| Foto Jairo Leocádio |
FERNANDO E DIEGO
O DIA DO POETA PARNAIBANO
Na data de 16 de maio, celebra-se ser oficialmente celebrado o "Dia do Poeta Parnaibano." A data foi instituída pela Câmara Municipal de Parnaíba através da Lei n° 1.960, de 19 de maio de 2003, com objetivo de homenagear os "artesãos da palavra" e celebrar a forte tradição literária da cidade. Infelizmente, talvez pela grande carga de afazeres dos que labutam com a poesia em nosso município, a a data acabou "passando em branco".
Tenho afirmado que o álcool, a mulher e a lua servem de inspiração aos grandes vates, mas devo confessar que as belezas naturais de uma cidade também são fontes de inspiração para seus poetas.
E como exemplo cito Parnaíba com suas belezas naturais entre o Delta majestoso com suas dunas douradas e seus casarões à beira do Rio Igaraçu,que têm sido fonte perene de inspiração para seus poetas. Do vento que desenha as areias ao pôr do sol sobre as águas, a paisagem da cidade se transforma em verso, alimentando a sensibilidade e a memória de quem faz da palavra um ofício.
E assim, inspirou muitos dos poetas parnaibanos como Alcenor Candeira, Israel Correia, Fernando Ferraz, Diego Mendes que com seus poemas homenageiam o Rio Igaraçu, os quais publico a seguir:
OH, PARNAÍBA!
Minha Parnaíba
onde está o Rio
que procuro em ti?
As barcas do Igaraçu
sumiram do porto
do cais de onde parti.
Para onde escoaram
as ilusões de tuas riquezas
nos grotões do Piauí?
No leito das tuas águas
afago minhas mágoas
em sonhos sem me iludir
Minha Parnaíba
onde está o brio
que escuto em ti?
(poema de Fernando Ferraz)
IGARAÇAL
Dos meus ancestrais,
tudo guardei no chão.
Fiz da minha cidade
o meu paraíso ignorado.
Pela corda do barco,
estiquei a imaginação
temporã
e fui discreto
ao cavar com os dedos
as dunas
do meu quintal.
Inventei um país diverso,
emergido do rio Parnaíba
trazendo consigo
os seus peixes
encantados:
fidalgo, curimatã, piaba, surubim, manjuba, piratinga,
sardinha, piau, carazinho, lambari,
bagre, joaninha,
branquinha-do-olhão, doirado, dorme-dorme,
enguia-d´água-doce
e outros seres semelhantes
a vigilarem o velário da paisagem
mais enebriante
derramada sobre a minha vida
de habitante
da vazante inteligente
com sofrimentos
e estrelas estilhaçadas.
(Poema de Diego Mendes Sousa )
| Fotografia de Helder Fontenele |
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