terça-feira, 6 de outubro de 2026

CAUSOS DO MEU SOBRINHO PRODAMOR

 PROMESSAS DE CAMPANHA

Antonio Gallas

Imagem produzida pela Meta IA

A campanha política é um prato cheio para quem quer contar um bom causo.

Durante o período eleitoral, acontecem fatos inusitados  tanto por parte dos candidatos, como dos eleitores.

Lembro-me de um candidato a vereador que era "dentista prático" e, sabedor de que os eleitores iriam pedir dentaduras, já levava consigo um saco cheio de "pererecas" (próteses dentárias) que tinham sido fabricadas por ele próprio.

Ao chegar à casa do eleitor, era só meter a mão no dito saco e a pessoa ficava experimentando, como quem experimenta um sapato, até encontrar a dentadura que mais se encaixava na sua gengiva.

Mas, além das promessas feitas pelos candidatos, os eleitores também aproveitam para pedir. E como pedem!... Pedem até  coisas  impossíveis de serem dadas.

Esses fatos inusitados que acontecem durante uma campanha política, com um pouco de imaginação e uma pitada de humor, podem levar o leitor a dar boas gargalhadas, como os que vou narrar.

Em minha cidade natal, Tutóia, no Maranhão, quando prefeito, o doutor Merval de Oliveira Melo formalizou, junto à Santa Casa de Misericórdia, em Parnaíba, um convênio para que fossem feitas cirurgias de períneo em senhoras encaminhadas pela prefeitura daquela cidade.

Um rapaz de aproximadamente dezessete anos, residente em povoado do interior do município, de tanto ouvir falar que o prefeito estava dando períneo, dirigiu-se ao chefe do Executivo e, com aquele jeito matreiro de morador do interior e voz encabulada, pediu: "Seu doutor Merval, me dê também um períneo!..."Os políticos, à cata de votos, prometem o que podem e o que não podem cumprir. Uns cumprem suas promessas, outros não. Isso me faz lembrar o que aconteceu com meu sobrinho Prodamor, que ganhou algum dinheiro em São Paulo e voltou à sua terra natal, onde se estabeleceu como comerciante.

Mas o que tem o Prodamor a ver com eleição?

Como disse antes, ao retornar de São Paulo à sua terra natal, com o dinheiro economizado na grande pauliceia, Prodamor montou um pequeno comércio de compra e venda de produtos alimentícios. Progrediu nos negócios e, em pouco tempo, tornou-se dono de um grande supermercado. Desses tipo loja de departamentos, que vendem desde o sabão em pó até bicicleta Monark.

Como acontece em toda cidade pequena, Prodamor foi logo convidado a participar de eventos sociais. Associou-se ao clube local e participava intensamente da vida social da sua terra. Passou a ser respeitado e admirado pelos seus conterrâneos, dada a sua habilidade em conduzir seus negócios, que progrediam cada vez mais.

Agora é que começa a desgraça do meu sobrinho...

Aconselhado por amigos (?), candidata-se a prefeito. Durante a campanha, promete coisas e mais coisas aos eleitores.

Perde as eleições. Mesmo assim, quer honrar os compromissos assumidos, as dívidas, as promessas, pois pretende ser candidato na próxima eleição.

Começa, então, a distribuição dos objetos prometidos: um fogão a gás para um, uma bicicleta para outro, uma equipe e uma bola de futebol para o time... E Prodamor vê seu comércio desaparecer  da noite para o dia.

O povão na porta, todos os dias, cobrando o que fora prometido.

Prodamor já não sabe mais o que fazer. Baixa as portas do estabelecimento e tenta refugiar-se em sua casa. De repente, na sala, depara-se com um rapaz que, com as mãos suspensas à altura do rosto, fazia insistentemente um gesto com os dedos indicadores e polegares curvados, formando a letra "O", apontando para ele.

Desesperado, Prodamor chama sua secretária e exclama: "Vê aí, menina, se eu prometi dar o meu 'efe ó fó' para esse homem? "O rapaz era mudo e queria apenas receber o par de óculos que lhe fora prometido.


( domínio popular)

Do livro “Meu Sobrinho Prodamor e outros Causos”

 

 

 

 

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