José
Luiz de Carvalho (*)
O
mulato, Simplício Dias da Silva, sendo filho de uma negra escrava, Claudina
Josepha e do rico empresário português Domingos Dias da Silva, nascido e
criado entre a casa do seu pai e o alojamento dos negros, não poderia jamais
ter cometido e nem permitido maus tratos aos negros escravos de suas fazendas e
indústrias de charque. Pode-se dizer “tinha um pé da Casa Grande e outro da Senzala”,
Simplício agia com benevolência com os seus parentes, sempre se posicionava em
defesa dos negros, dos pobres e da liberdade, principalmente por ter uma significativa
cultura da Europa, onde passou vários anos estudando e frequentando a corte
portuguesa, tendo inclusive gozado da amizade e proteção da rainha louca, Dona
Maria I, do reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve. Naquela época, a
monarquia portuguesa já era em regime constituído e em algumas regiões da
Europa já se respirava os anseios Republicanos.
Simplício,
foi um homem adiantado no tempo de um Brasil colonial. Viveu entre 1773 e 1829.
Era na verdade um intelectual que amava
a música e apreciava a pintura, dentre outras manifestações artísticas. Ele
chegou a criar uma banda de música, formada somente por escravos que estudaram
no Rio de janeiro e também em Lisboa. Ao longo destes mais de dois séculos,
muitas histórias de domínio público(lendas) e outras escritas por ficcionistas
literários fizeram desse cidadão um verdadeiro demônio, com grande prejuízo à
sua memória. Fato este, que tem se alastrado nos últimos anos pois os
historiadores do Piauí não têm realizado pesquisas buscando a verdade histórica
da atuação dos Dias da Silva em territórios da Parnaíba.
Algumas
publicações recentes, são biografias romanceadas, onde se pode misturar a
realizada com a imaginação. Urge que se faça uma pesquisa histórica, baseada em documentos da época, em busca da verdade. É imprescindível que se resgate o
valor do bravo homem que sacrificou parte da sua vida e da sua fortuna nas
lutas em solo piauiense pela consolidação da independência do Brasil, o que
impediu que o chamado “Reino do Grão Pará”, ou seja, que incluía o Piauí,
Maranhão, Pará e Amazonas fosse entregue aos portugueses após o grito da Independência
em sete de setembro de 2022, separando-se do “Reino do Brasil” que correspondia
o restante do país ou seja do Ceará até o Rio Grande do Sul.
Ainda
hoje, poucas pessoas sabem o que realmente aconteceu na Praça da Graça em
Parnaíba no dia 19 de outubro de 1822, e muito menos conhecem os fatos que
antecederam a esse grande feito libertário e patriótico liderado por Simplício
Dias da Silva, João de Deus e Silva e Leonardo de Carvalho Castelo Branco e que
contou com o apoio de centenas de parnaibanos, e nem das suas consequências em
Oeiras, Piracuruca, Campo Maior, no Piauí e Caxias, no Maranhão. Na verdade,
com a independência do Brasil já declarada em com forte apoio popular na região
Sul e Sudeste, o reino de Portugal tentou segurar pelo menos essa parte do Grão
Pará, para tanto mandou que viesse fazer a ocupação e pacificação, um exército
liderado pelo General João José da Silva Fidié, protagonista de várias batalhas
e outros confrontos nessa região.
| Estátua de Simplício Dias na Praça da Graça local onde ocorreu o grito da independência do Piauí em 19 de outubro de 1822. |
(*)
poeta, contista e cronista, atual presidente da Academia Parnaibana de Letras –
APAL.
Verdadeiro resgate histórico.
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