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| XIKIN KARWALHO |
MALA SEM ALÇA 
Numa reunião de direx, Tuninho Montblack, dirigindo-se a Kalçalta e a
Fom-fom Elzenrio, perguntou:
- dondi vem as prosopopíticas expressões “mala sem alça” e “urêia seca”?
Kalçalta – sabichão qui só o cão – respondeu na batata.
- só entendo de matemática, mas precisamente de tabuada, donde 04 + 04 didi,
são na realidade 12 didi de dudu.
- sabidim tais ficando – disse Fom-fom. Entendo muito da língua
pátria. Sei que ambas são provenientes da criação dos artistas do Litó.
Urêias Seca são os subalternos e Mala Sem Alça os desavergonhados.
- sabidim ta tu. Vamos logo acabar com esta reunião. Já to cum “ dô nos
quartos”, de tanto ficar sentado. Vou dá uma voltinha pelos departamentos pra
vê quem ta jogando baraí e oiando muié pelada na internet.
- vai-te marmota – disse Montblack. Leva contigo esta tosse de cachorro
doido e vê se larga este cigarro.
Fom-fom dirigindo-se para o direx super, disse:
- vou pedir pro dançarino do Litó te contar a estória do Mala Sem Alça.
ESTÓRIA 
Numa destas sextas-feiras santas da vida, o grupamento sebraico ajuntou-se
para aprontar mais uma noitada de vida bem vivida. Nem todos os invertebrados
da instituição seguiram, porém a delegação estava bem representada. Naquele
tempo, agosto de 1995, não tinha o “se beber não dirija”, então Xaga’s
Wall atracou-se com o volante do seu Del-Rey vinho e arregimentou a
tropa. Foi adentrando Phirão Imunes da Prosta, Rik Lions, Aussionni Sampa e
Angim.
- apulumem seus cintos – ordenou o Fit Pau Di.
Seguiram pro bar do Zé Grosso e lá chegando trataram de pedir geladinhas. E
haja conversa mole. Phirão só falava da vida alheia, Rik ajeitava o
psicossomático do grupo com piadas imorais. Angim só podia está com água na
pleura, pois há todo momento levantava para ir ao Ele. Aussionni só ria. Nisso
Rik levantou e dirigindo-se ao seu Zé, perguntou:
- tem dominó?
- só tem baraí.
- manda.
Formaram a roda de baraí e trataram de jogar bisca. Lá pras tanta,
Aussionni, lembrando de suas entrâncias, levantou e fez o convite:
- vamos pro ca-ba-ré ?´
- pro Va-ga-lu-me do Domingo Fogoió – respondeu Wall.
- to dentro – disse Angim.
Lá chegando cada um foi tratando de pegar sua menininha de vida difícil. E
haja dança, mé, muié e tira gosto de panelada, de cheiro pejorativo.
- lasca pimenta e farinha – disse Phirão Imunes de Prosta.
Lá pras quatro da matina o piloto, já de bucho quebrado de tanto comer,
resolve debandar.
- quem vai-vai, quem num vai fica.
Quase todos adentraram ao automóvel e quando o chofer ia acelerando notou
que faltava o Angim.
- cadê?
Ele apareceu de par e até queria levar a quenga, mesmo sabendo que ela tinha
lêndia e piôi. Como não foi possível, se despediu com um beijo na boca
banguela e cheia de dente pôdi. Será que era pra tirar quebranto?
Xaga’s deixou todos em casa e por último deixava Angim, pois morava próximo,
no bairro São José, também conhecido como cheira mijo.
Angim, esposa e filho moravam na casa dos pais de Fom-fom, ou seja,
Fom-fom é tio afim de Angim.
Xaga’s Wall buzinou pra acordar o carona. Logo que Angim desceu, a luz do
terraço acendeu e um braço moreno e rígido apareceu empurrando uma mala. Angim
apulumou os ofuscantes, remelou os ocólitos homônimos, parou, fitou a
marmota e logo viu que um novo braço feminino, de cor mais clara e fragilizado
pelo tempo, puxava a mala pra dentro. Mala ia e mala vinha. Neste vai e vem a
trepeça da pegar se soltou e a mala ficou sem alça e do lado de fora.
Nisto ouvia-se conversa de Vó (experiência) e Neta (impaciência).
Wall já se agoniando disse:
- se resolvam se ele fica ou se vai. Preciso partir.
As senhoras resolveram acatar as “duas malas sem alça”
Xaga’s partiu preocupado com a sua mala e perguntou-se:
- será que Ela também vai arrancar a alça da minha mala?!?!? Vou me mandar é
pro Buriti of dos Lopes e depois invento que fui visitar o Papai.
Moral da estória:
“ Casamento é a única instituição onde se conquista a liberdade por
mau comportamento.”
Parnaíba, madrugada de 10/11 de março de 2010.
Xikin Karwalho

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