NONATO FREITAS - o imortal e inesquecível tutoiense!
domingo, 12 de julho de 2026
PERSONALIDADES TUTOIENSES
sexta-feira, 3 de julho de 2026
OPINIÃO POLÍTICA
ACREDITAR EM QUEM?
Poderia dizer que não sou afeito à política, tendo em vista que procuro evitar discutir o assunto. Já me desentendi e perdi muitas amizades por isso. Neste blog, evito postar matérias de opinião, críticas e até mesmo elogios. Entretanto, a política faz parte da vida de cada cidadão, principalmente em uma nação democrática como é o Brasil. Todavia, de uma coisa me orgulho: até hoje, tudo o que conquistei em minha vida foi graças à educação que recebi dos meus pais e aos meus estudos. Em todos os concursos aos quais me submeti, fui aprovado com distinção. Inclusive, sempre fui bem classificado nos exames para bolsas para estudar no exterior — scholarships.
Nunca esqueci, e jamais esquecerei, os elogios que recebi da professora Lorena, diretora do ICBEU — Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos, em Fortaleza-CE. A unidade ficava na "Cidade da Criança", no centro da capital alencarina. Foi lá que, em 1974, prestei exames para uma bolsa que me daria o direito de passar dois anos, sem gastar um centavo de meu dinheiro, em Haia, onde ficam a sede do governo, o parlamento e a residência da família real dos Países Baixos. Durante o período, eu faria um curso de programação de rádio. À época, eu apresentava a "Crônica da Cidade" — de maior audiência no horário. Isso, porém, não aconteceu, pois foi justamente quando minha mãe, dona Zila Gallas, adoeceu de um câncer no fígado e veio a falecer.
Mas como afirmei, a política afeta nossas vidas, e, diante de tanta "safadeza" que temos visto serem divulgadas nas mídias sociais, nos principais meios de comunicação nacional e internacionais, pedi à "Meta — Inteligência Artificial" um texto abordando o seguinte: "Acreditar em quem? Gostaria que elaborasse um artigo com esse título discorrendo sobre o comportamento atual dos políticos brasileiros. Sem citar nomes, o texto deve abordar como, em vez de cuidar dos interesses da população, muitos têm se dedicado aos próprios interesses e se envolvido em atitudes desonestas, conforme divulgado por canais de notícias de todo o país e até do exterior." Eis o texto elaborado pela IA:
"Acreditar em quem?
Vivemos um tempo em que a pergunta mais repetida nas rodas de conversa, nos grupos de WhatsApp e nos noticiários é simples e direta: em quem confiar?
O papel do político, em teoria, é um só: cuidar do interesse público. A Constituição define o mandato como um dever com a população, com a saúde, com a educação, com a segurança, com a infraestrutura e com o uso responsável do dinheiro que vem do próprio povo.
Na prática, porém, o que os canais de notícias do Brasil e até veículos internacionais vêm divulgando com frequência é outro cenário. São reportagens diárias sobre desvios, privilégios, acordos de bastidores e decisões que beneficiam grupos específicos em detrimento da coletividade. Investigações, CPI’s, operações policiais e escândalos de corrupção viraram pauta constante, e não exceção.
O afastamento entre representante e representado
Quando o foco do mandato deixa de ser a rua, a escola, o hospital e a obra inacabada, e passa a ser a manutenção de poder, cargos e vantagens pessoais, a população sente na hora. A consequência aparece no dia a dia: serviços que não funcionam, promessas que não saem do papel e a sensação de que o jogo foi combinado sem o cidadão.
Esse comportamento gera três efeitos diretos:
1. Descrença nas instituições: Se quem deveria fiscalizar parece envolvido, a confiança no sistema inteiro desmorona.
2. Apatia ou revolta: Uma parte escolhe afastar-se da política. Outra parte cobra com mais força nas redes, nas ruas e no voto.
3. Crise de representatividade: Surge a pergunta: para quem, de fato, esse político está trabalhando?
O preço da desonestidade
Atitudes desonestas não são “casos isolados” quando se repetem e viram notícia em todo o país. Elas custam caro. Custam em dinheiro público mal aplicado. Custam em oportunidades perdidas. Custam, principalmente, na credibilidade. Um país que não acredita em quem o representa tem dificuldade de avançar em qualquer projeto de longo prazo.
Então, acreditar em quem?
Talvez a resposta não esteja em “um nome salvador”, mas em critérios. Acreditar em quem presta contas com transparência. Em quem tem histórico de mandato alinhado com dados, e não só com discursos. Em quem aceita ser fiscalizado, responde perguntas difíceis e trata o cargo como serviço, não como privilégio.
Enquanto isso não for a regra, a pergunta “Acreditar em quem?” vai continuar ecoando. E ela só deixa de fazer sentido no dia em que o interesse público voltar a ser, de fato, o único interesse em jogo."
Imagens produzidas pela IA
terça-feira, 26 de maio de 2026
PARABÉNS PADINHA!
FELIZ 70 ANOS!
Há dias que são especiais na vida de cada pessoa, e tenho certeza que hoje, 26 de maio, é um dia especial na vida do jornalista,escritor, cronista e contista Antonio de Pádua Marques Silva.
Há 70 anos nascia nesta data, aqui na Parnaíba, um menino de uma família humilde, mas, honrada. Mesmo com suas peraltrices, peculiares em crianças da época — não existia o celular e as brincadeiras eram livres e sem maldades, entretanto, a obediência aos pais era primordial, obrigatória, caso contrário, o "pau cantava" isto é, "a taca comia"...
Jornalista profissional, escritor de '"peso e medida" Pádinha (como assim o tratamos na intimidade) em seus livros conta história de personagens da Parnaíba de uma forma bem humorada. Nas mãos dele, a história deixa de ser poeira de arquivo e vira conversa de calçada. Ele pega um fato esquecido lá de 1800 e tempera com uma boa dose de humor, e nos serve um conto que faz a gente rir antes de pensar e dizer: “Mas era assim mesmo?”
Pádua Marques sabe que o humor é a forma mais honesta de contar uma verdade. Enquanto outros historiadores trancam o passado a sete chaves, ele abre a janela, puxa uma cadeira e diz: “Senta aqui, que eu vou te contar o que o compadre do bisavô do delegado aprontou”. E de repente a cidade inteira cabe numa crônica de duas laudas. Assim ele vai criando causos envolvendo personalidades da Parnaíba conquistando cada vez mais um grande público de leitores que se tornam seus admiradores.
Padinha, que os próximos anos lhe tragam mais tinta na sua caneta (sei que você gosta de escrever com caneta) e mais Parnaíba nas linhas. Porque enquanto houver Pádua escrevendo, a cidade nunca vai ficar sem memória — e nunca vai ficar sem graça, nos dois sentidos da palavra.Parabéns, confrade Pádua Marques. Que teus 70 sejam só o prefácio de uma nova vida cheia de muitas glórias.
Parabens ilustre confrade!
segunda-feira, 25 de maio de 2026
LITERATURA PARNAIBANA
APAL PREPARA ELEIÇÃO PARA PRENCHER CADEIRA VAGA
Após o grande sucesso no lançamento da edição de número 77 do Almanaque da Parnaíba realizada na sexta-feira, dia 22, no auditório do SENAC, a Academia Parnaibana de Letras - APAL prepara-se agora para realizar a eleição que escolherá o acadêmico que ocupará o lugar vago da cadeira 31 deixado pelo falecimento da primeira e única ocupante, a escritora, poeta e compositora Ligia de Carvalho Gonçalves Ferraz.
Três candidatos se inscreveram. São eles: Carlos Galeno, Carlos Nogueira e Josiel Barros. Todos estão aptos a competir, tendo em vista que foram inscritos conforme preceituam o Estatuto e o Regimento Interno da Academia, que exigem a comprovação de autoria de, no mínimo, três obras publicadas, todas com registro ISBN e que sejam parnaibanos nato ou não sendo, comprovar que residem no município há pelo menos cinco anos. Os três são escritores, poetas e enriquecem a literatura parnaibana com suas preciosas obras.
De Carlos Galeno destaco a seguinte poesia:
ONDA
A onda
beija a praia
na horizontal excitada
libertinagem anfíbia
a manhã
marinha recém pintada
o sol bronzeia rostos satisfeitos
siris encarnados
lambuzando lamas
revigorizando momentos
êxtase natural
as ondas quebram
peixes esnobam
e se vão
anzóis jazem
linhas caniços iscas
ânimos sorrisos cerveja
aguas claras
turvas tentativas
pesca-se horas
fisga-se alegrias
Agora o destaque para o soneto de Carlos Nogueira que traz o nome de :
PEDRA DO SAL
No berço de mistérios e encantos mil,
Praia da Pedra do Sal, beleza sem par,
O sol se põe, um espetáculo sutil,
Reflete em nós o dom de amar.
As pedras posicionadas com arte divina,
Testemunham segredos que o mar guardou,
Onde o criador, em sua inspiração genuína,
Cria a terra, o céu, o amor que brotou.
Vista para o Delta, porto seguro do olhar,
Onde o Parnaibano encontra paz e fervor,
Nas ondas bravias, surfistas a bailar.
Entre a bruma e o horizonte, um só fervor
Oh, Praia da Pedra do Sal, em teu lume,
Renova-se o amor, em cada brisa e perfume.
Do poeta e escritor Josiel Barros destaco o poem ORAÇÃO DE PESCADOR. Eis o poema:
as águas
da minha gente
escrevem as claras manhãs
com correntezas
de esperança.
são esses galopes
que tecem o voo alegre
dos pássarinhos
rumo ao Sol nascente.
as águas dos riachos,
açudes e arroios desnudam
as cobertas das almas
e farfalham
o aboio ardente
que refrigera
a queimação infernal
que há no mundo.
ó águas do Caldeirão,
águas benditas,
voltai o meu corpo vageueante
às tuas profundidades,
como os lambaris
no beiral do açude
anelam pelo crescimento
seja eu o brilho da Flor
e a Flor do cimento
nas escritas manhãs
de minha cidade.
Pelo que se pode observar os três poetas exaltam a beleza da natureza através das águas que sejam do rio, mar ou açude.
Amanhã, dia 26, às 18 horas já saberemos quem ocupará a cadeira de número 31 que pertenceu a uma grande mestra que deixou um legado na educação e na cultura parnaibana, incusive foi quem compôs a letra do hino da Academia Parnaibana de Letras.
Boa sorte aos três candidatos.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
ALMANAQUE 2025 - LANÇAMENTO
Conforme amplamente divulgado na imprensa local e nas mídias sociais, a 77ª edição do Almanaque da Parnaíba relativo ao ano de 2025 será lançado hoje solenemente no auditório do Senac na avenida Leonardo de Carvalho Carvalho Castelo Branco, 5845 - Bairro Floriópolis - BR343. Na mesma solenidade haverá o lançamento do livro "História dos Mascates no Brasil" de autoria do escritor e acadêmico Valdeci Cavalcante.
| Foto Portal TV Costa Norte |
| Imagem de Nossa Senhora de Fátima esculpida por Francisco Galeno |
sábado, 16 de maio de 2026
A POESIA PARNAIBANA
| Foto Jairo Leocádio |
FERNANDO E DIEGO
O DIA DO POETA PARNAIBANO
Na data de 16 de maio, celebra-se ser oficialmente celebrado o "Dia do Poeta Parnaibano." A data foi instituída pela Câmara Municipal de Parnaíba através da Lei n° 1.960, de 19 de maio de 2003, com objetivo de homenagear os "artesãos da palavra" e celebrar a forte tradição literária da cidade. Infelizmente, talvez pela grande carga de afazeres dos que labutam com a poesia em nosso município, a a data acabou "passando em branco".
Tenho afirmado que o álcool, a mulher e a lua servem de inspiração aos grandes vates, mas devo confessar que as belezas naturais de uma cidade também são fontes de inspiração para seus poetas.
E como exemplo cito Parnaíba com suas belezas naturais entre o Delta majestoso com suas dunas douradas e seus casarões à beira do Rio Igaraçu,que têm sido fonte perene de inspiração para seus poetas. Do vento que desenha as areias ao pôr do sol sobre as águas, a paisagem da cidade se transforma em verso, alimentando a sensibilidade e a memória de quem faz da palavra um ofício.
E assim, inspirou muitos dos poetas parnaibanos como Alcenor Candeira, Israel Correia, Fernando Ferraz, Diego Mendes que com seus poemas homenageiam o Rio Igaraçu, os quais publico a seguir:
OH, PARNAÍBA!
Minha Parnaíba
onde está o Rio
que procuro em ti?
As barcas do Igaraçu
sumiram do porto
do cais de onde parti.
Para onde escoaram
as ilusões de tuas riquezas
nos grotões do Piauí?
No leito das tuas águas
afago minhas mágoas
em sonhos sem me iludir
Minha Parnaíba
onde está o brio
que escuto em ti?
(poema de Fernando Ferraz)
IGARAÇAL
Dos meus ancestrais,
tudo guardei no chão.
Fiz da minha cidade
o meu paraíso ignorado.
Pela corda do barco,
estiquei a imaginação
temporã
e fui discreto
ao cavar com os dedos
as dunas
do meu quintal.
Inventei um país diverso,
emergido do rio Parnaíba
trazendo consigo
os seus peixes
encantados:
fidalgo, curimatã, piaba, surubim, manjuba, piratinga,
sardinha, piau, carazinho, lambari,
bagre, joaninha,
branquinha-do-olhão, doirado, dorme-dorme,
enguia-d´água-doce
e outros seres semelhantes
a vigilarem o velário da paisagem
mais enebriante
derramada sobre a minha vida
de habitante
da vazante inteligente
com sofrimentos
e estrelas estilhaçadas.
(Poema de Diego Mendes Sousa )
| Fotografia de Helder Fontenele |
domingo, 10 de maio de 2026
FELIZ DIA DAS MÃES!
sexta-feira, 1 de maio de 2026
1º DE MAIO - DIA DO TRABALHO
de ParnaíbaPorto das Barcas - onde iniciou-se a atividade econômica
Neste 1º de Maio, o Blog do Professor Gallas rende homenagem à classe trabalhadora brasileira, com destaque especial aos homens e mulheres de Parnaíba. Do Porto das Barcas ao centro comercial, das salinas à beira-rio, do professor em sala de aula ao pescador no Delta, é o trabalho parnaibano que sustenta nossa história e projeta nosso futuro.
Que este Dia do Trabalho renove a luta por salários justos, condições dignas e respeito a todos aqueles que se empenham em cumprir suas obrigações, porque sem trabalhador, não há cidade, não há país.
Parabéns, trabalhador parnaibano! Parabéns, trabalhador
brasileiro!
Avenida Dr. João Silva Filha concentra um grande centro comercial na cidade
quinta-feira, 30 de abril de 2026
A Academia Parnaibana de Letras elegerá em maio próximo novo membro para a Cadeira nº 31, cujo patrono é José Pinheiro Machado. A cadeira foi ocupada, até o momento, apenas pela professora e poetisa Lígia de Carvalho Gonçalves Ferraz. Três candidatos concorrem à vaga. São eles:
- Carlos Henrique Nogueira Sobrinho – escritor, poeta, compositor e profissional do Direito com atuação destacada na cidade. Sua obra transita entre a literatura infantil, poesia e reflexão filosófica. Reside em Parnaíba.
- Francisco Carlos Galeno de Lima — sociólogo, poeta e declamador. Participa de eventos literários em escolas de São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, onde reside, sendo bastante aplaudido. Recentemente, lançou no Auditório Testa Branca, da Academia Parnaibana de Letras, sua mais recente obra, o livro Deleite, ocasião em que também foi muito aplaudido.Os três candidatos foram inscritos conforme preceituam o Estatuto e o Regimento Interno da Academia, que exigem a comprovação de autoria de, no mínimo, três obras publicadas, todas com registro ISBN.
A eleição será realizada no dia 26 de maio de 2026, no horário das 14h às 18h, de forma híbrida, presencialmente, na sede da APAL, e por voto eletrônico, com a participação dos Acadêmicos membros do sodalício.
Pelo perfil dos inscritos, a disputa pela Cadeira nº 31 da Academia Parnaibana de Letras promete ser acirrada, com possibilidade de segundo turno. Os três candidatos apresentam produção literária consistente e cumprem as exigências do Estatuto e do Regimento Interno da APAL.
Foto dos Candidatos
| Carlos Nogueira |
| Carlos Galeno |
| Josiel Barros |
ALMANAQUE DA PARNAÍBA E O LIVRO MASCATES DO BRASIL
Por outro lado, a Academia já prepara o lançamento festivo do Almanaque da Parnaíba 2025. O evento ocorrerá no dia 22 de maio próximo, a partir das 19 horas, no auditório do Senac em Parnaíba, situado na Avenida Leonardo de Carvalho Castelo Branco, 5845 – BR 343 – Bairro Floriópolis.
Na mesma ocasião, também será lançado o livro A "História dos Mascates no Brasil e a Trajetória de Gerardo Ponte Cavalcante", de autoria do acadêmico e empresário Valdeci Cavalcante.
O Almanaque da Parnaíba, criado em 1923 por Benedito dos Santos Lima, o Bembém, chega à sua 77ª edição em 2025, mantendo sua missão de preservar e difundir a história, a cultura e a literatura parnaibana.
A comunidade parnaibana está sendo convidada a prestigiar este grande evento cultural que celebra a memória, a literatura e a identidade do nosso povo.
Quanto a edição de 2026 do citado anuário a diretoria da APAL já está tomando as devidas providências para que o lançamento seja feito em dezembro deste ano.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
SHORT STORIES
ROUBANDO O JUDAS NA CASA DOS CARCAMANOS
Anos 1960. Semana Santa em Tutóia, cidade do litoral maranhense. Nessa época, os chamados "dias grandes" eram guardados com todo respeito. Era pecado tomar banho na Sexta-Feira da Paixão ou receber dinheiro pela comercialização de algum produto.
Diziam que o Expedito Gonçalves, um cabo da Marinha que serviu na Capitania dos Portos em Tutóia, ficara com o corpo cheio de cabelos porque tinha tomado banho numa Sexta-Feira Santa. Na nossa infância, conhecemos o Mola Deu, um mendigo que sentia dificuldade em pronunciar as palavras e a expressão "uma esmola, pelo amor de Deus", ele dizia "mola deu, mola deu". Aí a origem do apelido. Mas, tudo não passava de mito.
A fartura imperava! A troca de bolos, de jejuns, muitas vezes chamadas de "esmolas", entre pessoas amigas, era uma tradição. Dona Zila Galas, minha mãe, fazia bolos como ninguém! Seus bolos eram bastante apreciados e, por isso, nessa época, muita gente levava jejuns para nossa casa com o objetivo de receberem, em troca, os saborosos bolos que ela fazia. Deu que, certa vez, durante esse período de Semana Santa, bateram palmas no portão e eu fui atender. Eu deveria ter entre oito ou nove anos de idade. Encontrei duas crianças mais velhas que eu, segurando uma bandeja de alumínio contendo cinco espigas de milho (descascadas) e um mói (*) de feijão verde. Ao me verem, disseram: — Viemos aqui deixar essa esmola que a mamãe mandou. Eu prontamente respondi: — Aqui ninguém precisa de esmola não, nós somos ricos!
Quanta ingenuidade! Quanta inocência na cabeça de uma criança!
As crianças, meio encabuladas, já iam dando meia-volta quando Dona Zila apareceu e contornou a situação. Mas de uma coisa eu tinha certeza: podia preparar as costas para as chibatadas no Sábado. Iria romper a aleluia para aprender a ter humildade diante das pessoas. Mas a expectativa de toda a criançada e também de muitos adultos era o Domingo da Ressurreição, com a malhação e queima do Judas.
O Judas era confeccionado na sexta-feira ou no sábado e escondido em algum lugar para que não fosse roubado, e até porque tinha o desafio da procura no dia seguinte, com mérito para quem o encontrasse. Nesse dia, os irmãos Reubem e Tufy, filhos do Nagib, com a ajuda do primo Maurício (o conhecido Braço de Radiola), filho do Fuad, confeccionaram o Judas e resolveram escondê-lo na alcova do casal Marta e Felipe Zeidan, que o povo chamava de Carcamanos.
A família Zeidan veio da Síria, um dos dezenove países que hoje formam o Mundo Árabe. Trabalhadores, prosperaram em Tutóia, construíram uma grande prole e, pelos seus méritos, fazem parte da história daquele município. Eram conhecidos como Carcamanos, todavia, é errado dizer que os árabes, sejam sírios, libaneses ou de qualquer outro país desse bloco, sejam carcamanos, tendo em vista que esta expressão é de origem italiana, pois foram os italianos os primeiros imigrantes a chegar em São Paulo.