segunda-feira, 19 de março de 2018

ESCREVER É PRECISO


 Texto de Antonio Gallas

 

                Recebo um zap (*) do colega e confrade Antonio de Pádua Marques Silva, o Padinha do “Gato Ladrão de Sebo”, perguntando-me se eu achava que ele deveria voltar a escrever crônicas.  Pela expressão dele na foto que me enviou, achei-o macambuzio, sorumbático, com cara de quem comeu e não gostou.

                O Padinha , como assim o chamamos , é jornalista e escritor, membro da Academia Parnaibana de Letras onde ocupa a cadeira de nº 24 que tem a poetisa Luiza Amélia de Queiroz Brandão como patrona. Luiza Amélia é natural de Piracuruca.

                Padinha, pelos seus méritos de jornalista e escritor, é o segundo ocupante da cadeira, pois esta mesma teve como primeira ocupante a também poetisa e professora Edimeè Rego Pires de Castro.

                Pois bem. Como amigo e confrade do Padinha, devo encorajá-lo a continuar escrevendo suas crônicas, porque ele escreve bem, e não é nenhum um assassino.  Claro que  estou me referindo ao assassinato da “última flor do Lácio” tão comum nesses tempos de internet, de zap zaps, facebooks   etc... E são poucas, as pessoas que hoje em dia escrevem bem.  Até porque escrever não é uma tarefa fácil.

                Muita gente acha que escrever consiste apenas em nos debruçarmos no teclado e botar a cabeça e os dedos para trabalharem. Não. Não é assim!  Escrever é difícil, principalmente quando se pretende fazer um texto claro, bem elaborado, que possa ser lido e entendido por flamenguistas, botafoguenses, corintianos, gregos, troianos, acadêmicos ou simplesmente por qualquer cidadão comum ou até mesmo pelo Junior, flanelinha que fica na Praça da Graça do lado em frente à igreja do Rosário, o qual é um aficionado à leitura de jornais e revistas.

                 Escrever não é fácil, quando procuramos seguir com exatidão as normas que regem a gramática da nossa língua, a fim de evitarmos construções como essa que li num blog do sul do estado que dizia: “ladrão rouba carro e bate em muro porque não sabia dirigir em Floriano”. Pergunto: será que esse ladrão sabia dirigir em outro lugar, que não Floriano?

                Por conta disso, às vezes ficamos alguns dias, semanas até, sem qualquer nova postagem no blog porque não queremos ser Ctrl C Ctrl V (copiar e colar) como acontece na maioria dos blogs.  Ninguém escreve nada e quando o fazem não observam as regras da gramática, muito menos a clareza em um texto. Em outras palavras, assassinam a “ultima flor do Lácio inculta e bela”...

                Blogs e portais surgem a cada momento na Internet. O espaço é livre e cada um pode criar um blog ou portal e escrever o que bem quiser. Eu, entretanto, quando me deparo com uma matéria carregada de assassinatos à nossa língua pátria, principalmente escrita por uma pessoa que se diz jornalista, ou até mesmo quando começo a ler um livro que encontro erros, ali mesmo paro a leitura, não prossigo...

                Dia desses, ao ler um blog que recentemente havia sido criado aqui em Parnaíba e que o seu titular questionava num grupo de whatsapp o porque em uma pesquisa de opinião que apontou os melhores blogs  da cidade, ou do estado, ele não tinha sido escolhido em primeiro lugar, tal foi minha surpresa que ao ler o título de uma postagem do referido blog encontrei de cara nada menos do que quatro erros de Português. Não prossegui a leitura.

                Verifiquei que o mesmo blog postou uma matéria que trazia o seguinte título “Vândalos ateia fogo em casa no bairro...” Verifiquei também que outros blogs, repetiram o mesmo erro, exceto o Jornal da Parnaíba de responsabilidade do bancário aposentado José Wilson que colocou o título correto: “vândalos ateiam fogo em casa...”

                O leitor deve estar se perguntando se este escriba (no dizer do poeta Diego Mendes Souza) não comete erros quando escreve. Mas é claro que sim! Às vezes pequenos erros  escapam  aos nossos olhos durante a revisão, entretanto assassinatos à língua tenho certeza que não.   Posso ficar sem escrever semanas, mas jamais colocarei títulos como os que transcrevo a seguir:  DESCASO! Populares reclamam do mato que toma de conta dos Cemitério de Parnaíba”, ou “Calote: Pessoal que trabalhou na campanha Antirrábica ainda não receberam seus pagamentos”.

                Para os linguistas o importante na comunicação é ser compreendido, conquanto que para os gramáticos seguir os ditames da gramática, da norma culta da língua é que é legal.

                 Em se tratando de comunicação oral e informal até concordo com os linguistas, todavia, quando nos referimos a um assunto dentro  de um texto, este tem que ser claro, objetivo e não dúbio como o que me referi no parágrafo anterior com grifo, O leitor não sabe se o ladrão bateu o carro no muro porque  não sabia dirigir apenas na cidade de Floriano ou se o ladrão não sabia mesmo dirigir de forma alguma.  Este outro título por exemplo: “Mulher bate na filha de dez anos porque estava bêbada”. Quem estava bêbada? A mulher ou a filha de dez anos?

                Tem razão o jornalista Bernardo Silva quando afirma Jornalismo: É preciso prestigiar os profissionais e jogar o resto fora. É hora de se fazer um diferencial entre quem exerce a atividade legalmente, com conhecimento de causa, e quem está nela para fazer picaretagem; expor ao públicos seus recalques, suas contrariedades políticas, suas frustrações.

                Jornalismo é uma atividade intelectual. Não é para qualquer um. E hoje, com tanto lixo por aí; blogueiro de toda espécie, surgindo à toda hora... todos,  inclusive os verdadeiros profissionais, são nivelados por baixo. Tem muita gente por aí, com DRT e tudo mais, que não sabe escrever.”   ( Blog do B. Silva 09/02/2018).

               Portanto Padinha,  meu conselho é para que você continue  a escrever suas bem elaboradas crônicas, pois nestes tempos de control C / control v, parodiando o lema da escola de marinheiros de Sagres  escrever é preciso  ou melhor, navegar nas letras é preciso.
(*) Forma abreviada popularmente da palavra inglesa whatsapp.
 

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