sábado, 16 de maio de 2026

A POESIA PARNAIBANA

 

Foto Jairo Leocádio


FERNANDO E DIEGO


O DIA DO POETA PARNAIBANO

Na data de 16 de maio, celebra-se  ser oficialmente celebrado  o "Dia do Poeta Parnaibano." A data foi instituída pela Câmara Municipal de Parnaíba através da Lei n° 1.960, de 19 de maio de 2003, com objetivo de  homenagear os "artesãos da palavra" e celebrar a forte tradição literária da cidade. Infelizmente, talvez pela grande carga de afazeres dos que labutam com a poesia em nosso município, a a data acabou "passando em branco".

Tenho afirmado que o álcool, a mulher e a lua servem de inspiração aos grandes vates, mas devo confessar que as belezas naturais de uma cidade também são fontes de inspiração para seus poetas.

E como exemplo cito  Parnaíba com suas belezas naturais entre o Delta majestoso com suas dunas douradas e seus casarões à beira do Rio Igaraçu,que têm sido fonte perene de inspiração para seus poetas. Do vento que desenha as areias ao pôr do sol sobre as águas, a paisagem da cidade se transforma em verso, alimentando a sensibilidade e a memória de quem faz da palavra um ofício.

E assim,  inspirou muitos dos poetas parnaibanos como Alcenor Candeira, Israel Correia, Fernando Ferraz, Diego Mendes que com seus poemas homenageiam o Rio Igaraçu, os quais publico a seguir:

OH, PARNAÍBA!

 Minha Parnaíba

 onde está o Rio

 que procuro em ti?


 As barcas do Igaraçu 

 sumiram do porto

 do cais de onde parti.


 Para onde escoaram 

 as ilusões de tuas riquezas

 nos grotões do Piauí?


No leito das tuas águas

 afago minhas mágoas 

 em sonhos sem me iludir 


 Minha Parnaíba 

 onde está o brio 

 que escuto em ti?

(poema de Fernando Ferraz)


IGARAÇAL 

Dos meus ancestrais, 

tudo guardei no chão.


Fiz da minha cidade 

o meu paraíso ignorado.


Pela corda do barco, 

estiquei a imaginação 

temporã

e fui discreto

ao cavar com os dedos 

as dunas

do meu quintal.


Inventei um país diverso,

emergido do rio Parnaíba

trazendo consigo 

os seus peixes 

encantados:


fidalgo, curimatã, piaba, surubim, manjuba, piratinga,

sardinha, piau, carazinho, lambari, 

bagre, joaninha,

branquinha-do-olhão, doirado, dorme-dorme,

enguia-d´água-doce 

e outros seres semelhantes

a vigilarem o velário da paisagem 

mais enebriante

derramada sobre a minha vida 

de habitante

da vazante inteligente 

com sofrimentos

e estrelas estilhaçadas. 



(Poema de Diego Mendes Sousa )


Fotografia de Helder Fontenele 







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