domingo, 21 de julho de 2019

O URRO DO BOI



Elizeu Cardoso (*)

Quando pôs os pés para fora da rede e tocou o chão de terra batida, tentando achar os tamancos, Maria da Purificação estranhou que a mãe não estivesse ali deitada na outra rede. Por isso, se calçou ligeiro e saiu apressada, levantando a cortina fina do quarto. Ao vê-la de frente para a porta da cozinha, quis saber:
- O que foi, a senhora tá caducando, logo de manhã? Deixou a rede quentinha para vir pegar a frieza do quintal?
- Eu lá caduco, minha filha? – Respondeu a mãe, Vicentina Cazumba. Noventa anos vivendo naquele mesmo povoado. Herdara o apelido do marido, Melchíades Cazumba, brincante de boi, e fazedor de careta e torre – Tu que quando dorme morre por dentro dos sonhos. O mundo pode é cair, que tu não te dá conta. Eu não acredito que tu não ouviu esse boi urrando a noite inteira. Sono de velho é leve, feito cabelo de milho.
- Pois eu não ouvi mesmo. E aqui alguém tem boi? Que eu saiba ninguém, mal dá pra criar uns bichos no quintal.
Mas bastou uma semana e em todas as casas começaram a mesma reclamação. Primeiro pelos de mais idade, depois os adultos, e por fim as crianças, que não pregavam mais os olhos. Aquela choradeira a noite inteira. Até os cachorros ficavam incomodados latindo a todo instante.
- Esse povo tem rezado pouco! – Assegurou Domingos Preto, o curandeiro do lugar, que marcou novena e logo após o primeiro dia, entre cafés e bolos de tapioca, ouviu as pessoas tentando resolver aquela situação.
- Isso não é alma de vaca que morreu no parto? – Tentou explicar, Zé Ingá, o melhor roceiro dali.
- E boi lá tem alma, Zé? – Protestou Vicente Camurim, pescador de coragem inquestionável.
- Eu ouço todo dia esse urro, o que não sei é se é de boi ou vaca – Disse Maria Coco, cheia de dúvida – Porque cada dia tá de um jeito.
Pela Porco, que ainda não havia falado, alisou o bigode e tirando chapéu se abanou:
- Maria Coco, e isso lá importa, urro de boi ou de vaca? A danação é que ninguém dorme mais neste povoado. Quem dorme pouco, acaba ficando louco!
- Calma, gente – Acalmou os ânimos Domingos Preto – Primeiro temos que saber se alguém comprou algum animal aqui? - Todos se olharam, e pelo silêncio que se fez, tiveram certeza que ninguém havia comprado.

Só depois da quinta novena, foi que Ibrahim chegou de volta ao povoado. Havia ido na cidade, negociar sua produção de mel. E como sempre demorava-se por lá, bebendo o dinheiro da venda. Por ter chegado há pouco, ainda não tinha ouvido os urros, só os rumores. Tomando café na roda daquela noite, após a novena, teve uma lampejo, claro como um relâmpago por sobre o campo:
- Dona Vicentina Cazumba, a senhora se lembra que Melchíades Cazumba havia encomendando uma armação de boi para fazer uma promessa? Eu mesmo fui deixar lá.
- Como não lembro? Se nós que cobrimos o bicho. Fizemos a barra, os desenhos, chifres, canutilhos, miçangas... Minha vista gastou foi nesse tempo, de tanto tá na madrugada diante da lamparina. Ele queria fazer a promessa pelo nascimento da nossa primeira neta que nasceu antes do tempo. A menina teve pressa em ver o mundo.
- Pois é. A promessa não foi feita, porque ele morreu logo depois. E onde está o boi?
Ninguém havia pensado nisso. Nem mesmo Dona Vicentina Cazumba. É que foram dias tão tristes, depois da morte de Melchíades, fazendo-a esquecer até da promessa. Só então, lembrou que o marido havia colocado o boi dentro de um saco de estopa e guardado sobre as esteiras da casinha do quintal, lá no alto a roçar a cumeeira.
- Então é ele que tá urrando, sem a sua promessa! Amanhã mesmo pagamos. Arrume os brincantes e os instrumentos – Ordenou Dona Vicentina, cobrando de si aquela situação pelos esquecimentos.
Foram três dias de bumba-meu-boi. Até que cessaram os urros, e o sono invadiu todas as casas. Dormiram durante uma semana. Apenas Ibrahim ficara acordado brincando com aquela armação pelas ruas do povoado, entre goles de cachaça, já que era o miolo do batalhão.


(*)  Elizeu Cardoso é maranhense da cidade de Pinheiro. Professor, escritor, compositor e cantor e membro da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

RETALHOS DE UMA VIDA

É o título do livro que estará sendo lançado hoje em Parnaíba  de autoria Adilson Farias de Castro,  bancário aposentado e professor da Universidade Federal.
O lançamento será em sua residência no bairro São Benedito a partir das 20 horas.
Adilson Castro possui um vasto ciclo de amizade na cidade,  goza de grande conceito e, certamente,   no lançamento de seu livro,    reunirá  grande número de amigos e admiradores.
Com RETALHOS DE UMA VIDA Adilson Castro passa a integrar a grande plêiade de intelectuais parnaibanos.
  Parabéns ao mais novo literato parnaibano.
Texto de Antonio Gallas

quarta-feira, 17 de julho de 2019

CONTOS SOBRE SIMPLÍCIO DIAS


A múmia que dormiu na casa de Simplício Dias na Parnaíba.


Pádua Marques(*)
múmia1
Já era boca da noite quando o escravo Elias entrou pela porta dos fundos da casa de Simplício Dias naquele sábado de julho de 1824 pra avisar sem mais tardança que o capitão de um navio francês insistia em falar com o governador da Parnaíba sobre a chegada de uma encomenda que por certo haveria de interessar:  uma múmia egípcia.
Simplício naquele momento ao saber da chegada de Elias com noticia de que havia coisa grave ocorrendo no cais, tratou logo de chamar o negro a um canto. O navio francês, Le Prince de Bourbon, comandado por Emile Bornett, vindo do Egito e com escala no Marrocos, havia aportado em Tutoia a caminho de São Luiz e pedia permissão pra entregar uma encomenda ao coronel Simplício Dias da Silva.
E a encomenda, dada o valor e sendo coisa de chamar atenção, não poderia ser desembarcada em plena luz do dia. Simplício mandou o negro de volta com a ordem de que o desembarque da múmia seria pela madrugada antes da mudança de maré e com pouca gente por perto. Deu ordens a Elias de que reunisse logo uns quatro homens de sua confiança pra aquela faina. Havia comprado através de um negociante grego no Cairo aquela que seria a joia da sua loja, a múmia de uma criança, com o que pretendia abrir uma casa com mercadorias do Oriente na Parnaíba.
Pela madrugada os negros chegaram sem fazer barulho e tendo Elias como guia e encarregado do serviço foram depois no rumo do Porto Salgado pra desembarcar a múmia e guardar no prédio da esquina. Deu tudo certo. A madrugada com pouco movimento no cais e o silêncio do outro lado da Ilha de Santa Isabel fizeram com que dentro de pouco menos de meia hora aquela que seria a peça mais valiosa da loja de antiguidades estivesse guardada no armazém.
Simplício, tamanha a curiosidade pelo objeto comprado do Egito, mal dormiu naquela noite e na madrugada. Dia nascido, bem a criadagem de pé e mandou Elias abrir o armazém na parte de baixo do prédio da esquina. Queria ver com aqueles olhos que um dia a terra haveria de comer, uma peça da história da humanidade e que só ele e seu dinheiro podiam comprar.
Seria admirado e temido por toda a região, em São Luiz, Recife, Rio de Janeiro. Finalmente se vingava da ingratidão de dom Pedro I por não ter aceitado seu presente, para as filhas, as princesas Januária, Paula e Francisca, um cacho de bananas feito de ouro maciço e com pedras de rubi nas pontas! Se vingava por estar sendo agora perseguido e sendo acusado de tramar a queda do Império. Os dias, cinco de uma semana, foram passando e a loja da esquina sempre fechada começou a chamar a atenção.
Certa noite, já entrando em agosto, Elias foi na ponta do pé ver como estava a carga, uma peça belíssima de madeira e ornada com cenas de batalha. Foi ver, mas sem o direito de chegar perto e de tocar. Tinha o tamanho de menos de uma braça. Viu a peça e do jeito que entrou calado e se pelando de medo, foi saindo. Apenas Simplício e ele sabiam do que se tratava. Quando saiu na porta do armazém na esquinada da rua Grande, por volta de umas duas horas, achou de tanger um cachorro que dormia enrodilhado. O bicho nem se mexeu. Pegou um pau e fustigou de novo. Nem a pau. Nesse momento lá embaixo no cais uma sineta tocou duas vezes. Com aquele sinal Elias se arrepiou dos pés à cabeça.
múmia2
Saiu olhando pra os lados em direção dos fundos e foi se aquietar. Mais daqui a pouco haveria de já estar de pé antes que Simplício acordasse. Era lei e ele tinha que cumprir. Mas quando na volta passou pelo cachorro viu que estava morto. Tratou de tirar aquela coisa dali antes de amanhecer. Lá pelo meio do dia foi chamado pelo capitão do porto, Sebastião de Seixas. Dois negros que haviam levado nas costas a encomenda pra o governador Simplício Dias da Silva naquela madrugada, estavam mortos.
Morreram escumando pela boca e se coçando sem que nada desse jeito. Não tinha sido nada de briga entre eles ou coisa de comer. E assim começaram a aparecer e acontecer outras coisas dignas de se meter na cabeça de que aquela múmia trazia coisa ruim pra dentro de casa. Simplício começou a ficar encasquetado com tanta coisa acontecendo dentro de sua casa.
Aquele cachorro, agora dois negros da estiva mortos sem causa, uma sua sobrinha caiu da escada e quebrou as costelas, o armazém ficou de uma hora pra outra infestado de ratos e de morcegos. Sem dar ciência à família e aos amigos, ao chefe de polícia, noutra madrugada Simplício Dias da Silva mandou que pegassem aquele troço e jogassem ou queimassem bem longe. Mas com medo de se repetir com ele o ocorrido com os negros estivadores, Elias acabou foi jogando no barranco do Porto Salgado no lado contrário a alfândega.
(*)Pádua Marques, escritor e jornalista ocupa  cadeira 24 da Academia Parnaibana de Letras.

terça-feira, 16 de julho de 2019

O EMBAIXADOR DO MAGU


Foto ilustrativa. Pesquisa Google
Tá dando o que falar, e olha que esse povo quer é um "pezin" pra   fofocar, prá  falar mal dos outros. E não se lembram daquele ditado que diz "o macaco não olha pro seu rabo"! 
 Está  nas redes sociais e na mídia do Brasil,  dos Estados Unidos,  das duas  Coreias  e até na do Japão.
Mas que diabo é isso que está causando tanto reboliço assim?
Ora, nada mais nada menos do que mais uma das asneiras ditas sem pensar pelo mito Jair Bolsonaro presidente da República Federativa do Brasil de que seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, por ter fritado um hambúrguer nos Estados Unidos e arranhar um "pouqim" o inglês e o espanhol vai ser nomeado, por ele Bolsonaro, Embaixador do Brasil nos Estados Unidos. E não duvidem que vai mesmo!
Ora, se fosse por isso meu sobrinho Prodamor também poderia ter sido nomeado embaixador em qualquer país estrangeiro, como era o seu desejo. E sabem por que?
Em Teresina ele fritou foi um ovo de pata no asfalto da avenida João XXIII; em Tutóia, quando na época do transporte marítimo-fluvial que os navios atracavam no porto, ele por diversas vezes manteve  diálogo com os gringos:
- spiking ling ling? - perguntava o meu sobrinho Prodamor que nem sempre era compreendido. Então novamente  lascava o pau no seu inglês tutoiense: Rau do you do Comocim simitoésse? - E arrematava: -  is moroléss luquistraique laifebóy?
Os "gringos"sem entenderem patavinas, não lhe davam respostas. Então vinham os xingamentos de filho dessa, filho daquela,  etc e tal. Mas quando ele se dirigia a algum e bradava a palavra maricon a resposta era imediata, balançando a cabeça respondiam: - non, maricon, non! Maricon non....
Sabedor da amizade e do  prestígio que meu pai, o comandante Moysés Pimentel e o senhor Egídio Conceição, pai de minha esposa,  tinham com o então presidente Sarney,  pediu a eles que que interferissem junto a Sarney  para que ele fosse nomeado embaixador do Brasil nos Estados Unidos, ou em qualquer país da África. Não importava onde, o que ele queria era ser embaixador.
Tanto meu pai, quanto o senhor Egídio recusaram em  fazer o tal pedido pois,  sabiam ser um contrassenso. Onde já se viu, um "caboquim" do interior,  que nem o Português direito sabia falar, pretender ser embaixador no exterior? E meu pai foi taxativo com ele e disse-lhe: - meu fi, dê-se a respeito, homem!   
 Foi então que ele apelou para o senhor Sebastião Furtado, rico fazendeiro e proprietário de carnaubais no município de Araioses, e que tinha uma influência muito maior do que meu pai ou o meu sogro,  com a família Sarney,  pois Sebastião  fora o responsável financeiramente pela ascensão do jovem José de Ribamar (nome de batismo do Sarney) na política maranhense,  galgando projeção nacional até chegar à presidência da república. Sarney chamava-o de "meu pai Sebastião Furtado".
Embora o senhor Sebastião não tivesse graduação secundária ou universitária, era respeitado entre a classe política maranhense e  deu provas  de ser um bom administrador tendo em vista que,  lidava com centenas de trabalhadores nos carnaubais e nas fazendas de gado,  e seus negócios prosperaram ao ponto de ser considerado um dos homens mais ricos e abastados da região do Magu   A  experiência de vida o capacitou  para tal.
Foi logo perguntando ao meu sobrinho Prodamor: - meu filho, você cursou a carreira diplomática no Instituto Rio Branco? 
Prodamor prontamente respondeu: - nhor não!
- Então, disse o senhor Sebastião, eu mesmo vou lhe nomear embaixador. Você será meu embaixador no Magu. Leve essas embaixadas( bilhetes, cartas, mensagens) para meus agregados lá em Araioses, João Peres,  Cumbre (hoje Novo Horizonte) tec...
É verdade. Para uma pessoa ser embaixador do Brasil em qualquer país estrangeiro, existem certas exigências, como ter cursado a Escola Diplomática, que é o Instituto Rio Branco, vinculado ao Itamaraty e pertencer aos quadros do Itamaraty.
Os critérios para escolher os embaixadores definidos pela Lei 11.440, de 29 de Dezembro de 2006, porém, no parágrafo único do artigo 41, a Lei Federal autoriza,  em caráter excepcional que, embaixadores possam ser nomeados mesmo que não façam parte da carreira diplomática, mas que sejam brasileiros natos, maiores de 35 anos e "de reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país" 
Não tenham dúvidas, ele será nosso embaixador nos Estados Unidos. Está respaldado nesse paragrafo da Lei, principalmente no que diz respeito aos relevantes serviços prestados à nação. O Brasil inteiro, do Oiapoque ao Chui conhece o trabalho deste jovem deputado.
Um detalhe: precisa aprovação prévia do senado. 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

CLAUCIO CIARLINI TAMBÉM CONCORRE A UMA VAGA NA ACADEMIA PARNAIBANA DE LETRAS





Mais um forte literato concorre à cadeira de nº 27 da Academia Parnaibana de Letras. Desta feita, o escritor,  poeta, professor,  e editor do  jornal cultural o Piaguí, Cláucio Ciarlini que  manifestou seu desejo através de requerimento dirigido  ao presidente José Luiz,e  entregue na sexta feira,  12 do corrente mês.
Embora nascido em Teresina, Ciarlini vive desde sua infância em Parnaíba,  e  há 15 anos atua em prol da Literatura,  da História, da Cultura e da Educação da cidade. Lançou-se como escritor em 1999, através de encadernados distribuídos a amigos e colegas de escola.  Autor de quatro obras:  Linhas Impensadas (2004), Pedido de Autorização para Pensar (2005), Inevitável (2009) e foi organizador das coletâneas  Versania 1ª edição (2017)  e 2ª edição (2018). No momento  está organizando a coletânea  Contos entre Gerações com previsão de lançamento em Setembro ou Outubro próximos.  Para o próximo mês de Agosto Ciarlini,  estará lançando a  sua mais recente obra intitulada Parnaíba, por quem também faz por Parnaíba.



 Além de literato,  Claucio  Ciarlini  é também historiador e cineasta amador.  Professor efetivo do Estado do Piauí, desde 2010 e atual coordenador do Núcleo de Pós-graduação em História do Brasil da FAESPA- Faculdade de Ensino Superior de Parnaíba.
Organizado por Claucio Ciarline e José Luiz de Carvalho reúne contos de escritores das mais diferentes idades.

Lançamento previsto para o início de Agosto

domingo, 14 de julho de 2019

FERNANDO FERRAZ LANÇA (A)TALHOS DA VIDA EM GRANDE ESTILO



Tendo como cerimonialista a acadêmica, escritora e poetisa Dilma Ponte,  e conforme amplamente divulgado, aconteceu na noite de  sábado dia 13, no  Café Concerto do  Sesc-Caixeiral, o lançamento do livro de poesias (A)Talhos da Vida de autoria do advogado, poeta, acadêmico  e escritor parnaibano Fernando Ferraz. 

Um grande público entre acadêmicos, autoridades, familiares e amigos do escritor compareceu a este importante acontecimento social e cultural efetivado com apoio do Sesc e da Academia Parnaibana de Letras.  


Da esquerda para direita: primeira dama Adalgisa, prefeito Mão Santa, acadêmica Dilma Ponte, acadêmica 
e professora  Christina e, acadêmico Fernando Ferraz.
A apresentação do livro ficou a cargo da poetisa Ednólia Fontenele que disse da sua satisfação e que  ficou honrada por ter sido escolhida para apresentar o livro,  como também  ressaltou as qualidades do autor na arte de fazer versos. 



Enquanto Fernando Ferraz autografava os livros,  um  farto coquetel acompanhado por belíssimas melodias executadas ao piano pelo maestro Betoven, foi servido. Ao mesmo tempo o microfone ficou à disposição de quem desejasse  fazer uso da palavra. A senhora Carmem Lúcia, atriz,  recitou poesias da obra ora lançada, tendo sido  bastante aplaudida.  A senhora Carmem e o seu esposo, o português José,  são os proprietários do Café Concerto do Sesc-Caixeiral. 



A professora, acadêmica e poetisa Lígia Ferraz foi também bastante aplaudida ao  recitar poemas de sua autoria.  A professora Lígia foi quem compôs o hino da Academia Parnaibana de Letras. 









Não restam dúvidas de que o lançamento de (A) Talhos da Vida em Parnaíba constituiu-se de um grande evento, conforme afirmou o advogado e acadêmico Roberto Cajubá.

Texto de Antonio Gallas


quinta-feira, 11 de julho de 2019

ELEIÇÃO PARA PREENCHIMENTO DE CADEIRAS VAGAS NA APAL


Termina no próximo dia 10 de agosto o prazo para a inscrição dos   candidatos que desejam ingressar na Academia Parnaibana de Letras. 


Das cinco cadeiras vagas, a primeira a ser preenchida é a de nº 27 que fora ocupada pela  parnaibana Maria Luíza Mota de Meneses, falecida em Fortaleza em Junho de 2017. Maria Luíza era historiadora, biógrafa, poetisa e jornalista. O patrono da cadeira é Ovídio Saraiva. 
De acordo com os Estatutos e Regimento Interno da Academia, poderão concorrer a uma de suas cadeiras, parnaibanos natos, residentes ou não na cidade, e que tenham, pelo menos uma obra publicada. Para os não parnaibanos, além do requisito da publicação de um livro, é exigido também que tenham residência fixa na cidade, de há pelo menos cinco anos.
A eleição será realizada trinta dias após decorrido o prazo das  inscrições dos candidatos.   O processo se desenvolve como qualquer outra eleição. Os candidatos articulam-se com os demais acadêmicos à  cata de votos e ganha aquele que obtiver a maioria dos votos. Existem naturalmente outras normas internas que disciplinam o processo de eleição.  
Até o presente momento já estão escritos os seguintes candidatos:
Por ordem de inscrição:




FREI CÍCERO DOS SANTOS -  Vigário da Paróquia de São Sebastião. Possui graduação em Filosofia, Teologia e pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional. Autor dos Livros Medicina Musical - aprendizagem através da flauta doce, Medicina Popular (já em 2ª edição), e Parábolas - histórias de Jesus. Participou também de coletâneas das quais foi organizador.





DANTE PONTE DE BRITO  -  advogado, professor da Universidade Federal do Piauí, doutor em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco com período sanduíche -   modalidade de Curso Superior em que o universitário realiza um período da faculdade fora do país de origem - na Faculdade de Direito da  Universidade de Coimbra em Portugal, pós doutorando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Graduação e mestrado em Direito  na Universidade Federal da Paraíba. 
Escreveu  livros "A Publicidade na Internet e @ Violação dos Direitos do Consumidor", "Publicidade Sublime na Internet" e participou de várias coletâneas.

Eis o currículo completo de Dante



 EDNÓLIA FONTENELE, funcionária aposentada do Banco do Brasil. Graduada pela Universidade Federal do Piauí  com Licenciatura Plena Habilitação em   Eletricidade e   Pós-Graduação em Qualidade em Serviços e Recursos Humanos pela Universidade de Brasília. Pós-Graduanda  em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.Participou ativamente dos movimentos literários de Parnaíba. Fundou o NEOJORNAL – quando presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Nossa Senhora das Graças (Colégio das Irmãs). Foi colaboradora dos Jornais INOVAÇÃO e QUERELA.
Fundou em 1979 a Fundação ASSIS BRASIL, com foco na divulgação da literatura piauiense.
Em 2008 foi tema de estudo pela união do Teatro de Parnaíba, dirigido por José Wilson, que escreveu e representou, com seus poemas, o RECITAL DE CORPO ABERTO.
Foi tema do livro “Ednólia Fontenele "FILHA DA POESIA” de Reginaldo Costa, “edições INOVAÇÃO” (2008).
É verbete do Dicionário de Mulheres (1999), de Hilda Agnes Hubner Flores. Consta das três primeiras edições do livro didático “Literatura Piauiense Para Estudantes”, de Adrião Neto.
Participou do  12º  FESTIVAL DE POESIA FALADA da cidade de Estancia em Sergipe onde trabalhou por dois anos no Banco do Brasil.
1994 -Venceu em primeiro lugar com o Poema AMA(DURECIDA)MENTE
1995 -Venceu em segundo e terceiro lugar com os poemas EU e INSÔNIA, respectivamente.
Foi colaboradora dos Jornais: JORNAL DE ESTÂNCIA - ESTÂNCIA-SE
JORNAL DA MANHÂ – ARACAJU-SE
ALTO MADEIRA – PORTO VELHO.

Bibliografia: Poemas que Neguei Entre Caminhos (1994).



Participou das Antologias: NUVEM (1977), SALADA SELETA (1979), POEMARIT(I)MOS (1988), A POESIA PIAUIENSE NO SÉCULO XX (1995), A POESIA PARNAIBANA (2001), PARNÁRIAS (2016). Em 1994, em noite solene, lançou aqui em Parnaíba o livro "Poemas que Neguei Entre Caminhos" (1994).




 O próximo livro da poeta Ednólia é "Em Construção" uma seleção de poemas  de sua autoria em forma de Antologia (2019)  com lançamento previsto para julho próximo.








 DIEGO MENDES SOUSA   advogado, indigenista, ambientalista, bibliófilo, escritor, jornalista, conferencista literário, ativista cultural e funcionário público federal. Pós-graduado em Direito Público pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas) e Mestrando em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Acre (UFAC).
Membro Titular do PEN Clube do Brasil; da Associação Nacional de Escritores (ANE); da Academia Brasileira de Direito (ABD); da Academia Piauiense de Poesia e da Confraria dos Bibliófilos do Brasil. É ainda Membro Correspondente da Academia Carioca de Letras (ACL); da Academia Cearense de Direito; da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ); da Academia Pan-americana de Letras e Artes (APALA); e da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará (ALMECE).
Autor de Divagações (2006); Metafísica do encanto (2008); 50 poemas escolhidos pelo autor (Edições Galo Branco, 2010); Fogo de alabastro (2011); Candelabro de álamo (2012); O viajor de Altaíba (2013); Alma litorânea (2014); Gravidade das xananas (2015); Tinteiros da casa e do coração desertos (2015); Coração costeiro (2016); Fanais dos verdes luzeiros (2017); Rosa numinosa (2018) e Velas náufragas (2019).
Participou de antologias nacionais e internacionais, dentre elas, Poemário (2008) da I Bienal Internacional de Poesia, ocorrida em Brasília (DF). Seus poemas foram traduzidos para o inglês, o francês, o grego e o espanhol.
Recebeu em 2013 o Prêmio Castro Alves da UBE-RJ, pelo Conjunto da Obra, além de ter sido agraciado em 2009, com o Prêmio Olegário Mariano da UBE-RJ, bem como em 2016 foi reconhecido com o Prêmio João do Rio - de Poesia - da Academia Carioca de Letras.
Na Parnaíba, fundou o jornal O Bembém, em 2008, com Benjamim Santos e Tarciso Prado, onde foi editor literário por dois anos. Escreveu crônicas sobre as personagens, a história e a memória do seu torrão natal, que foram expostas em placas artísticas conceituais, nos principais pontos turísticos da cidade em 2017, pela Prefeitura Municipal de Parnaíba. Detentor da Medalha e do Diploma do Mérito Municipal (2017, Gestão do Prefeito Francisco de Assis de Moraes Souza) e Sócio Honorário do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba desde 2008. 
Após esta eleição a próxima cadeira vaga a ser preenchida será a de nº 23 que tem como patrono o primeiro Bispo de Parnaíba Dom Felipe Conduru Pacheco e teve como último ocupante o médico cardiologista Carlos Araken Correia Rodrigues.
Pelo que parece, as eleições para o preenchimento das cadeiras que estão vagas na Academia Parnaibana de Letras -APAL deverão ser bastante concorridas.
Texto de Antonio Gallas
 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

A MOEDA PARA NOSSA SENHORA DA GRAÇA










Por Pádua Marques(*)

Simplício Dias estava pedindo pressa naquelas obras da Alfândega da Parnaíba, já autorizada pelo Rei Dom João VI há dois anos. Ele descia de casa no rumo do cais do Porto Salgado, acompanhado do escravo Elias. Andava entusiasmado com o movimento no porto e naquela manhã saía pra ver de perto o serviço na nova repartição. Não era lá de deixar o sobrado e a companhia de dona Isabel Thomásia, sua mulher, dos filhos e dos criados.
Não era de gostar e nem poder mais andar pelo meio da rua na Parnaíba. Já temia pela vida e evitava o de sempre, alguém pedindo isso ou aquilo, um adjutório pra um filho estudar em São Luiz ou no Recife, um batizado ou casamento, uma vaga no serviço de sua casa ou das repartições do governo, essas coisas. Mas naquela manhã achou de sair depois do café e seguiu pela rua até o cais. Lá estavam os barcos e canoas, vindos de Tutoia no Maranhão, e de Ilha Grande de Santa Isabel, desembarcando tudo em quanto era tipo de mercadoria.
E naquele sobe e desce de gente, de negros e embarcadiços nus da cintura pra cima dando no meio da canela, aos gritos, o cheiro forte de aguardente, suor, farinha e de sacos úmidos de maresia, Simplício ia se aproximando do cais e o movimento ia crescendo. Ao verem aquele homem tão importante e tido como poderoso,  aquela gente ia abrindo caminho e os de mais posses e projeção tirando os chapéus naquela reverência costumeira.
Elias era um negro baixo, de pouca graça, os caroços dos olhos amarelados, como quem teve dordolhos, com pouco mais de quarenta anos. Foi presente de um compadre de São Luiz, no Maranhão. Tinha só um braço e caxingava da perna direita. Contava que aquele aleijão foi coisa de uma briga com um paraense por causa de serviço no cais. Andava a pouco menos de dois passos de Simplício,  sempre que o patrão saía à rua. Por dentro da calça de algodão ordinário, uma enorme faca. Mas que ninguém lhe imaginasse sem um braço não ter destreza.
Simplício ia sendo cumprimentado aqui e ali mais na frente cumprimentando um capitão de navio, um dono de carga de algodão, oficiais da Marinha e gente mais de feição e bem vestida, vinda de São Luiz e até da França entre os embarcadiços. Mas no meio daquele mundo de gente não andavam mulheres. A rua e o cais eram de homens e para os homens.
Simplício e Elias estavam quase chegando à esquina do porto, pra direita, em direção à alfândega quando de longe um negro se abaixou pra pegar alguma coisa no chão. Olhou pra um lado e pra o outro e foi logo colocando a moeda no bolso. Mal deu tempo da moeda esquentar na mão calosa. O coronel da Vila da Parnaíba viu e apressou o passo. Antes que o negro se perdesse no meio dos outros estava perguntando quem era e quem era seu dono.
Sem resposta de imediato e tomado pelo susto o negro ficou arquejando de medo. Achou ou roubou aquele dinheiro? Achado não era roubado, calculou responder. Mas se limitou a dizer que quando era achado por um cativo e esse cativo não tinha dono, o achado era de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. E Deus estava na igreja e a igreja estava lá no alto e era do senhor Simplício Dias da Silva, por merecimento governador da Parnaíba!
Disse daquele jeito submisso de quem pedia amparo. Logo, aquela moeda era do coronel. Tremendo feito uma vara de pé de sabiá verde, o negro baixou a cabeça e foi logo entregando o achado pra Simplício Dias, que no tempo de um piscar de olho colocou a moeda no bolso da calça.
Elias ao ver o rosto de seu dono coberto de suor foi logo pegando um lenço de algodão meio encardido e o enxugou. Era sua função além da segurança pessoal ser serviçal de cuidados extremados. Simplício ainda olhou pra um e pra outro como que mandando que concordassem com sua medida e foi saindo devagar em direção às obras da alfândega naquele final de novembro.
O negro estivador, que até bem pouco tempo estava achando que tinha sorte demais na vida com a moeda, foi saindo e se perdendo no meio dos outros. Simplício agora estava dando ordens no meio dos operários na obra da alfândega. Um pouco longe do cheiro de sacos de algodão, de fumo e carne seca naquele cais cheio de mercadorias empilhadas pra embarque. Meteu a mão no bolso e se sentiu satisfeito. Olhou pra Elias e deu um resmungo curto.
Pra que negro com dinheiro? Pra gastar com mulher da vida e com aguardente, fumo pra mascar e depois sair caçando confusão até ser preso e levar surra amarrado em tronco? Deixasse aquela moeda em quem sabia e conhecia valor de dinheiro! Negro não sabia valor de dinheiro! Negro não sabia nem rezar um Pai e Nosso e queria ficar com dinheiro? Dinheiro era da santa, Nossa Senhora da Graça. Lá no cofre estava seguro.

* Pádua Marques, cadeira 24 da Academia Parnaibana de Letras. 

quinta-feira, 4 de julho de 2019

A BATALHA DAS COCADAS NA FRENTE DA CASA GRANDE







Por Pádua Marques(*)
cocada2
Pádua Marques.
A miséria estava batendo agora na porta da frente de casa da família de Simplício Dias da Silva desde quando o imperador dom Pedro I lhe virou as costas por causa de seu envolvimento e obediência cega ao juiz de fora João Cândido de Deus e Silva e gente do Pernambuco e do Ceará, que agora queriam uma república pra o Brasil.
O antes senhor da Parnaíba, que recebia nobres, estudiosos, comerciantes interesseiros e até piratas na sua casa, amargava o desprezo político e a pobreza, a ponto de sua mulher, dona Isabel Thomásia ter arranjado um negro pra vender cocadas na porta de casa.
A cozinheira, tão logo passava a hora do almoço, se punha a fazer as cocadas pra que tão logo amanhecesse o dia vinha o negro da casa, Pano Véi, lá de dentro com o tabuleiro forrado com um pano de sacos pra esquina da rua Grande, esperar a freguesia de embarcadiços, soldados, gente de repartições públicas e quem descia ou subia nas canoas indo pra Tutoia no Maranhão. Isso de domingo a domingo. Vez por outra dona Isabel e o marido, agora doente, ficavam na janela de cima olhando o movimento embaixo.
Por volta das nove horas, já o sol queimando o lombo dos negros que trabalhavam no porto lá embaixo, Pano Véi já estava em serviço fazia tempo. Olha a cocada! Olha a cocada! E nesse sentido só desmontava aquele negócio quando já não tinha nenhuma cocada e o que sobrava era algum farelo. Corria pra dentro da casa-grande e ia prestar contas com a dona do negócio. Quando muito, recebia um tostão, que logo iria ser gasto lá embaixo no cais com um mercado de cachaça ou de fumo.
No outro lado da rua a família Miranda Osório era um tormento pra o antes todo poderoso e destemido Simplício Dias da Silva. Desde o assassinato de Raimundo em 1812 e a recusa de Simplício em ser governador do Piauí, as coisas andavam de mal a pior pra família. Dívidas, traições e tudo o mais se acumulavam naquela casa de paredes encardidas. Na igreja nem ia mais por causa da inchação nas pernas e sentindo uma dureza no pé da barriga. E agora mais aquela, de até na venda de cocadas da mulher encontrar um concorrente, o negro Mão de Pilão.
Tanto um quanto outro eram negros ainda novos beirando quando muito, os trinta anos. Mão de Pilão talvez fosse até mais velho. Mas quem era que iria se preocupar com idade de cativo? Talvez pra criar sua empresa que lhe garantisse um tostão pra aguardente, arranjou com seu dono um ponto pra venda de frutas na frente de casa de Miranda Osório. E em pouco tempo já vendia muita manga, bananas, limões doces, melancias, abacates, fumo de mascar e rapé, doce de leite e cocadas.
Pano Véi estava começando a ficar com raiva daquele negócio. Trabalhava que nem um burro botando água pra o senhor tomar banho, limpava a igreja, a frente da casa, o quintal, cortava um galho de árvore, fazia uma limpeza nos cemitérios da família, enchia os potes da cozinha e ainda de manhãzinha tinha que torrar a cabeça naquele terror de sol vendendo cocada pra dona Isabel na esquina!
Se quebrasse alguma cocada e tendo que voltar pra dentro do tabuleiro ou algum freguês não pagasse, era castigo na certa.  Era vida de cão aquela sua! Agora me vinha Mão de Pilão, com tabuleiro de frente com mais coisas pra vender e lhe tirando freguesia! Ia fazer um bonito com aquele negro.
Mão de Pilão ficava de lá olhando o movimento e falando alto toda a lista do que vendia. Olha o limão doce! Olha a manga, olha a manga! Olha a cocada de coco fresco! Aqui tem rapé e tem fumo! Três tostões, três tostões e é pra acabar!  Os fregueses iam e vinham. Passavam e acabavam comprando isso ou aquilo. O negro suado e satisfeito ia colocando num caixa de madeira o apurado e cantando uma canção alegre, aprendida com as mulheres da vida lá embaixo no cais do porto.
Pano Véi esperou dar mais movimento na rua Grande, justo quando acabava de atracar no cais do Porto Salgado uma canoa vinda da Tutoia, no Maranhão, carregada de lenha. Era carga pra casa de Simplício e outros principais da Parnaíba. Havia vendido pouco sua a cocada naquela quinta-feira. Enquanto isso Mão de Pilão, de lá, aproveitava quem estava subindo o barranco e gritava ainda mais alto, intimando, fazendo troça com ele.
O negro enjeitado da casa de Simplício Dias foi se aproximando do tabuleiro de Mão de Pilão com as duas mãos cheias de areia. Esperou um freguês pagar e ir se retirando com umas frutas. Jogou areia por cima como se fosse chuva. A areia caiu direitinho em cima das cocadas de Mão de Pilão.
O nome feio comeu. Filho dessa, filho daquela. Acabaram se atracando. Foram ao chão e as vaias acompanharam. Foi cangapé pra todo lado e pra cima dos tabuleiros. As frutas, o rapé e o fumo em frente da casa de Miranda Osório, enfim, tudo que tinha no tabuleiro de Mão de Pilão se espalhou. Reboliço dos diabos.
Foi o bastante pra aparecer gente de tudo quanto era lado vinda da frente da matriz, do cais e de tudo mais. Por sorte não puxaram facas. Veio milícia e prendeu os dois negros arruaceiros. Sabendo de quem eram, foram cada um levados aos seus donos. Simplício ficou sabendo do ocorrido logo depois da dormida do almoço. Pano Véi levou uma pisa de umbigo de boi e teve a comissão do dia confiscada. Simplício Dias da Silva, mesmo já sem saúde, não queria ninguém com valentia e autoridade maior que a dele na Parnaíba. E muito menos partindo de negros!
* Pádua Marques, cadeira 24 da Academia Parnaibana de Letras. 

quarta-feira, 3 de julho de 2019

FERNANDO FERRAZ LANÇA (A)TALHOS DA VIDA EM PARNAIBA

Fernando Ferraz e o acadêmico Altevir Esteves no lançamento
de (A) TALHOS DA VIDA em Teresina
O escritor e poeta  parnaibano Fernando Basto Ferraz, membro da Academia Parnaibana de Letras estará lançando em Parnaíba mais uma obra  de sua lavra.   Desta feita o livro (A)TALHOS DA VIDA reunindo poemas de  sua autoria.


O lançamento que conta com o apoio da Academia Parnaibana de Letras e do Sesc Caixeiral, será no próxima dia 13 do corrente, sábado,  às 18 horas,  no Café Concerto do Centro Cultural Ministro Reis Veloso - Sesc Caixeiral, conforme convite abaixo:




Fernando Ferraz, além de poeta e escritor,  é advogado e professor aposentado dos cursos de graduação e pós graduação (mestrado e doutorado) da Universidade Federal do Ceará.   Autor de vários livros, dentre eles "Primeiros Versos" lançado em 1980. Ocupa a cadeira de nº 26 da APAL que tem como patrono o seu avô paterno Raimundo Ferraz Filho.  Ano passado lançou também aqui em Parnaíba o livro Alicerce - História de Edméa e Ferraz Filho, no qual homenageia a memória de seus avós. O Lançamento de Alicerce - História de Edméa e Ferraz Filho, teve uma boa receptividade por parte da sociedade parnaibana. 
O livro (A) TALHOS DA VIDA que  já foi lançado em Teresina em junho passado, será apresentado pela poetisa Ednólia Fontenele. Durante o evento  haverá música ao vivo com Gregório Neto  e com o Maestro Beethoven. Também contará com um Sarau Literário, com declamação de poesias, aberto ao público.
O autor define em (A) TALHOS DA VIDA da seguinte forma:

Texto de Antonio Gallas