PROMESSAS DE CAMPANHA
Antonio Gallas
| Imagem produzida pela Meta IA |
A campanha política é um prato cheio para quem quer contar um bom causo.
Durante o
período eleitoral, acontecem fatos inusitados tanto por parte dos candidatos, como dos eleitores.
Lembro-me de
um candidato a vereador que era "dentista prático" e, sabedor de que
os eleitores iriam pedir dentaduras, já levava consigo um saco cheio de
"pererecas" (próteses dentárias) que tinham sido fabricadas por ele
próprio.
Ao chegar à
casa do eleitor, era só meter a mão no dito saco e a pessoa ficava
experimentando, como quem experimenta um sapato, até encontrar a dentadura que
mais se encaixava na sua gengiva.
Mas, além das
promessas feitas pelos candidatos, os eleitores também aproveitam para pedir. E
como pedem!... Pedem até coisas impossíveis de serem dadas.
Esses fatos
inusitados que acontecem durante uma campanha política, com um pouco de
imaginação e uma pitada de humor, podem levar o leitor a dar boas gargalhadas,
como os que vou narrar.
Em minha
cidade natal, Tutóia, no Maranhão, quando prefeito, o doutor Merval de Oliveira
Melo formalizou, junto à Santa Casa de Misericórdia, em Parnaíba, um convênio
para que fossem feitas cirurgias de períneo em senhoras encaminhadas pela
prefeitura daquela cidade.
Um rapaz de
aproximadamente dezessete anos, residente em povoado do interior do município,
de tanto ouvir falar que o prefeito estava dando períneo, dirigiu-se ao chefe
do Executivo e, com aquele jeito matreiro de morador do interior e voz
encabulada, pediu: "Seu doutor Merval, me dê também um
períneo!..."Os políticos, à cata de votos, prometem o que podem e o
que não podem cumprir. Uns cumprem suas promessas, outros não. Isso me faz
lembrar o que aconteceu com meu sobrinho Prodamor, que ganhou algum dinheiro em
São Paulo e voltou à sua terra natal, onde se estabeleceu como comerciante.
Mas o que tem
o Prodamor a ver com eleição?
Como disse
antes, ao retornar de São Paulo à sua terra natal, com o dinheiro economizado
na grande pauliceia, Prodamor montou um pequeno comércio de compra e venda de
produtos alimentícios. Progrediu nos negócios e, em pouco tempo, tornou-se dono
de um grande supermercado. Desses tipo loja de departamentos, que vendem desde
o sabão em pó até bicicleta Monark.
Como acontece
em toda cidade pequena, Prodamor foi logo convidado a participar de eventos
sociais. Associou-se ao clube local e participava intensamente da vida social
da sua terra. Passou a ser respeitado e admirado pelos seus conterrâneos, dada
a sua habilidade em conduzir seus negócios, que progrediam cada vez mais.
Agora é que
começa a desgraça do meu sobrinho...
Aconselhado
por amigos (?), candidata-se a prefeito. Durante a campanha, promete coisas e
mais coisas aos eleitores.
Perde as
eleições. Mesmo assim, quer honrar os compromissos assumidos, as dívidas,
as promessas, pois pretende ser candidato na próxima eleição.
Começa, então,
a distribuição dos objetos prometidos: um fogão a gás para um, uma bicicleta
para outro, uma equipe e uma bola de futebol para o time... E Prodamor vê seu
comércio desaparecer da noite para o dia.
O povão na
porta, todos os dias, cobrando o que fora prometido.
Prodamor já
não sabe mais o que fazer. Baixa as portas do estabelecimento e tenta
refugiar-se em sua casa. De repente, na sala, depara-se com um rapaz que, com
as mãos suspensas à altura do rosto, fazia insistentemente um gesto com os
dedos indicadores e polegares curvados, formando a letra "O",
apontando para ele.
Desesperado, Prodamor chama sua
secretária e exclama: "Vê aí, menina, se eu prometi dar o meu 'efe ó
fó' para esse homem? "O rapaz era mudo e queria apenas receber o
par de óculos que lhe fora prometido.
( domínio popular)
Do livro “Meu Sobrinho
Prodamor e outros Causos”
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