Mostrando postagens com marcador PRODAMOR E OUTROS CAUSOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PRODAMOR E OUTROS CAUSOS. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de novembro de 2016

CAUSOS DO PRODOMOR


O Carango da Quite
Antônio Gallas
                                  
                            
         Meu sobrinho Prodamor passou uma temporada no Rio de Janeiro. Pouco mais de um ano, mas foi o suficiente para aprender um pouco da gíria e da malandragem do carioca. Como todo nordestino que se preza, Prodamor voltou do Rio, cheio de gírias, arrastando a voz para imitar o sotaque carioca. Um pouco do que aprendeu na Cidade Maravilhosa. Antes de retornar, ligou para a família a fim de avisar que estava de regresso. Quem atendeu ao telefonema foi seu Hipólito, pai do Prodamor.
         Escuta aí ô coroa, diz Prodamor. Tô batendo esse fio, prá avisar prá patota que to abrindo no rumo daí. As coisas aqui não tão muito boas, não! Vou pegar o buzu na Grande Rio, amanhã, bem no cagar dos pintos. Vou de buzu porque a bufunfa tá curta e não dá prá pagar a passagem de asa dura. Pega  o carango e vai me esperar na rodô  da  Parná, no sábado pela manhã”.
         Seu Hipólito ouviu, entendeu, mas não gostou. Muitas gírias que ele não estava acostumado a ouvi-las.
         Quando Prodamor chegou foi aquela festa. Abraços, beijos, todos curiosos para saber que presentes ele havia trazido.
         No Domingo, Prodamor levantou cedo, preparou um sanduba, tomou café, esperou seu Hipólito sair dos aposentos e lascou:
­­         Ô velho, descola aí o carango, que vou pegar uma praia na companhia de uma minas e depois tomar uns birinaites e como você sabe né broder, não dá prá ir de pevete, só de pé-de-borracha, morou”?
         Seu Hipólito fazendo das tripas coração para não perder a calma e mandar um direto nas fuças do Prodamor, pacientemente respondeu-lhe:
         “Infelizmente, hoje, não posso lhe arranjar o carango meu filho, pois vai estar à disposição da Quite”.
 

 “Que Quite?” Indagou Prodamor...
Calmamante, seu Hipólito respondeu: “a qui ti pariu, fela da puta”!!!
 
 

domingo, 23 de outubro de 2016

CAUSOS DO PRODAMOR


            Uma decisão Supremo Tribunal Federal tornou ilegal a vaquejada no Estado do Ceará. Consequentemente a medida se estenderá aos demais estados do Nordeste. Assim como a farra do boi em Santa Catarina (que também foi proibida) faz parte da cultura catarinense, a vaquejada faz parte da cultura nordestina, só que com uma diferença: na farra do boi o animal é maltratado até à morte e sua carne não pode ser aproveitada.

            E o que dizer das lutas de Box, das MMAs (artes Marciais Mistas), dos UFCs (campeonatos de combates de luta) que se espalham por este Brasil afora?

Nessas competições os competidores não parecem seres humanos, mas sim animais brutos que batem e apanham, apanham com direito a sangramento e tudo...

            A vaquejada é o segundo esporte mais popular do Nordeste. Só perde para o futebol. Gera emprego e renda. Cerca de 720 mil empregos diretos e indiretos e movimenta mais de 600 milhões de reais por ano, segundo as estatísticas. O Tribunal justifica que os animais são maltratados. Todavia, a Associação Brasileira de Vaquejada com sede em Fortaleza (CE),

defende a prática e alega que as competições adotaram novas regras para proteger os animais. Os bois usam agora um protetor nas caudas, é proibido usar chicotes e esporas e qualquer ferimento no animal, é motivo para desclassificação.

            Por conta dessas notícias sobre a proibição da vaquejada lembrei-me que certa vez meu sobrinho Prodamor meteu-se numa enrascada durante uma festa que acontecia na região do Magu, após uma vaquejada. Vamos então ao causo:

 

 

O AMANSADOR DE BURROS

Antonio Gallas

 

 

            Meu sobrinho Prodamor parece ter nascido fadado a lhe acontecerem causos engraçados. Engraçados e desastrosos. Seriam trágicos se não fossem cômicos.
                                                                                                                                                                   Acabo de lembrar-me de um episódio desastroso que lhe aconteceu num mês de junho durante uma festa em homenagem a São João, na região do Magu, no sertão maranhense.

Tudo tinha sido preparado para a grande festa de São João. O pátio da “Fazenda Boa Esperança” estava todo embelezado com bandeirinhas coloridas de papel de seda. O pau de sebo com uma cédula de dez cruzeiros na ponta era a atração maior da molecada que aguardava ansiosa a hora de disputar o prêmio. Tão logo anoitecesse seria acessa uma grande fogueira e a festança animada iria começar ao som de sanfona, zabumba, triângulo e pandeiro.                                                                                                                                                                    

Coronel Cazuza, rico fazendeiro da região, realizava todos os anos essa grande festa em homenagem a São João como paga de uma promessa feita ao santo. Abatia várias reses gordas para a alimentação dos convivas. Comida e bebida de graça, não faltava, para todo mundo.

Há tempos bons aqueles! Tempos de muita fartura!

Cedo começaram a chegar os convidados. Gente de toda redondeza. Desde as encostas do Magu até dos altos sertões do Brejo de Anapurus.

À tarde a famosa e tradicional vaquejada, onde dois vaqueiros competidores montados a cavalo tinham que derrubar um boi puxando-o pelo rabo entre duas faixas de cal, previamente marcadas.

E foi aí que por acaso apareceu o meu sobrinho Prodamor armado com um grande punhal à cinta e uma pistola de cano longo que deixava à mostra para que todos a vissem. Começou a meter pinga e a contar bravatas. Tudo mentira, pois, no fundo no fundo, Prodamor era um frouxo. Mijava e cagava nas calças de medo.

Mas, o coronel Cazuza que não o conhecia e vendo-o com cara de bandido e pinta de valentão temeu que ele viesse a formar um sururu e estragar sua festa. Preparou-lhe então um plano diabólico. Uma cilada.

            Existia na Fazenda, o Furacão, um burro indomável. Um assombro! Tanto pulava, como mordia; dava coices e peidava. Já havia derrubado experientes e hábeis amansadores de animais. O bicho nem carga aceitava. Jogava tudo à grande distância. E tome coices e tome dentes... Era o terror da fazenda!

            Coronel Cazuza mandou buscar o burro e amarrou o bichinho num canto da cerca em frente ao pátio da festa. Enquanto isso, Prodamor continuava enchendo a cara de pinga, contando suas valentias, aumentando suas estórias de valentão à medida que iam chegando as caboclas faceiras, com vestidinhos de chita estampada, com flores no cabelo, para embelezar a grandiosa festa daquela noite banhada por uma lua de prata admirável.

                                                                                                                                                     Aproveitando um momento em que Prodamor, no centro da latada, cercado de moças e rapazes, contava suas valentias, Coronel Cazuza aproximou-se e disse:

- Meus senhores e minhas senhoras. Muita atenção para o que eu vou dizer: Aqui ao meu lado está o maior amansador de burros do Magu. É o cabra mais valente e destemido destas redondezas. Botou dez soldados para correr, e com uma só bofetada, matou uma onça. É como eu disse, o maior amansador de burros da região, repetiu com ênfase:

-Tragam o mais bravo de todos os burros que eu mostrarei quem eu sou.

- Seu Fulgêncio, disse o Coronel, traga aquele burrinho cardão para o seu Prodamor dá uma voltinha aqui no pátio e alegrar essa gente.

E lá vem o cardão, aparentemente manso.

Prodamor coloca as esporas nos calcanhares, chibata metida no punho, chapéu de couro preso ao pescoço por um barbicacho, e com um aceno de mão saudando aos presentes, montou no burro.

Momentos de expectativa. O burro sai caminhando devagarzinho e na primeira esporada o animal deu três pulos, levantou o rabo, peidou e num piscar de olhos jogou o pobre coitado do Prodamor ao chão que se levantou cabisbaixo levando as vaias da plateia.

- Eu só queria... Eu só queria..., dizia ele, eu só queria saber quem foi esse filho de uma égua que disse que eu era amansador de burros.

 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016


PROMESSAS DE CAMPANHA
Antonio Gallas

Campanha política é um prato cheio para quem quer contar um bom causo.
Durante o período eleitoral acontecem fatos inusitados tanto por parte dos candidatos como também dos eleitores.  

Lembro-me de um candidato a vereador que era “dentista prático”, e sabedor que os eleitores iriam pedir dentaduras, já levava consigo um saco cheio de “pererecas” (próteses dentárias) quais tinham sido fabricadas por ele próprio.
Ao chegar à casa do eleitor era só meter a mão no dito saco e a pessoa ficava experimentando, como quem experimenta um sapato, até encontrar a dentadura que mais se encachava na sua gengiva.     
Mas, além das promessas feitas pelos candidatos, os eleitores também aproveitam para pedir. E como pedem!... Pedem coisas até impossíveis de serem dadas.
Esses fatos inusitados que acontecem durante uma campanha política, com um pouco de imaginação e uma pitada de humor, pode-se levar o leitor a dar boas gargalhadas como os que vou narrar.

 Em minha cidade natal, Tutóia no Maranhão, quando prefeito o doutor Merval de Oliveira Melo formalizou, junto à Santa Casa de Misericórdia em Parnaíba, um convênio para que fossem feitas cirurgias de períneo em senhoras encaminhadas pela prefeitura daquela cidade.
Um rapaz de aproximadamente dezessete anos, residente em povoado do interior do município, de tanto ouvir falar que o prefeito estava dando períneo dirigiu-se ao chefe do executivo e com aquele jeito matreiro de morador do interior, voz encabulada, pediu: - seu doutor Merval, me dê também um períneo!...
                 Os políticos à cata de votos prometem o que podem, e o que não podem cumprir. Uns cumprem suas promessas, outros não. Isso me faz lembrar o que aconteceu com meu sobrinho Prodamor que ganhou algum dinheiro em São Paulo e voltou a sua terra natal onde se estabeleceu como comerciante.
Mas, o que tem o Prodamor a ver com eleição?
Como disse antes, ao retornar de São Paulo à sua terra natal, com o dinheiro economizado na grande pauliceia, Prodamor montou um pequeno comércio de compra e venda de produtos alimentícios. Progrediu nos negócios e em pouco tempo tornou-se dono de um grande supermercado. Desses, tipo loja de departamentos, que vendem desde o sabão em pó até bicicleta Monark.
Como acontece em toda cidade pequena, Prodamor foi logo convidado a participar de eventos sociais. Associou-se ao clube local e participava intensamente da vida social da sua terra. Passou a ser respeitado e admirado pelos seus conterrâneos dado à sua habilidade em conduzir seus negócios, que progrediam cada vez mais.
Agora, é que começa a desgraça do meu sobrinho.
 Aconselhado por amigos (?) candidata-se a prefeito. Durante a campanha promete coisas e mais coisas aos eleitores.
 Perde as eleições, mas mesmo assim quer honrar os compromissos assumidos, as dívidas, as promessas, pois pretende ser candidato na próxima eleição.
Começa então a distribuição dos objetos prometidos: um fogão a gás pra um, uma bicicleta pra outro, uma equipe e uma bola de futebol para o time...
 E Prodamor vê seu comércio desaparecendo da noite para o dia.
O povão na porta, todos os dias, cobrando o que fora prometido.
Prodamor já não sabe mais o que fazer. Baixa as portas do estabelecimento e tenta refugiar-se em sua casa. De repente, na sala, depara-se com um rapaz que com as mãos suspensas a altura do rosto fazia insistentemente um gesto com os dedos indicadores e médios curvados formando a letra “O” apontando para ele.
 Desesperado, Prodamor chama sua secretária e exclama: - “vê aí menina, se eu prometi dar o meu efe ó fó” para esse homem”?
O rapaz era mudo e queria apenas receber o par de óculos que lhe fora prometido.






domingo, 15 de maio de 2016

PRODAMOR E OUTROS CAUSOS


 

  
DONA MARIA DA GLÓRIA

 
Antônio Gallas
 

Meu pai, o comandante Moysés Pimentel, e minha mãe, dona Zilda Galas Pimentel, quando se aposentaram, ele como oficial da Marinha Mercante e ela, como funcionária pública do então Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis – DNPVN, (antiga Comissão de Obras e Estudos do Rio Parnaíba), resolveram morar em Tutóia, no estado do Maranhão. Compraram uma casa, umas pequenas porções de terras, algumas cabeças de gado para progredirem na vida nova que estavam iniciando.

O Sr. Moysés Pimentel exerceu diversos cargos na vida pública tutoiense, entre eles o de delegado de polícia por diversas vezes, pois, sempre que ocupava a função, a exercia com respeito, integridade e acima de tudo com honestidade. Era um delegado respeitado, tanto assim que recebeu Menção Honrosa que lhe foi entregue pessoalmente pelo Exmo. Sr. Secretário de Segurança da época, o então Ministro Cícero de Neiva Moreira.

Meu pai, observando a inteligência de Prodamor, que nesse tempo veio morar conosco, arranjou-lhe o emprego de escrivão de polícia, para que com o salário ganho, ele pudesse comprar suas coisas sem ter que pedir aos outros.

E, pois não é que o danado do Prodamor saiu-se bem, na função de escrivão? Caprichoso como era, estudava com afinco a língua pátria para não cometer erros de português ao redigir certidões, atestados, etc...

Naquela época não existia Médico legista em Tutóia (hoje, também ainda não existe) e quando ocorria algum crime que necessitasse ser feito um exame de corpo e delito, o delegado nomeava uma comissão composta pelo escrivão, pelo chefe da estatística (IBGE), pelo administrador da mesa de rendas (Receita Federal) e por mais uma ou duas pessoas idôneas da cidade.

Aconteceu, então, um ato de defloramento ou tentativa de estupro que foi parar na delegacia. O acusado defendia-se afirmando que não chegou a consumar o ato. A vítima, Maria da Glória, nada dizia, pois era muda. Apenas a mãe falava fazendo um grande alarido jogando impropérios no acusado.

O delegado, como de praxe, constituiu a comissão para fazer o exame e que depois de concluído, meu sobrinho Prodamor apresentou o laudo pericial com a seguinte redação:

“Vendo e revendo as partes pudendas de dona Maria da Glória, atestamos que a mesma é virgem na hora. Entretanto, observando-se no alto de sua “crica” encontrei manchas arroxeadas, que tudo me faz crer, foram “muradas” de pica.”

domingo, 8 de maio de 2016

PRODAMOR E OUTROS CAUSOS

BROCHAR OU BROXAR?
Antônio Gallas

               Não importa a grafia, mas esta pequenina e dissilábica palavra quando pronunciada apavora qualquer homem, até mesmo  um jovem em pleno vigor de  sua virilidade. 
               Falar em broxar é como se o demo saísse das profundezas dos infernos pra espetar a bunda  dos homens com aquele seu ferrão quente.
               Os machões, os garanhões, nunca narram as broxadas que deram. Contam apenas vantagens, mesmo que não sejam verdadeiras. "Fulano disse que  deu três ontem a noite". Mas três o que?
               Muitos são os motivos que podem levar o homem a fracassar na hora H e passar um vexame, uma vergonha diante de sua parceira. O cansaço, o stress, a preocupação, o nervosismo podem estar relacionados ao nosso desempenho sexual, entretanto,  na minha opinião,  a principal causa é a ansiedade. Às vezes ficamos tão preocupados com nossa performance sexual que no momento exato  somos levados ao fracasso, o que é constrangedor, vergonhoso e deprimente para o homem. Aí vem a famigerada desculpa :  isso nunca aconteceu antes!...
               Ao ler o terceiro capítulo do romance Histórias de Évora de autoria do poeta e escritor Elmar Carvalho, quando Marcos,  um dos personagens do romance teria sua iniciação sexual com uma profissional do sexo da chamada ZBM (Zona do Baixo Meretrício) da cidade de Évora lembrei-me do meu sobrinho Prodamor quando broxou pela primeira vez.
               Nas décadas de 60 e 70 meu sobrinho Prodamor morava em Teresina. Na Rua da Estrela, hoje Rua Desembargador Freitas. Esquina da Rua Area Leão, no centro da capital piauiense. Nessa época menores de idade não tinham acesso aos cabarés ou boates da famosa rua Paissandu e imediações devido rigorosa vigilância das Polícias Militar, Civil e ainda tinha a Policia Estudantil comandada pelo Centro Estudantal Piauiense entidade que representava a classe estudantil à época.
Se algum menor fosse encontrado na ZBM era preso, comunicado aos pais, e o resultado  pode-se imaginar... A sova que levariam dos pais. Sim, naquela época os pais podiam punir seus filhos. Não era constrangimento. Era educação!
               Pra não ficar só na bronha,  a negradinha (como diz o professor Alprim Amorim) procurava  soluções alternativas, ou seja aqueles lugares  e horários em que a polícia não fazia ronda.
               Existiam em Teresina, nas proximidades da estação ferroviária e arredores do 25 BC, algumas profissionais do sexo e que recebiam menores em troca de um sabonete Gessy, um tubo de  pasta Kolynos, qualquer besteira ou até mesmo dinheiro, cédulas de pouco valor como a de dois cruzeiros, uma amarelinha.
               Adentrando-se à área da estação ia-se   até o "moi-de-vara" por trás dos muros do BEC. Era nesse cenário que meu sobrinho Prodamor procurava as mulheres para se satisfazer  sexualmente. Lembro-me bem das irmãs paraibanas que tinham o apelido de "as preciosas" e de dona Raimunda conhecida como pernambucana.  Existiam outras mas não recordo os nomes.
               Nessa época poder-se-ia andar em Teresina a qualquer hora do dia ou da noite sem receios de sermos assaltados. 
               A pernambucana era a preferida do meu sobrinho Prodamor. Numa bela tarde de domingo, após retornar da sessão das 3 do Cine Rex, pegou sua bicicleta Caloi e foi fazer uma visita  a dona Raimunda ( a pernambucana) de quem já era um freguês bastante conhecido. Quando já estava nos preparativos iniciais, no momento da penetração alguém bate à ´porta e com voz alta e estridente bradou:
- Dona Raimunda, a senhora já foi advertida. Continua recebendo "de menor"! Vai preso  a senhora e o menor. Dona Raimunda disse ao Prodamor: - Aguarda aí menino. Eu sei o que ele quer. Em seguida voltou para continuar o serviço. Mas já era tarde e a Inês estava morta, ou seja o pintinho do meu sobrinho estava de crista baixa e não houve jeito de levantar. A pernambucana fez de tudo!. Alisou, acariciou, fez bolo frito... e nada! Nem reza, magia ou hindu tocador de flauta  seria capaz de  levantar o pingulin do Prodamor!
               Nessa época o sexo oral era uma coisa nojenta, repugnante. Mas acho que diante do susto e o medo de ser preso nem isso resolveria. E o meu sobrinho Prodamor broxou mesmo!
               Foi a última vez em que visitou a pernambucana.
 
 

domingo, 17 de abril de 2016

CAUSOS DO PRODOMOR


O CIRCO

Texto de: Antônio Gallas

 

O circo sempre exerce um grande fascínio sobre as crianças. O meu sobrinho Prodamor por exemplo,  extasiava-se  com a performance dos artistas, mesmo  eles pertencendo a  uma companhia mambembe.
Quando garoto, para garantir sua entrada nos espetáculos do “Circo Teatro Água Doce” que constantemente estava em Tutóia no Maranhão, acompanhava, juntamente com um bando de outros meninos, o palhaço “Pirulito” que através de um megafone anunciava as atrações da noite.

“- Hoje tem espetáculo?

 - Tem sim sinhô!

 - Tem marmelada?

 - Tem sim sinhô!

 - E o palhaço o que é?

 - “É ladrão de mulher...” E cantarolando:

“- oh dona Mariquinha, meu cachorro entrou aí?

 - “entrou, entrou e tá  difícil de sair...”

“- Rodei na copa do meu chapéu?

 - “mulher buchuda não vai pro céu...”

 - E arrooocha negraaada!! Arrooocha!

À noite lá estava o Prodamor sentado no “poleiro”, a dar espalhafatosas gargalhadas com as piadas e palhaçadas de Pirulito e Chupetinha. Absorto acompanhava com os olhos o vai e vem dos trapezistas a balançarem-se nos trapézios num aquecimento ao tradicional “voo da morte” e ao “salto triplo” sem as redes de proteção. Extasiava-se com os jogos malabares e embevecia-se com rebolar das cadeiras de Rosa Morena, uma dançadeira de rumba que levava a plateia masculina ao delírio, gingando e rebolando ao som de El Cumacheiro, Ave Maria Lola, Siboney e outras rumbas.

Fascinado com tudo isso, Prodamor desejou ser, um dia, artista de circo. Queria ser trapezista, malabarista, mágico ou palhaço. Queria brilhar na ribalta. Correr o mundo... Conhecer cidades, ser famoso.

Desapontado pelo incidente na casa da namorada, (episódio narrado em edição anterior deste jornal) Prodamor foi esbarrar numa pequena cidade no interior o Maranhão onde encontrou armado um circo. Foi assistir a um espetáculo e lembrou-se de seu tempo de moleque quando gritava o palhaço pelas ruas de Tutóia. Decidiu falar com o gerente e pedir emprego. Logo revelou suas aptidões artísticas e em pouco tempo era o principal astro daquela companhia. O gerente, um velho baixo e gordo, cognominado Juan Pablo, disse que o  nome  Prodomor não soava bem artisticamente e que a partir daquele momento ele seria chamado de Régis Bitencourt em vez de Prodamor.

Para aumentar o faturamento do circo, o gerente promoveu um espetáculo em homenagem à dona Gertrudes, Primeira Dama do município. O prefeito por sua vez bancou o espetáculo daquela noite franqueando entrada para todo mundo.

Casa lotada, o gerente morto de feliz!, anuncia o ponto alto do espetáculo: - Senhoras e senhores, em homenagem à dona Gertrudes, primeira dama deste município, Régis Bitencourt vai dar um “salto triplo” seguido pelo voo da morte, sem as redes de proteção.

Aplausos e mais aplausos, Prodamor, ou melhor, Régis Bitencourt, trajando uma surrada calça de fio-helanca, tão comum  à época,  colada ao corpo e uma camisa de malha tipo regata começa as evoluções no trapézio, quando num momento ao girar por sobre o próprio corpo ouve-se RÁÁÁÁÁÀÀPPPPPP. A calça, de tão velha que estava rasgou na costura do fundo deixando todos os documentos do meu sobrinho à mostra, ou seja, pendurados.

Prodamor, que  até então, não gostava de usar cuecas, a partir deste trágico episódio não dispensa uma “underpents” (cueca)  mesmo que sejam das  do  tipo “samba Canção”.

  


Do livro “Meu Sobrinho Prodomor e outros Causos”.

 

 

domingo, 3 de abril de 2016

CAUSOS


O QUALIRA, O BAITOLA E A RAPARIGA DE TUTÓIA.
Antonio Gallas
 



Quem nunca ouviu alguém chamar outro de qualira ou de baitola? Estas duas palavras que se referem aos homossexuais, gays, veados etc... tiveram suas  origens  nos estados do Maranhão e Ceará respectivamente. Como todas as expressões, adágios ou palavras jocosas que usamos na nossa língua tiveram uma razão de ser, uma origem, essas não poderiam ser diferentes. Sobre qualira existem várias versões de como se originou, contudo com relação a baitola existe apenas uma.  Vamos então às origens:
          O Wickdicionário (dicionário livre) na internet traz a seguinte versão: “termo comum encontrado no Maranhão; de acordo com as pessoas mais antigas do estado surgiu no carnaval, que era basicamente de rua e no qual se apresentavam vários blocos carnavalescos fazendo alegria da população com seus instrumentos musicais e marchinhas de carnaval pelas ruas da capital, São Luís. Dizem que em um desses blocos havia um rapaz afeminado que se destacava por tocar lira (instrumento de cordas dedilháveis ou tocadas com plectro, de larga difusão na antiguidade). Daí sempre que ele aparecia as pessoas gritavam: "la vem ele com a lira" e nisso foi diminuindo a frase "com a lira" até chegar a "qualira". Por ser afeminado o termo foi associado a todos os afeminados do estado. Daí em diante, no Maranhão, todos homossexuais são chamado popularmente de qualira".
Outra versão para qualira é a que apresenta o Dicionário inFormal (SP) também na internet que diz o seguinte: " no Maranhão, recém descoberto no ensino de seus rebentos, e dizem que os moçoilos que optavam pelo instrumento "Lira" e pelo porte avantajado do instrumento no deslocamento com tal peça das camaretas e bandas os ostentavam com dificuldade, pois tinham que apoiar  o peso da mesma na parte lateral da região glútea, acarretando com isso um rebolado e todos gritavam "aí vai um homem(?) com a lira" que por  acrossemia virou coalira depois pejorativamente e de duplo sentido falado qualira.  
Existe ainda mais uma versão de que dois amigos assistiam a uma retreta quando um deles apontou um dos músicos dizendo "aquele aí é viado". Qual?, perguntou ou outro. E o primeiro identificando: "aquele  co'alira" (com a lira). E vai daí...  qualira!
 O certo é que a palavra tem certa relação com o instrumento musical Lira muito usado nos séculos XVII e XIX.
         Já o baitola surgiu na época em que os ingleses estavam construindo as ferrovias no Brasil.  Vamos à história.
Veio designado para ser o Superintendente da Rede Ferroviária do Ceará um engenheiro inglês de nome Francis Reginald Hull, o famoso Mr. Hull (pronuncia-se Mister Ráu) que deu nome a uma das principais avenidas de Fortaleza. Mr. Hull era homossexual assumido, porém muito exigente no trabalho. Por conta de sua rigidez muitos dos trabalhadores da ferrovia (peões) não gostavam dele.
Como se sabe os estrangeiros têm dificuldade em pronunciar certas palavras da nossa língua.  No inglês a letra (I) tem som de ai e a vogal (O ) tem o som de ô (como em ovo). Assim Mr. Hull tinha dificuldade de pronunciar a palavra bitola, que significa a distância entre um trilho e outro. Desta forma sempre que ele ia pronunciar a palavra bitola pronunciava BAITOLA.

 E assim todas as vezes em que ele se aproximava de onde estavam os trabalhadores, estes, que não gostavam da sua rigidez no trabalho  e também pelo modo como eram tratados por ele, diziam: "Lá vem o doutor baitola! “Lá vem o doutor baitola”!

A partir daí, no Ceará a palavra baitola passou a ser associada  ao homossexualismo masculino.
Agora os leitores devem estar perguntando: o que tem qualira e baitola a ver com a rapariga de Tutóia? Nada, mas tem a questão da pronuncia das vogais I e O na língua inglesa conforme foi explicado.
Maria, uma rapariga que vivia a esperar fregueses no Porto de Tutóia (isso décadas passadas na época que Tutóia servia de Porto para o Piauí) caiu nas graças de um mexicano que viajava em um navio de bandeira inglesa. O Chico, como assim era chamado, ensinou a Maria um pouco da língua Bretã inclusive os sons dos vocábulos. Clandestinamente conseguiu leva-la no porão de um navio para uma viagem ao estrangeiro. Em Nova York visitaram os principais pontos turísticos da cidade, inclusive o Empire State Building - um arranha-céu de 102 andares à época considerado o mais alto do mundo. Maria esqueceu-se das lições do Chico e pronunciava as palavras da forma que estavam escritas como se fosse Português.   O Chico pacientemente explicou tudo a Maria novamente... E numa bela noite, ela fala pra ele: “Ô Chaico, traz aai o painaico que eu quero fazer xai-xai”!
O que a Maria queria dizer era: "ô Chico, traz aí o pinico que quero fazer xixi ...”
Do livro "Meu Sobrinho Prodomor e outros Causos"
 
 
 

 
 
 

 
 




quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O LOCUTOR DE RÁDIO


 


 


 


 Resultado de imagem para locutor de radio


 

Neste mês de setembro comemora-se em Parnaíba a Semana da imprensa que por decreto do Legislativo Municipal passa a integrar o calendário de datas do município tendo como o dia 10 de setembro  Dia da Imprensa Parnaibana.

O rádio, mesmo com todo esse avanço tecnológico que fomentou as redes sociais, continua sendo ainda o maior veículo de comunicação de massas, tendo em vista alcançar longas distancias e penetrar nos mais longínquos rincões deste país onde sequer a internet ousa chegar.

Para homenagear aos colegas comunicadores um causo do Meu Sobrinho Prodamor, livro de minha autoria que brevemente será lançado ao meu público ledor.  O nome Prodomor foi inspirado em uma pessoa que conheci aqui em Parnaíba nos anos 60 que se chamava Prodomor de Marimé e Marichá,  que queria dizer Produto do Amor de Maria Amélia e de Mariano Chaves (os pais do Prodomor). Somente lendo o capítulo anterior do livro é que está a explicação da decepção do Prodamor. Oportunamente publicarei. Mas vamos ao causo:

 

 

Envergonhado, Prodamor viu ir por terra a sua carreira de artista. Não mais brilharia nos palcos nem nos picadeiros. Mas ele não desistia, era um bravo! Descobriu que tinha a veia artística e não seria um simples incidente que o faria desistir de um dia ser famoso, conhecido e aplaudido por multidões.

Foi tentar a vida em outra cidade. Desta feita não em um circo, mas numa potente emissora de rádio que tinha a maior audiência na região.

Baseado na sua experiência de locutor de amplificadora de subúrbio, apresentador em circo, e confiante na poderosa voz que possuía, Prodamor submeteu-se a um teste de locução e foi aprovado. Inicialmente faria apenas a leitura das notícias, dos comerciais, das notas de utilidade pública e dos avisos para o interior, um serviço de grande utilidade prestado pelo rádio antes da proliferação dos telefones.

Estava progredindo na nova carreira. Estimado pelos colegas e pelo chefe, e também elogiado pelos ouvintes, apresentaria brevemente um programa de disk-jokey que seria audiência total nas tardes da emissora.

Mas aí, vocês nem podem imaginar o que aconteceu... Quando tudo ia bem, o destino prega-lhe mais uma daquelas... Vejam bem: as notas e os avisos para serem lidos no rádio eram recebidos na portaria em manuscritos e para facilitar seu trabalho de leitura, Prodamor os datilografava, todos, um por um.

Vai que, certo dia, quando datilografava uma nota de falecimento, alguém o interrompeu, desviando sua atenção daquilo que estava fazendo. Ao retornar à tarefa, em vez de pegar o papel da nota de falecimento, pegou o de um convite de festa. E no rádio, saiu assim, para o espanto de todos:

 

Nota de Falecimento

 

A família de Fulano de Tal dos Anzóis Pereira comunica a parentes e amigos o seu falecimento ocorrido na manhã de hoje e convida a todos para seu sepultamento às 17 horas no cemitério da igualdade. “Haverá sorteio de uma caixa de cerveja e uma galinha assada aos que comparecerem a esta animadíssima festa.”