quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

REMINISCÊNCIAS

Fazendo hoje, 25 de fevereiro,  uma leitura detalhada das mensagens recebidas nos  e-mails da Academia Parnaibana de Letras, encontrei esta preciosidade da infância de um menino que guarda na lembrança a saudade de um tempo feliz que só mesmo quem viveu naquela época pode relatar. João Bosco dos Santos,  é membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, é poeta, escritor, parnaibano, nascido no dia 5 de Novembro de 1944. Após concluir o curso médio de nível técnico, em Fortaleza, Ceará, transferiu-se para a cidade de Santo André, São Paulo, onde está radicado desde o ano de 1961. Em 1964 diplomou-se em Técnico de Contabilidade, na antiga Escola Técnica de Comércio Santo André. Posteriormente; cursou a Faculdade de Comunicação Social, do Instituto Metodista de Ensino Superior (atual Universidade Metodista de São Paulo), concluindo em 1978. Obteve o título de Mestre em Comunicação e Mercado, no ano de 2001, pela Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Dedicou-se ao ensino superior, lecionando em cursos de graduação e pós-graduação. Foi fundador e primeiro presidente do Rotary Club de Santo André-Alvorada; ex- presidente da Associação dos Amigos do Museu de Santo André; é portador da comenda “Paul Harris”, de Rotary International; é portador da Medalha Cívica “Regente Feijó”, no grau de “Cavaleiro”, outorgada pela Câmara Brasileira de Cultura. Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo, desde 2002, onde ocupa a Cadeira 28.  Caso alguém queira estreitar um relacionamento com ele, segue seu email: jboscoescritor@gmail.com

 REMINISCÊNCIAS





Joao Bosco dos Santos 

 Parnaibano. Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo.

INFÂNCIA PARNAIBANA

João Bosco dos Santos

 

Relembrei, hoje, saudoso

A cidade onde nasci

Na qual, menino tinhoso

Muita alegria vivi.

 

Corria da ventania

Que a areia soprava

Brincava na calmaria

Depois que a chuva parava.

 

Olhava pro fim da rua

E o antigo cruzeiro

Quando estava cheia a lua

Era o nosso paradeiro

 

Recordo a “Marc Jacob”

Onde meu pai trabalhava

Era a loja maior

Que Parnaíba abrigava.

 

Me lembro da Casa Inglesa

Foi “Paulo Inglês” quem fundou

Seu prédio era uma beleza

E James Clark a comprou.

 

Curtume Adolfo Quirino

Que exalava um mau cheiro

Pra mim, ainda menino

Era como um vespeiro

Na União Caixeiral

Meu velho pai estudou

Fez um esforço anormal

Mas, afinal, se formou

 

Lembro do Porto Salgado

Dos seus velhos casarões

Alinhados, lado a lado

Muitos deles oitentões

 

Mirocles Veras, doutor

Era quem nos consultava

Ao menor sintoma ou dor

Mamãe logo o visitava

 

Quintino Cunha, o poeta

Cearense, meu pai lia

E ria como um pateta.

Como ele se divertia!

 

Vô Manoel, que pescava,

Ia pro Igaraçu

E, com o côfo voltava

Com peixes, menos pacu

 

Pescador, cheio de manha,

Nunca se preocupou

Até que uma piranha

Um dedo lhe decepou

 Amigos, eu poucos tinha

Nunca em grupos andei

Pois, eu era o caçulinha

E logo me acostumei

 

Quando ia à escola

Na minha infância primeira

Corria, chutava bola

Era tudo brincadeira.

 

Meu berço natal amado

Foste o começo da vida

Eternamente lembrado

Ó, Parnaíba querida!

 

Quando me vens à memória

Às vezes, me surpreendo

Relembrando a minha história

Sou feliz e compreendo

 

E minha compreensão

Me leva a imaginar

E ao meu pedaço de chão

Não sei se vou retornar

 

Parti muito pequenino

Como faz qualquer migrante

Hoje, sigo o meu destino

Mas não me tornei um errante

 

 

 

Me lembro do cajueiro

(Humberto de Campos plantou)

Do passeio domingueiro

Ao Morro do Gemedor

 

À Praia de Amarração

No trem, a Luiz Correia

Descalço, de pé no chão

Onde nada aperreia.

 

Nos ombros, acomodado

Papai me levava ao mar

E eu, muito apavorado

Desandava a chorar.

 

E, lá na Pedra do Sal

Onde sopra forte o vento

A diversão era tal

Que quase não me aguento.

 

D’uma lenda assustadora

Contada, tintim por tintim

A mais apavoradora

Falava sobre o Crispim

 

Era o Cabeça de Cuia

Que assustava a moçada

Que de pavor e mucuia

Fugia em disparada.

 

 

 

Certa vez, na correria

Caí na cacimba, poço

Que no quintal de casa havia

Oh, Meu Deus, quanto alvoroço!

 

No tempo da minha infância

Eu era muito feliz

Nada tinha importância

E eu tive tudo o que quis.

 

Tudo o que me contentava

E me trazia alegria

Era o que meu pai montava

Era o que papai fazia

 

Petecas de verde palha

De pau eram os cavalinhos

Forquilha era a cangalha

Os chicotes, barbantinhos

 

No fundo do quintal tinha

Também mangueira e umbuzeiro

Quando eu, da escola vinha

Comia o dia inteiro

 

Tinha um forno de barro

Lá, vovó assava o pão

E eu achava bizarro

Reparti-lo com facão

 

 

 

Quando levou a mordida

De uma cobra coral

Vovó estava encolhida

No meio do matagal

 

Causada pela demora

Que o socorro levou

Em pouco mais de uma hora

A venenosa a cegou

 

De Parnaíba saí

Com sete anos de vida

Mas eu jamais esqueci

A minha infância querida.

 

Ao Criador rogarei

Que me dê disposição

E, à Parnaíba irei

Com toda a minha emoção!

 

 Santo André, 25 de fevereiro de 2020

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