quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

HOMENAGEM AO DOUTOR CARLOS ARAKEN



Há um mês, exatamente no dia 21 de novembro, a cidade da Parnaíba recebeu a triste notícia do falecimento do médico cardiologista Carlos Araken Correia Rodrigues.  Por ser membro da Academia Parnaibana de Letras, o presidente José Luiz de Carvalho decretou luto oficial por sete (07) dias, suspendendo toda e qualquer atividade festiva que poderia haver na instituição, dentro desse período. Entretanto, em virtude de já ter sido programada uma data na qual tomariam posse Manuel Domingos Neto, Paulo de Tarso Mendes Souza e José Hamilton Castelo Branco, realizou-se a sessão cumprindo-se apenas o Ritual Acadêmico.  Durante a sessão de posse dos neoacadêmicos, o presidente José Luiz de Carvalho determinou que o professor Antonio Gallas Pimentel, Secretário Geral, prestasse, em nome da Academia Parnaibana de Letras, uma homenagem póstuma ao dr. Carlos Araken, que ocupou a cadeira de nº 23, que tem como patrono Dom Felipe Conduru Pacheco, primeiro Bispo Diocesano de Parnaíba.  Eis a homenagem:
Senhoras e Senhores,
            Nesta noite, deveríamos ter aqui, neste auditório, uma solenidade bastante festiva, cheia de pompas, porque a Academia Parnaibana de Letras engalana-se para receber três ilustres membros que participam da vida social, cultural e política desta cidade.
            No entanto, pelo sentimento de tristeza que se abateu nesta Academia desde a manhã de terça-feira, 21 do corrente mês, fez com que, a diretoria da APAL tomasse a decisão de suspender toda e qualquer atividade festiva já programada.
            Não foi só a academia que ficou triste na manhã daquela terça-feira, 21 de novembro. A cidade da Parnaíba também ficou bastante entristecida!  Falecia, num dos leitos do Hospital Marques Bastos, o dr. Carlos Araken, médico, cardiologista, humanitário, e que em vida, com o seu trabalho, muito contribuiu para o engrandecimento de Parnaíba,  realizando inúmeras ações na sociedade (as festas nos Lions, quem não se lembra?) na cultura (patrocinava do seu próprio bolso o teatro do SESC nos tempos da saudosa  “Mãe Marocas”), nas ações sociais (era membro do Lions Club  Internacional – um dos maiores clubes de serviços do mundo) na ajuda aos menos favorecidos (muitas vezes deixava de cobrar a consulta e ainda dava o dinheiro para a pessoa comprar o medicamento.  Por tudo isso e por muito mais, Carlos Araken deixou sua marca em nossos corações, com o seu sorriso, sua humildade, sua generosidade.
            Aqui na terra ficamos entristecidos com a morte do nosso médico, do nosso amigo, do nosso confrade Carlos Araken. Mas lá no céu houve uma grande festa! Deus o recebeu de braços abertos e o levou ao encontro do seu pai João Câncio, da sua Mãe Alice, dos seus irmãos Moacyr e Paulo, da sua cunhada Cesalpina, e também ao encontro  dos seus amigos como Rubem Freitas,  Miguel Pró Magalhães, Carlos Guido, dr. José Luis da Silva, Colombo Neto e de  muitos outros que lá já estavam esperando para abraça-lo carinhosamente e dar-lhe as boas vindas celestiais.
            Esta homenagem por parte da Academia nasce do profundo reconhecimento e admiração e admiração de todos que tiveram a oportunidade e a satisfação de conviver com o nosso homenageado. E para terminar, vamos projetar uma crônica escrita pelo  dr. Antonio de Pádua Ribeiro dos Santos, ex - presidente daAPAL  retratando  a alegria,  e a espontaneidade do  dr. Carlos Araken.  
O DIA EM QUE O PAJÉ TROUXE GRANDE ALEGRIA  À SUA TRIBO 
 "No início da década de setenta, Parnaíba, na sua cansada pacatez de cidade de fim de linha, ainda esperneava e conseguia, não sei como, trazer de longe  e sem ajuda do poder público, para que aqui cantasse e dançasse, sob o acompanhamento de músicos da terra, figuras de reconhecida fama.
                     Foi assim com relação ao cantor Jerry Adriani. Ele chegou de avião porque a cidade, como já disse, ainda esperneava e as  aeronaves por aqui passavam, pousavam e  traziam gente famosa; e o aeroporto nem tinha nome de ferro na fachada, e nem era internacional.
                    Carlos tinha um fusca verde, de teto solar - que era coisa rara - e exatamente por aquele buraco que se abria no rumo do céu ensolarado saía a cabeça  e mais da metade do corpo do galã que encantava a multidão enfileirada ao longo da Avenida Nossa Senhora de Fátima, à época único canal de acesso ao Centro para quem aqui chegava voando.


                     O diferente vôques - era assim  que se chamava aquele automóvel da Volkswagem - depois de desfilar para moças e rapazes que entupigaitavam ruas e esquinas, tendo como chofer  o próprio dono, que também era o promotor da festa, chegou e parou à porta do hotel onde o artista deveria ficar hospedado, descansando, esperando a hora do show, mas tudo depois de enfiar, por algumas vezes, a cabeça na janela do apartamento para receber  gritos, sorrisos e acenos de fãs,   que insistiam em chegar pelo menos mais perto do atraente ídolo.
                    À noite, em um clube na beira-rio, o espetáculo foi um sucesso, e contagiante a alegria de toda a Nação Teremembés. O visitante com sua voz estridente e inconfundível,  disse para o que veio cantando inesquecíveis músicas como Querida, Olhos Feiticeiros, Doce, Doce Amor, e muitas outras que então figuravam em todas as paradas de sucesso.
                    O Doutor Carlos, que depois de tanto tempo ainda continua sendo o bom e amigo médico dos corações parnaibanos, deve ter ficado bastante orgulhoso com o resultado daquele evento. E se aqui se faz alusão ao seu nome o termo pajé é simplesmente porque há no seu nome o Araken,  o mesmo nome daquele que, segundo Alencar, proporcionou grande alegria à tribo dos Tabajaras, trazendo ao mundo  a imortal Iracema.
                     E não venha o gentleman acadêmico dizer que o seu nome não tem raízes no poema alencarino, pois com certeza é de se acreditar que tem, até mesmo porque tinha ele um irmão, também bom amigo, que se chamava Moacir - o mesmo nome do querido filho da lendária guerreira dos lábios de mel.
Parnaíba,  Junho de 2010."
                     A crônica acima faz parte do livro "O Encantador de Serpentes" do autor citado, no qual, numa prosa bem humorada ele homenageia várias personalidades parnaibanas.  As ilustrações são do artista parnaibano Fernando Antônio Melo de Castro. 
                   
                       Ícone da Jovem Guarda, Jair Alves de Souza nasceu em 29 do janeiro de 1947, no bairro do Brás, em São Paulo. Adotou o nome artístico de Jerry Adriani quando começou sua carreira como cantor, em 1964. Jerry Adriani,  morreu às 15h30 de domingo passado (23 de abril de 2017), aos 70 anos, no Rio de Janeiro.
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário