O Guarany, conhecido e amigo de todos, conversador que só ele mesmo, gaba-se de ter engraxado sapatos de artistas famosos como o nosso Alberto Lúcio - Pituka, Raul Seixas e outros de saudosa memória, bem assim de muitos políticos, alguns ainda vivos, outros já no Reino de Deus, como Alberto Silva, por exemplo.
O Tatu, também respeitado e estimado por todos, fica a sinalizar diariamente a entrada e a saída dos veículos naquela área do estacionamento da Praça sob sua responsabilidade evitando assim que acidentes ocorram.
Tanto Guarany quanto o Tatu são responsáveis pelos seus serviços e dignos do respeito de cada um de nós que os conhecemos.
O caminho em direção ao Bar Carnaúba é cheio de frondosas árvores - oitis por exemplo, que nesta época do ano estão carregadinhos de frutos e que muitas vezes caem nas cabeças dos transeuntes sem causar-lhes qualquer dano.
As pessoas passavam por perto desse animalzinho, entretanto ele parecia ignorá-las. Não se movia de modo algum. Continuava firme no seu propósito em olhar para o alto da tamarindeira ou tamarineira.
Então, cá com meus botões pensei: O que será que está a absorver a atenção deste animalzinho, concentrado a olhar para o alto, ignorando tudo que se passa a seu redor? Foi quando alguém chegou e falou: "professor ela está vigiando o camaleão que está lá em cima".
Era uma cadela!
Então de imediato me vieram novas perguntas: o que estará ela pretendendo fazer? Proteger ou abocanhá-lo? Será que os animais pensam?
"Para Marc Hauser, professor de psicologia da Universidade de Harvard, os animais são seres pensantes", no entanto de acordo com a ciência "tudo depende de como o pensamento é definido". Dessa forma muitos cientistas preferem usar o termo "habilidades cognitivas, em vez de pensamentos".
Mas ao meu modo ver, não sou cientista, chego até pensar que os animais também pensam e sentem emoções assim como nós humanos.
Foi o que percebi ao ler "Memórias de Bismark" o próximo livro a ser lançado pelo cronista, contista e romancista Pádua Marques que respeitosamente convidou-me a prefaciar sua obra, o que pronta e prazerosamente aceitei o honroso convite.
Bismark é um inteligente dog alemão que fora presenteado pelo alemão Burker ao casal Austin e Bertina que moravam no Brasil.
Austin, pela origem do nome deveria ser italiano. Quem sabe um espião ou ex-combatente da Segunda Guerra Mundial. Casou-se com Bertina, brasileira, para poder morar no Brasil.
Bismark, o inteligente cãozinho alemão, narra em suas memórias as emoções por ele vividas - do que ele chamou de "os melhores dias" - quando recebido com todo carinho pelos seus novos donos. Relembra as aventuras ao lado de Eda, filha do casal, bem assim as frustações, punições na maioria das vezes injustas, o que deve acontecer com muitos outros animais de estimação.
Não vou aqui fazer um resumo da obra do meu confrade Antonio de Pádua Marques - o Padinha, como o chamamos na intimidade. Senão quando o livro for lançado, cadê a graça?
O que quero dizer é que os animais, se não pensam, têm um instinto observador e acredito, assim como o Bismark, têm suas próprias formas de observarem o mundo, o que passa a seu redor, como a cadelinha que postou-se a observar os movimentos do camaleão que camuflava-se, através do mimetismo, com as cores da casca da árvore a fim de evitar ser facilmente visto.
Finalizo esta crônica dizendo o seguinte: as Memórias de Bismark promete ser mais um livro de agradável leitura produzido pelo excelente cronista/ contista/romancista Pádua Marques, membro da Academia Parnaibana de Letras e do Instituto Histórico Geográfico e Genealógico de Parnaíba.
Eu tenho certeza que os animais pensam. Bela crônica Professor Gallas!!!
ResponderExcluirObrigado, mas seria bom você se identificar, para eu saber quem está comentando.
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