas.
Já zangado nosso Belo Di Jú disse;
- tudo bem, mas se você dançar com outro eu faço o maior escândalo. Viro
bicho.
Desolado o Jogador de Damas voltou e “se-assentou-se” à mesa, tratando de
encher a cara de cima.
É amigo Samuka o jeito é
você aprender a jogar xadrez, pois de damas pouco entendes.
Enquanto isto as meninas do
SEBRAE reclamam que ninguém as tira pra dançar.
Moral da estória:
“Não deixe de montar no cavalo selado, ele pode não passar uma segunda vez”.
Parnaíba, 05 de janeiro de 1999
Xikin Karwalho

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