terça-feira, 6 de dezembro de 2022

OS ANIMAIS PENSAM?

         Na manhã de  terça-feira 05 de dezembro, ao ir ao centro da cidade, estaciono meu carro no lugar de costume da Praça da Graça, quase em frente ao Banco do Nordeste, próximo ao local onde fica o engraxate conhecido pela alcunha de "Guarany" - o remanescente de tantos quantos já fizeram pontos naquele logradouro. O  guardador dos carros, em outras palavras,  o flanelinha,  é  o Raimundo,  apelidado de tatú, talvez pela semelhança e altura com Hervé Villechaize, o Tattoo, personagem do filme "A Ilha da Fantasia". 

        O Guarany, conhecido e amigo de todos, conversador que só ele mesmo, gaba-se de ter engraxado   sapatos de artistas famosos como o nosso Alberto Lúcio - Pituka, Raul Seixas e outros  de saudosa memória, bem assim de muitos  políticos, alguns ainda vivos,  outros já no Reino de Deus,  como Alberto Silva, por exemplo.

        O  Tatu,  também  respeitado e estimado por todos,  fica a sinalizar diariamente a entrada e a saída dos veículos naquela área do estacionamento da Praça sob sua responsabilidade evitando assim que acidentes ocorram.

           Tanto Guarany quanto o Tatu são responsáveis pelos seus serviços e dignos do respeito de cada um de nós que os conhecemos.

         O caminho  em direção ao Bar Carnaúba é cheio de frondosas árvores - oitis por exemplo,   que nesta época do ano estão carregadinhos de frutos e que muitas vezes caem nas cabeças dos transeuntes sem causar-lhes qualquer dano.


 

          Ao passar embaixo de uma dessas árvores, especificamente um pé de tamarindo, também carregado de frutos e adornado de lâmpadas com as luzes do natal,    deparo-me com um animal repousando sobre suas patas traseiras, as dianteiras estendidas para frente  e  o  olhar firme para o alto da árvore sem mover sequer  sua cabeça,  ou mudar a direção do seu olhar. 

            As pessoas passavam por perto desse animalzinho, entretanto ele parecia ignorá-las. Não se movia de modo algum. Continuava firme no seu propósito em olhar para o alto da tamarindeira ou tamarineira. 

            Então, cá com meus botões pensei: O que será que está    a absorver a atenção deste animalzinho, concentrado a olhar para o alto, ignorando tudo que se passa a seu redor? Foi quando alguém chegou e falou: "professor ela está vigiando o camaleão que está lá em cima".   

            Era uma cadela!

            Então de imediato me vieram novas perguntas: o que estará ela pretendendo fazer?  Proteger ou abocanhá-lo? Será que os animais pensam?

            "Para Marc Hauser, professor de psicologia da Universidade de Harvard, os animais são seres pensantes", no entanto de acordo com a ciência "tudo depende de como o pensamento é definido". Dessa forma muitos cientistas preferem usar o termo "habilidades cognitivas, em vez de  pensamentos".

            Mas ao meu modo ver, não sou cientista, chego até pensar que os animais também pensam e sentem emoções assim  como nós humanos. 

           Foi o que percebi ao ler "Memórias de Bismark" o próximo livro a ser lançado pelo cronista, contista e romancista Pádua Marques que respeitosamente convidou-me a prefaciar sua obra, o que pronta e prazerosamente aceitei o honroso convite.

         Bismark é um inteligente dog alemão  que fora presenteado pelo alemão Burker  ao casal  Austin e Bertina que moravam no Brasil. 

         Austin, pela origem do nome deveria ser italiano. Quem sabe um espião ou ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. Casou-se com Bertina, brasileira, para poder morar no Brasil. 


            Bismark, o inteligente cãozinho alemão, narra em suas memórias as emoções por ele vividas - do que ele chamou de "os melhores dias" - quando recebido com todo carinho pelos seus novos donos. Relembra as aventuras ao lado de Eda, filha do casal, bem assim as frustações, punições na maioria das vezes injustas, o que deve acontecer com muitos outros  animais de estimação. 

            Não vou aqui fazer um resumo da obra do meu confrade Antonio de Pádua Marques - o Padinha, como o chamamos na intimidade. Senão  quando o livro for lançado, cadê a graça?

             O que quero dizer é que os animais, se não pensam,  têm um instinto observador e acredito, assim como o Bismark,  têm suas próprias formas de observarem o mundo, o que passa a seu redor,  como a cadelinha que postou-se a observar os movimentos do camaleão que camuflava-se, através do mimetismo, com as cores da casca da árvore a fim de evitar ser facilmente visto. 

                

        Finalizo esta crônica  dizendo o seguinte: as Memórias de Bismark promete ser mais um livro de agradável leitura produzido pelo excelente cronista/ contista/romancista  Pádua Marques, membro da Academia Parnaibana de Letras e do Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Parnaíba.

2 comentários:

  1. Eu tenho certeza que os animais pensam. Bela crônica Professor Gallas!!!

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    1. Obrigado, mas seria bom você se identificar, para eu saber quem está comentando.

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