APAL PREPARA ELEIÇÃO PARA PRENCHER CADEIRA VAGA
Após o grande sucesso no lançamento da edição de número 77 do Almanaque da Parnaíba realizada na sexta-feira, dia 22, no auditório do SENAC, a Academia Parnaibana de Letras - APAL prepara-se agora para realizar a eleição que escolherá o acadêmico que ocupará o lugar vago da cadeira 31 deixado pelo falecimento da primeira e única ocupante, a escritora, poeta e compositora Ligia de Carvalho Gonçalves Ferraz.
Três candidatos se inscreveram. São eles: Carlos Galeno, Carlos Nogueira e Josiel Barros. Todos estão aptos a competir, tendo em vista que foram inscritos conforme preceituam o Estatuto e o Regimento Interno da Academia, que exigem a comprovação de autoria de, no mínimo, três obras publicadas, todas com registro ISBN e que sejam parnaibanos nato ou não sendo, comprovar que residem no município há pelo menos cinco anos. Os três são escritores, poetas e enriquecem a literatura parnaibana com suas preciosas obras.
De Carlos Galeno destaco a seguinte poesia:
ONDA
A onda
beija a praia
na horizontal excitada
libertinagem anfíbia
a manhã
marinha recém pintada
o sol bronzeia rostos satisfeitos
siris encarnados
lambuzando lamas
revigorizando momentos
êxtase natural
as ondas quebram
peixes esnobam
e se vão
anzóis jazem
linhas caniços iscas
ânimos sorrisos cerveja
aguas claras
turvas tentativas
pesca-se horas
fisga-se alegrias
Agora o destaque para o soneto de Carlos Nogueira que traz o nome de :
PEDRA DO SAL
No berço de mistérios e encantos mil,
Praia da Pedra do Sal, beleza sem par,
O sol se põe, um espetáculo sutil,
Reflete em nós o dom de amar.
As pedras posicionadas com arte divina,
Testemunham segredos que o mar guardou,
Onde o criador, em sua inspiração genuína,
Cria a terra, o céu, o amor que brotou.
Vista para o Delta, porto seguro do olhar,
Onde o Parnaibano encontra paz e fervor,
Nas ondas bravias, surfistas a bailar.
Entre a bruma e o horizonte, um só fervor
Oh, Praia da Pedra do Sal, em teu lume,
Renova-se o amor, em cada brisa e perfume.
Do poeta e escritor Josiel Barros destaco o poem ORAÇÃO DE PESCADOR. Eis o poema:
as águas
da minha gente
escrevem as claras manhãs
com correntezas
de esperança.
são esses galopes
que tecem o voo alegre
dos pássarinhos
rumo ao Sol nascente.
as águas dos riachos,
açudes e arroios desnudam
as cobertas das almas
e farfalham
o aboio ardente
que refrigera
a queimação infernal
que há no mundo.
ó águas do Caldeirão,
águas benditas,
voltai o meu corpo vageueante
às tuas profundidades,
como os lambaris
no beiral do açude
anelam pelo crescimento
seja eu o brilho da Flor
e a Flor do cimento
nas escritas manhãs
de minha cidade.
Pelo que se pode observar os três poetas exaltam a beleza da natureza através das águas que sejam do rio, mar ou açude.
Amanhã, dia 26, às 18 horas já saberemos quem ocupará a cadeira de número 31 que pertenceu a uma grande mestra que deixou um legado na educação e na cultura parnaibana, incusive foi quem compôs a letra do hino da Academia Parnaibana de Letras.
Boa sorte aos três candidatos.