Há um mês, exatamente no dia 21 de novembro, a
cidade da Parnaíba recebeu a triste notícia do falecimento do médico
cardiologista Carlos Araken Correia Rodrigues.
Por ser membro da Academia Parnaibana de Letras, o presidente José Luiz
de Carvalho decretou luto oficial por sete (07) dias, suspendendo toda e
qualquer atividade festiva que poderia haver na instituição, dentro desse
período. Entretanto, em virtude de já ter sido programada uma data na qual tomariam
posse Manuel Domingos Neto, Paulo de Tarso Mendes Souza e José Hamilton Castelo
Branco, realizou-se a sessão cumprindo-se apenas o Ritual Acadêmico. Durante a sessão de posse dos neoacadêmicos, o
presidente José Luiz de Carvalho determinou que o professor Antonio Gallas
Pimentel, Secretário Geral, prestasse, em nome da Academia Parnaibana de Letras,
uma homenagem póstuma ao dr. Carlos Araken, que ocupou a cadeira de nº 23, que
tem como patrono Dom Felipe Conduru Pacheco, primeiro Bispo Diocesano de
Parnaíba. Eis a homenagem:
Senhoras e Senhores,
Nesta noite, deveríamos ter aqui, neste auditório, uma
solenidade bastante festiva, cheia de pompas, porque a Academia Parnaibana de Letras
engalana-se para receber três ilustres membros que participam da vida social,
cultural e política desta cidade.
No entanto,
pelo sentimento de tristeza que se abateu nesta Academia desde a manhã de
terça-feira, 21 do corrente mês, fez com que, a diretoria da APAL tomasse a
decisão de suspender toda e qualquer atividade festiva já programada.
Não foi só a academia que ficou
triste na manhã daquela terça-feira, 21 de novembro. A cidade da Parnaíba
também ficou bastante entristecida! Falecia,
num dos leitos do Hospital Marques Bastos, o dr. Carlos Araken, médico,
cardiologista, humanitário, e que em vida, com o seu trabalho, muito contribuiu
para o engrandecimento de Parnaíba, realizando
inúmeras ações na sociedade (as
festas nos Lions, quem não se lembra?) na
cultura (patrocinava do seu próprio bolso o teatro do SESC nos tempos da
saudosa “Mãe Marocas”), nas ações sociais (era membro do Lions
Club Internacional – um dos maiores
clubes de serviços do mundo) na ajuda
aos menos favorecidos (muitas vezes deixava de cobrar a consulta e ainda
dava o dinheiro para a pessoa comprar o medicamento. Por tudo isso e por muito mais, Carlos Araken
deixou sua marca em nossos corações, com o seu sorriso, sua humildade, sua
generosidade.
Aqui na terra ficamos entristecidos com a morte do nosso
médico, do nosso amigo, do nosso confrade Carlos Araken. Mas lá no céu houve
uma grande festa! Deus o recebeu de braços abertos
e o levou ao encontro do seu pai João Câncio, da sua Mãe Alice, dos seus irmãos
Moacyr e Paulo, da sua cunhada Cesalpina, e também ao encontro dos seus amigos como Rubem Freitas, Miguel Pró Magalhães, Carlos Guido, dr. José Luis
da Silva, Colombo Neto e de muitos
outros que lá já estavam esperando para abraça-lo carinhosamente e dar-lhe as
boas vindas celestiais.
Esta
homenagem por parte da Academia nasce do profundo reconhecimento e admiração e
admiração de todos que tiveram a oportunidade e a satisfação de conviver com o
nosso homenageado. E para terminar, vamos projetar uma crônica escrita pelo dr. Antonio de Pádua Ribeiro dos Santos, ex -
presidente daAPAL retratando a alegria, e a espontaneidade do dr. Carlos Araken.
O DIA EM QUE O PAJÉ TROUXE GRANDE ALEGRIA À
SUA TRIBO
"No início da década de setenta, Parnaíba, na sua cansada pacatez
de cidade de fim de linha, ainda esperneava e conseguia, não sei como, trazer
de longe e sem ajuda do poder público, para que aqui cantasse e dançasse,
sob o acompanhamento de músicos da terra, figuras de reconhecida fama.
Foi assim com relação ao cantor Jerry Adriani. Ele chegou de avião porque a
cidade, como já disse, ainda esperneava e as aeronaves por aqui passavam,
pousavam e traziam gente famosa; e o aeroporto nem tinha nome de ferro na
fachada, e nem era internacional.
Carlos
tinha um fusca verde, de teto solar - que era coisa rara - e exatamente por
aquele buraco que se abria no rumo do céu ensolarado saía a cabeça e mais
da metade do corpo do galã que encantava a multidão enfileirada ao longo da
Avenida Nossa Senhora de Fátima, à época único canal de acesso ao Centro para
quem aqui chegava voando.
À noite, em um clube na beira-rio, o espetáculo foi um sucesso, e contagiante a
alegria de toda a Nação Teremembés. O visitante com sua voz estridente e
inconfundível, disse para o que veio cantando inesquecíveis músicas como Querida,
Olhos Feiticeiros, Doce, Doce Amor, e muitas outras que então figuravam
em todas as paradas de sucesso.
O Doutor Carlos, que depois de tanto tempo ainda continua sendo o bom e amigo
médico dos corações parnaibanos, deve ter ficado bastante orgulhoso com o
resultado daquele evento. E se aqui se faz alusão ao seu nome o termo pajé é
simplesmente porque há no seu nome o Araken, o mesmo nome
daquele que, segundo Alencar, proporcionou grande alegria à tribo dos
Tabajaras, trazendo ao mundo a imortal Iracema.
E não venha o gentleman acadêmico dizer que o seu nome não
tem raízes no poema alencarino, pois com certeza é de se acreditar que tem, até
mesmo porque tinha ele um irmão, também bom amigo, que se chamava Moacir - o mesmo
nome do querido filho da lendária guerreira dos lábios de mel.
Parnaíba,
Junho de 2010."
A
crônica acima faz parte do livro "O Encantador de Serpentes" do autor
citado, no qual, numa prosa bem humorada ele homenageia várias personalidades
parnaibanas. As ilustrações são do artista parnaibano Fernando
Antônio Melo de Castro.
Ícone da Jovem Guarda, Jair Alves de Souza nasceu em 29 do janeiro de 1947, no
bairro do Brás, em São Paulo. Adotou o nome artístico de Jerry Adriani quando
começou sua carreira como cantor, em 1964. Jerry Adriani, morreu às 15h30
de domingo passado (23 de abril de 2017), aos 70 anos, no Rio de Janeiro.


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