Depois de mais de 50 anos, a Banca do Louro, troca de mãos.
Fui nesta sexta-feira, findo outubro, ao centro de Parnaíba, mais precisamente na Praça da Graça. Faz uns dias, fiquei sabendo que a Banca do Louro iria fechar. Então fui saber se era certeza, se procedia esta informação. Em lá chegando percebi já algumas prateleiras com aspecto de mudança. Perguntei ao educado e silencioso Francisco Sampaio, aquele que na juventude foi apelidado carinhosamente de Louro sobre a veracidade desta especulação e ele me disse que chegou o seu limite com aquele tipo de negócio. Mas a banca não vai fechar, apenas muda de dono. Foi tudo.
Sai da Praça da Graça, tão, como sempre, apinhada de gente, com a certeza de que a Parnaíba perde uma das suas maiores referências, uma banca de revistas; Sim, uma simples banca de revistas, mas que durante mais de cinco décadas, foi testemunha de sua transformação. Louro, o rapazinho de cabelos longos da década de 1970, sai desta atividade e não sai rico. Até porque eu mesmo sei, duas categorias que não enriqueceram em suas atividades, o professor e o jornaleiro.
Francisco Sampaio, homem e pai de família, sai da banca que a cidade de Parnaíba lhe deu o nome, honrado, admirado e com uma legião de amigos. Sempre educado, reservado e respeitador das opiniões alheias, que noutros puderam criar desgastes e inimizades. Certamente fará muita falta na mais que centenária Praça da Graça.
Não me confidenciou seu substituto no negócio. Certamente trocou, a incerteza econômica dos dias de trabalho, de domingo a domingo, por uma vida de chefe de família. Vai cuidar dos seus, mulher, filhos e talvez netos. Vai usufruir agora de uma merecida aposentadoria depois de mais de cinquenta anos, quando se transformou num monumento de carne e osso, soube ser tão íntimo do coração de uma cidade.
Acompanhou e foi testemunha do amadurecimento de várias gerações de jovens, que iam até a banca comprar revistas, jornais e livros; fez mais como jornaleiro, do que muitas entidades culturais de Parnaíba, sempre tão imponentes e acostumadas a solenes discursos. Francisco Sampaio, filho de Buriti dos Lopes, pequenina cidade aqui de perto, encontrou num rapazinho ainda, hoje certamente septuagenário, motivo de personificar a obstinação, o trabalho, a família, o respeito e carinho pelos amigos. Que Deus, que sabe de todas as coisas e não é de abrir a boca pra contar seus segredos, lhe dê paz, saúde e vida longa.
Pádua Marques, cronista, romancista, contista e jornalista. Membro da Academia Parnaibana de Letras - APAL. Ocupa a cadeira de nº 24 que tem como patrona Luiza Amélia de Queiroz.

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